Começou a beatificação do Diabo. Finalmente começa a ser reposta uma injustiça. Afinal não há comunidade em que a maior parte dos seus cidadãos não tenham aos seus serviços recorrido. A Alma é um produto descartável de tal maneira que são poucos, os ilustres desconhecidos, que a não tenham vendido para melhor sobreviverem neste prostíbulo moral.
Animal não concorda. A sua alma é o seu instinto de sobrevivência. Mas admite academicamente que ela pode ser vendida por dá aquela palha. Quanto mais for vendida, mais alma, tal prostituta quanto mais fornica mais pura é, como Sade bem nos narra. A sua entrega à extinção, reforça e fortalece a sua natureza, evitando a humanização.
Humano, demasiado humano, tatua-lhe Grafitti nas costas
E a Língua? Não passa de uma escrava da velha Pandora. Mas eu amo a Europa, declara Céptico. Não passa de uma balzaquiana, goza Séptico: “ Acho-lhe finura, espírito; mas, de uma ignorância surpreendente” descontextualiza Sarrasine, de Honoré de Balzac, Farândola, 7 euros.
Animal enche o corredor da morte com gargalhadas diabólicas: - se não desejo o poder, porque é que querem fazer de mim um escravo, vós que estais em extinção?!
29 junho, 2005
28 junho, 2005
28.06
Prontos: 5 sábados 5 livros chegou ao fim com o lançamento de “Representações sobre o desejo” de A. Sarmento Manso. A urbe, a literatura e o país têm mais lucidez ao seu dispor. Façam o favor: normal, fresca, com ou sem gás, com gelo ou sem, na Pulga com desconto até 30% na compra dos 5. Entretanto já no dia 2 de Julho vamos estar todos na Navio de Espelhos, em Aveiro, para mais um lançamento de “Numa avenida de Merda” talvez com licor lá prás 21.30 h.
Livro da Semana na Pulga e a 5 euros: Identidades Pagãs de José António Afonso. Um livro de ensaios sobre a desqualificação social; Escola, escolaridade, escolarização; Desqualificação social: exclusão e violência; Espaços da Comunidade. Tempos da Escola. Enfim um fabuloso ensaio sobre a educação dos nossos monstros e/ ou, digo eu, os nossos fantasmas pós-modernos.
Chegou mais uma Nada, a nº5 (7,20 euros) toda recheada de reflexão, entre o ensaio, a entrevista, a poesia, a narrativa...: Politizar as Tecnologias, Experiências do público em Bioarte, O Design na era do design: moral das coisas, Medicina Ortogonal, Desviando funções,...,. e um salto a www.nada.com.pt para mais informações?
Pulga sabe que é fonte de inspiração e plágio por alguns escrivinhadores fictícios, é sempre bom que se útil, nesta comunidade sem fins lucrativos.
Livro da Semana na Pulga e a 5 euros: Identidades Pagãs de José António Afonso. Um livro de ensaios sobre a desqualificação social; Escola, escolaridade, escolarização; Desqualificação social: exclusão e violência; Espaços da Comunidade. Tempos da Escola. Enfim um fabuloso ensaio sobre a educação dos nossos monstros e/ ou, digo eu, os nossos fantasmas pós-modernos.
Chegou mais uma Nada, a nº5 (7,20 euros) toda recheada de reflexão, entre o ensaio, a entrevista, a poesia, a narrativa...: Politizar as Tecnologias, Experiências do público em Bioarte, O Design na era do design: moral das coisas, Medicina Ortogonal, Desviando funções,...,. e um salto a www.nada.com.pt para mais informações?
Pulga sabe que é fonte de inspiração e plágio por alguns escrivinhadores fictícios, é sempre bom que se útil, nesta comunidade sem fins lucrativos.
23 junho, 2005
23.06
Está tudo aflito: que terá acontecido ao presidente de todos os duplos? Comeu alguma coisa que lhe fez mal, não fornicou por não ter dinheiro para viagra ou apenas quis justificar o lugar que ocupa? Os fazedores de opinião estão confusos e em estado de choque sacodem a água do capote, os financeiros apanhados a dormir sobre os juros do consumo, cospem para o ar e os gestores o que querem é reformas, muitas e muitas reformas até a apatia se instalar de vez. O tempo ajuda, a relatividade também. A seca é extrema e os funcionários públicos não dormem. Navegam na net em busca de um ponto de fuga para desertarem deste buraco negro:
“ Diz Kan: -Tudo é inútil, se o último local de desembarque tiver de ser a cidade infernal, e é lá no fundo que, numa espiral cada vez mais apertada, nos chupar a corrente.
Marco Polo acrescenta: o inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos.
Há dois modos para não o sofremos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.” As Cidades Invisíveis de Italo Calvino
Retirado de mais uma chegada à Pulga “ A Educação de Adultos & Intervenção” editado pelo Instituto de Educação e Psicologia- Universidade do Minho ( 7,60 euros), via Estratégias Criativas que nos traz mais uma biografia de sua colecção: João de Barros de Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo (8 euros).
E por falar em leituras, Pulga mandou para a Edp a leitura do consumo de electricidade e ela, com aquele sorriso anti-gioconda diz: leitura insuficiente. Quer isto isto dizer que não consumi o suficiente? Entretanto pela urbe a edp estupidamente convida (em outdoors) ao baixo consumo
“ Diz Kan: -Tudo é inútil, se o último local de desembarque tiver de ser a cidade infernal, e é lá no fundo que, numa espiral cada vez mais apertada, nos chupar a corrente.
Marco Polo acrescenta: o inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos.
