25 abril, 2019

em modo revolucionário, diz o poema

Na madrugada do 25 de Abril de 1974
dormia no vale dos lençóis das minhas quinze primaveras
e alguns sonetos irregulares e pouco pensativos
E fui acordado pelo linguarejar das trevas do meu irmão mais velho 

que desinfiado do quartel foi avisado para comparecer ao serviço 
e predicamente entre foda-se, puta que pariu, lá se fardou e alou 
De regresso aos sonetos, acordei para ir para a "Manhã Submersa" 
CIC, colégio internato dos carvalhos onde soube que tinha havido merda
e que não havia aulas devido à Revolução, chegado a casa "fardei-me" em modo revolucionário
e fui para o Porto,tal marujo ter com o 25 de Abril sempre, diz o poema


A imagem pode conter: 1 pessoa

24 abril, 2019

Cá estou, junto ao «sr. A. Bate» em câmara ardente na 3°Bienal Internacional de Arte Gaia, diz o poema

Cá estou, junto ao sr. A. Bate em câmara ardente na 3°Bienal Internacional de Arte Gaia, na curadoria Mente Livre/ Sérgio Almeida. Foto de Ricardo De Pinho Teixeira 

Monumi(n)too ao SR. A.BATE tem um metro e vinte de allturra e oitenta cintemos de laguna e é constituído por um cabeção treevisão: «todo o cego tem a sua maneira de ver, diz o poema», «webcam, montra em execução» e  «Pela boca morre o museu nacional de Arte sobre ligadura onde o Sr. A.Bate limpou o rabo»; por um tronco e com vinte e seis membros e exemplares do livro de poemas « Excrementos» de A. Dasilva O.



03 abril, 2019

Estou com as mãos sujas de poesia, diz o poema

Cheira-me a sangue
Estás naqueles dias, Musa
em que a violência doméstica não passa duma metáfora do amor máximo, diz o poema



deixa arder que é no inferno, diz o poema


O futuro é negro
daí o racismo do presente,
diz o poema



Quando morrer matai as minhas viúvas, diz o poema

O vento engole a flor, diz o poema

Ah sombra 
A bananeira masturba-se 
com uma natureza morta, diz o poema


As minhas erecções foram finalmente ouvidas, diz o poema




A angústia é a minha refeição, diz o poema



Correspondência amorosa entre o Amor e o Ódio, diz o poema
O amor e o ódio beijam-se entre juras de amor eterno, diz o poema


Não passamos de sonhos ah beira dum pesadelo, diz o poema


se poema dou
só ao povo devo
tudo o que escrevo
e lhe sobrou
diz o poema

É quem mais coloca as ossadas da poesia ao sol, diz o poema


a poesia é uma festa do quinto caralho mais u-iva , diz o poema

quanto mais rima
mais se lhe arrima
diz o poema

Quando Deus nos abandonou na sua última morada, diz o poema

O céu tem luas, diz poema


sou um criador de mim e não meu criado, diz o poema

Prefiro uma mulher a uma musa, diz o poema


a minha poesia está louca por ti, diz o poema


na saudade e na doença a poesia ainda nos comove com a sua indeferença, diz o poema

Fui à praia e enchi vários poemas com lixo
e num deles a minha cabeça,
diz o poema





madrugada que te espera a nós todos
menos às suas sumidades que nas correntes d'escrita
antes desta dar o peido, debicam, segundo a antena 2, a madrugada da sofia
com requintes de neto de moura
para quem a nossa dela madrugada
não é o que estavam à espera
se a madrugada dela e nossa não é foi
o que estavam à espera
só lhes resta a outra a da noite dos tempos
da velha senhora que nos bate batia nos sentidos todos
ao amanhecer
e houve muitos aplausos aos abutres
e vem o pacheco armado em falso amigo dos ignorantes
alertar para as redes sociais e seus ninhos da noite dos tempos sem a dela nossa madrugada,
diz o poema