22 junho, 2012

A Bela AVC


A Bela  AVC

Então a Bela  está melhor  Está em coma do cérebro como o povo
morte cerebral  devemos falar verdade
num ambiente de cortar à faca
Afiam-se em olhares cruzados
a merda do futebol onde nem com os pés se sabe falar
a irritação Ela
teve um AVC  por não ter tomado  os medicamentos
Eu nada de nada sei vede lá se terei de me confessar
a um velho que sofre de Alzheimer
ou à sua mulher Merkel até as banhas são de silicone
quer dizer os padres ainda não podem casar
apenas foder a mulher do próximo 
Mas já mexe os lábios
A morte baila nos lábios
das indignadas vozes
a produzir conteúdos do velho conflito
interior e nada de papeis  o nosso papel é morrer
enquanto estamos vivas

DESCULPEM O PALAVRÃO. MAS ESTÁ TÃO BEM ATRIBUÍDO QUE NÃO RESISTI! Curso Rápido de Gramática: - Filho da puta é adjunto abdominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta". - Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo. - Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito. - Porém, se apontares uma arma para a testa do político e dizes:"Agora nega o roubo, filho da puta!" ? daí é vocativo. - Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" ? daí, é aposto. Que língua a nossa, não?! Agora vem o mais importante para o aluno. Se estiver escrito: "Saiu de ministro e foi viver para França e ainda se acha o salvador da Nação." O "filho da puta" aqui é sujeito oculto... e se for para o Brasil + 20? Um sujeito irmão?




21 junho, 2012

Máquina do mal-estar





Máquina do mal-estar

O relógio do tempo
não perde tempo
por parado está
A fazer contas à vida
tentando conseguir tempo
para se afastar
do seu tempo

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Misérias tamanhas
se  aproximam tais nuvens
Carregadas de discursos
do bem-estar
Explodindo flores
que cheiram a esturro
e a carne humana assada
na grelha de um futuro
risort risort risort

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Mas mais tempo de no poder terá de estar
com grandes sacrifício pessoal
a fim de aprofundar tamanha miséria
de um povo ignóbil que nem ler nem escrever
sabe das novas oportunidades
que um cidadão escravo tem
Se enfim perceber
se não mata
morre  e as estatísticas confirmam
O Estado está a emagrecer
trinta mil num ano falecer
para sobreviver este doce país e a sua
carne  abastecer o coração da Europa

13 junho, 2012

A Grandeza de Deleuze, uma poética da difracção

tese

antítese

sintese

 A Grandeza de Deleuze, uma poética da difracção

O pó não voa
suspende-se no ar 
tal máscara

Faz tempo
mas as sua cinzas não param 
de sair da crematística máquina
como papel de tesouro
lavado em sangue
no fundo perdido

A estátua cai de estúpida
ao deixar de respirar
o seu tempo

Uma malformação filosófica
enquanto funda  a sua época
deparando-se sempre com esse canhão
de carne humana metafisicamente
aferrolhado num perdido olhar
de quem tem horror ao precipício

O homem reproduz-se por guerras

A. Dasilva O, fotos de António S. Oliveira

10 junho, 2012

Julga-me a gente toda por perdido

foto António S. Oliveira

Julga-me a gente toda por perdido

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.
Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.
Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;
Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.
Luís de Camões

03 junho, 2012