24 outubro, 2005

O Monstro decidiu-se, finalmente. Pulga imagina a dificuldade, nos nossos dias, em declarar-se. O Monstro ama o Povo. Ele e o Povo confundem-se na falta de profissionalismo. A política é para os fracos. O Povo está todo húmido e imagina o sofrimento de tamanha decisão. A responsabilidade é quase desumana, a de estar aí acima de todos os condenados à morte. O quadro está, então definido. A Velha, o Monstro e os seus anões. Deus seja louvado. Assim seja a Pátria e a Autoridade. Democraticamente. A gripe das aves pode esperar. A Democracia também, entre banhos de multidão, lavagens ao cérebro e intoxicação televisiva.

No entanto, em Singapura mais uma execução por enforcamento está garantida. No corredor da morte há um silêncio de cortar à faca. Estamos todos de torcicolo.

18 outubro, 2005

Atenção ao dia 22, pelas 17h, Danyel Guerra estará na Pulga, com o seu Tomás Gonzaga, em busca da musa clio, livro que será apresentado num café do Porto, dias antes, para todos aqueles que por uma razão ou outra queiram com ele reforçar “ este Tomás que não merece continuar um obscuro, poderia reclamar Maurice Blanchot.
... De forma prioritária, este ensaio encara a personagem como um pretexto no contexto de um drama histórico, inscrevendo suas acções pessoais no pano de fundo do cenário setecentista, pichado pelos grafitis da insurgência libertina e libertária ”.

Já está na Pulga o mais recente livro de Silva Carvalho “ Tetralogia Fática” das edições Aquário, 15 euros. Segundo Jorge Leandro Rosa “ Silva Carvalho não escreve, obviamente, em função do dispositivo literário. E não poderia escrever na medida em que pratica algo que está aquém da literatura. Aquém no sentido caracterialmente mais nobre do termo: como em Kafka, a entrada no sistema literário representaria o abandono dessa última vigilância entre si e o outro que a sua escrita exerce.
...
A autores destes não incumbe a sede de novidade, mas o próprio espanto de que ainda haja literatura. Na nossa situação epocal, toda a afirmação de uma condição de autor problemática. Silva Carvalho aponta constantemente essa primeira vertente da aporia da escrita literária.”

12 outubro, 2005

O Povo está sereno. Acabou de despejar os colhões nas urnas, provando uma vez mais que toda a sua disfunção sexual, ao fim de trinta anos de democracia, não passou duma manobra demagógica para o menorizar publicamente. É claro que teve de se socorrer das novas tecnologias, nomeadamente do Viagra, para que, durante os assaltos, pudesse garantir ao Outro todo o principio de prazer necessário para que o acto democrático não tivesse uma ejaculação precoce que obrigasse a Democracia a recorrer a métodos anti-democráticos para alcançar o nirvana. Assim sendo o Local do Crime está em boas mãos.

Entretanto Povo, Democracia e todos os seus caciques preparam-se para mais desafios democráticos que se aproximam e preparam serenamente os banhos de multidão, os sacos azuis e lavam as camisas de vénus; e consultam os melhores analistas, curandeiros e fadistas. A luta continua

Pulga até espera ansiosamente as obras primas que a indústria livreira está a pedir ao pai natal. Junto ao abismo as edições mortas preparam o parto de mais quatro cadáveres:
- A Inscrição na Lápide, de Fernando Morais
- Manual do Desempregado, de Liberato
- Saloon, de A. Pedro Ribeiro
- Teatro d’Abjecção, de A. Dasilva O.
Há que estar atento, o espectáculo vai ser bonito, pá!

04 outubro, 2005

Pulga anuncia que de Outubro a Dezembro não promove, nem livro da semana, nem o do mês; mas os descontos nos títulos das edições mortas mantêm os descontos que tem praticado: até vinte por cento em títulos com mais de dezoito meses.


VOZ DE DEUS 2: utilizou-se na montagem a técnica fanzineira do corte e colagem sobre o primeiro número, despejamos sobre as novas tendências do desespero, o sangue dos jornalistas.

Pulga a minha querida livraria comemora um ano de existência (no próximo dia 8 de Outubro )com a
benção da
VOZdeDEUS ESTE SEGUNDO NÚMERO
Tem como tema o sangue dos jornalistas que será lançado, dia 8 de Outubro às 17h na Pulga

VOZ DE DEUS, uma publicação Edições Mortas e Pulga. Colaboram neste segundo número: Helena Brandão, Mário Galego, Ivar Corceiro, José Manuel Rosendo, Fernando Morais, Nuno Rebocho, Virgilio Liquito, Mário Augusto, Jorge Mantas, Nunes Zarelleci, Óscar, Fernando Guerreiro, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto e Pedro Moura. Arranjo Gráfico: Mão Pesada. Depósito Legal: 212 004 04. Pedidos: 91 422 30 65; Info@edicoes-mortas. com; edicoes-mortas. blogsopt. Com.
PVP: 3 euros