27 novembro, 2017

Piolha o Natal, diz o poema OH OH OH OH OH OH cante Piolho # 24 Natal na tipografia OH OH OH OH OH


PIOLHO Revista de Poesia
 Junte-se um pouco de José Carlos Ary dos Santos «Natal é sempre o fruto / que há no ventre da mulher » junte-se um pouco de Fernando Pessoa «E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar»  junte-se um pouco de David Mourão-Ferreira «Há-de vir um Natal e será o primeiro/em que se veja à mesa o meu lugar vazio » junte-se um pouco de Eugénio Andrade «É Natal, nunca estive tão só. » junte-se um pouco de Miguel Torga «Sem um anjo a cantar a cada ouvido. » junte-se um pouco de José Régio « Cada vez o teu Reino é menos deste mundo! » junte-se um pouco de Natália Correia « menino eras de lenha e crepitavas /porque do fogo o nome antigo tinhas » junte-se um pouco de António Gedeão « É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, » mas não abuse no mexer pausado para não lhe sair “a Fava” de Vasco Graça Moura « na mais pobre semente a intensa dança/ de tempo adulto e tempo de criança.» 
            

Arnaldo Macedo (ilustrações), Adília César, Maria Afonso, Sílvia Silva, Lígia Casinhas, Maria F. Roldão, Carlos Ramos, José Pedro Leite, Luís Oliveira, Teixeira Moita, 
Francisco Cardo, António S. Oliveira,
Fernando Guerreiro, Humberto Rocha,
 António Ladeira, Pedro Ludgero, Juan T.
Pomar, Amadeu Baptista, A. Dasilva O, João Meirinhos, Apeles Heleno e Ilias Faukis

fazem mais ou menos por esta desordem este
número
PIOLHA o Natal
o vigésimo quarto dezembro 2017
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho


03 novembro, 2017

Estou farto de o dizer, Euridisse, só num país de poetas se apaga o fogo com poesia, diz o poema

 Sou a única vitima
do meu incêndio
e não tenho feito outra coisa
que manter a chama acesa
dilu Ente


 Se tivesse uma Palavra
dava-a
dilu Ente

O silêncio das punhetas


A minha cabeça é uma bandeja
que boceja


ou vice-versa


no dia dos meus anos
ofereceram-me numa bandeja
a minha cabeça
como pedido tinha ao pai natal


dilu Ente


 Há quem se feche num sonho e declare independência
mas é o que os pesadelos fazem
dilu Ente



O tempo essa revolução, diz o poema

Ao passear na linha do horizonte
deambulando entre o real e a ficção
encontrei uma visão
ferida de morte


diz que foi atingida por um poema contrafeito


dilu Ente




Em cada palavra
as minhas cinzas
conspiram
dilu Ente



O impossível é possível
assim que este se imola
como significante à falta de oração
a emoção tem línguas de fogo
como asas
dilu Ente
Eu não acompanho o meu carrasco, diz o poema
lugar nenhum
a distância entre duas luas
dilu Ente







Eles, os poetas, não me ouvem
entretidos que estão a domesticar o indizível
dilu Ente