31 dezembro, 2018

Já não se pode dar um peido

https://www.correiodoporto.pt/desafios/a-dasilva-o-a-chegada-de-guadalajara?fbclid=IwAR1qJNw8Dqk9qxZgp6LEI0_ATk_jrkdfxJRE5pSm9tcdKB0IFJ8c_qCVA8A 



POR aqui tudo se sabe. É um meio pequeno, todos se conhecem, daí ser muito difícil ocultar atos e omissões contraditórios com a imagem pública cultivada e podada ao longo do tempo. Foi o que aconteceu com o autor-editor-criador (não esquecer os hífens), António da Silva Oliveira, (também conhecido por A. Dasilva O.) apanhado em flagrante no aeroporto do Porto vindo da Feria Internacional del Libro de Guadalajara.

Por Paulo Moreira Lopes

26 dezembro, 2018

a ruína é tudo aquilo que renasce das cinzas, diz o poema


se:
Um poema não se faz sozinho, diz o poema

O poema morre sempre solteiro, diz o poema


porno, logo fode
como um louco, o seu rosto
na sopa,
diz o poema

Todos os intelectuais são fascistas 
todos anti-intelectuais são fascistas todos 
pseudo-intelectuais são fascistas, diz o poema

Todos os fascistas são anti-políticos 
que são eleitos sem ler nem escrever uma carta aberta,
diz o poema


Os poemas magoam
como pedras nos rins, 
diz o poema 
como murros no estômago, 
diz o poema como ejaculação 
de lágrimas de crocodilo nos olhos, diz o poema

sou fruto da mão de obra barata e sangue de cigarra, 
diz o poema


a ruína
é tudo aquilo
que renasce
das cinzas, diz o poema

o espetáculo não pode continuar
a transformar o extermínio
num entretenimento e sim vice versa,
diz o poema

Estar vivo é indiferente a quem está morto, diz o poema

Todo o Encanto tem o seu cântico negro, diz o poema

Notificações Todas
marquei como lidas
Todas sobre a página principal
like a vómito, diz o poema

Onde estavas quando a puta que te pariu?, diz o poema

A puta da realidade está sempre à frente da puta da ficção 
Escrever para quê 
para além da primeira e última página
e quanto ao resto copy e paste o rabo
cheio de baba e ranho no fbiko de papagaio 
de colete amarelo, diz o poema

o olho do cu
lto só vê
a página em branco
depois de obrar
e não fica

angustiado
ao contrário do autor
que perante
a página em branco
fica na merda
preso,
diz o poema

a vida é tão nua e crua que a cubro com um colete amarelo,
diz o poema



Se o Poeta fosse vivo 
Faria anos hoje
E não tijolo
Esperemos pelo dia de amanhã,
diz o poema