Há dois modos para não o sofremos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.” As Cidades Invisíveis de Italo Calvino
Retirado de mais uma chegada à Pulga “ A Educação de Adultos & Intervenção” editado pelo Instituto de Educação e Psicologia- Universidade do Minho ( 7,60 euros), via Estratégias Criativas que nos traz mais uma biografia de sua colecção: João de Barros de Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo (8 euros).
E por falar em leituras, Pulga mandou para a Edp a leitura do consumo de electricidade e ela, com aquele sorriso anti-gioconda diz: leitura insuficiente. Quer isto isto dizer que não consumi o suficiente? Entretanto pela urbe a edp estupidamente convida (em outdoors) ao baixo consumo
20 junho, 2005
20.06
E eis-nos na quinta semana. A. Sarmento Manso estará por cá no próximo sábado, 25, pelas 17 h com as suas representações sobre o desejo, o livro que as edições mortas editaram, também poderá dar umas a abater sobre a biografia de Agostinho da Silva, (6 euros) autor recorrente já que sobre ele se debruçou no Agostinho da Silva, aspectos da sua vida, obra e pensamento (18 euros) que “é o resultado da nossa pesquisa para a tese de mestrado em Filosofia da Educação apresentada à Universidade do Minho” Ambos publicados pela Estratégias Criativas que também publicou na s/. colecção biografias, uma sobre Teixeira de Pascoais de José Carlos Casulo (7 euros).
EU, ALICE, de Sofia Saraiva Caldeira, é o livro da semana (5 euros): “Sonhei que cresciam plantas no frasco de compota que se alastravam pelas paredes da cozinha, verdes e pegajosas. E eu, parada como uma estaca, de camisa de noite pelos joelhos, olhava sorridente ... Eu magoo e destruo com a mesma facilidade com que dou vida”
Todos os fazedores de opinião enchem os tabloides e revistas cor de rosa de reflexões fracas, acreditam que a Europa, tem de parar para reflectir. Parar não é morrer? A Europa e a sua ausência de privacidade e tal velha tonta tenta sonhar à força de múltiplas operações plásticas e inúteis idas ao analista e/ou cartomantes. A Europa dói
Cá por dentro:
E se passasse pela cabeça de cada cidadão a lúcida decisão de não pagar impostos, por uma vez?, todos, já?!
EU, ALICE, de Sofia Saraiva Caldeira, é o livro da semana (5 euros): “Sonhei que cresciam plantas no frasco de compota que se alastravam pelas paredes da cozinha, verdes e pegajosas. E eu, parada como uma estaca, de camisa de noite pelos joelhos, olhava sorridente ... Eu magoo e destruo com a mesma facilidade com que dou vida”
Todos os fazedores de opinião enchem os tabloides e revistas cor de rosa de reflexões fracas, acreditam que a Europa, tem de parar para reflectir. Parar não é morrer? A Europa e a sua ausência de privacidade e tal velha tonta tenta sonhar à força de múltiplas operações plásticas e inúteis idas ao analista e/ou cartomantes. A Europa dói
Cá por dentro:
E se passasse pela cabeça de cada cidadão a lúcida decisão de não pagar impostos, por uma vez?, todos, já?!
17 junho, 2005
17.06
Depois das cerimónias fúnebres da Santíssima Trindade, uma ida ao teatro ler o Auto das Barcas de Gil Vicente, já que é impossível vê-lo, dizem que se deslocalizou para leste ou para oriente. Nada mais a propósito nestas auto-estradas onde a censura navega num imenso e patético baile de máscaras, figuras de cera, estátuas de sal e cobras que não mudam de pele. A auto-censura irrita-se, não aceita comentários de escárnio e mal-dizer no seu blog. Tem uma imagem a defender.
Estamos a construir um mundo pior. Ejacula Grafitti num monumento acabadinho de recuperar. É claro com o alto patrocínio de uma instituição bancária, suportado pela imagem de um jogador da selecção nacional de futebol.
Estamos a construir um mundo pior. Ejacula Grafitti num monumento acabadinho de recuperar. É claro com o alto patrocínio de uma instituição bancária, suportado pela imagem de um jogador da selecção nacional de futebol.
13 junho, 2005
13.06
“ Que sofrimento este de estar morto”
Utopia está de luto neste dia de todas as mortes e um nascimento. Pulga deseja à Utopia , à Distopia, ao Sexo e à Morte e a todos os seus familiares e amigos sinceros votos de pesar, neste dia, são 15h e 20 m, em que se comemora mais um ano de nascimento de Fernando Pessoa, esse ilustre desconhecido:
“ Sou um monstro. Marinho. Biblicamente com 153 cabeças” Utopia chora os seus entes queridos, lendo fragmentos dos “Diários Falsos de Fernando Pessoa” de A Dasilva O, livro da semana na Pulga – a 5 euros- “De noite tive pesadelos...acordo sobressaltado. Entre suores olho em volta. O vácuo e os seus sete subplanos. Os meus heterónimos saem, saem à vez de faca em punho. Cada qual dá-me três facadas e saem às gargalhadas entre eles esfaqueando-se mutuamente e desaparecem na minha carta astral. Os meus óculos?”
Utopia está de luto neste dia de todas as mortes e um nascimento. Pulga deseja à Utopia , à Distopia, ao Sexo e à Morte e a todos os seus familiares e amigos sinceros votos de pesar, neste dia, são 15h e 20 m, em que se comemora mais um ano de nascimento de Fernando Pessoa, esse ilustre desconhecido:
“ Sou um monstro. Marinho. Biblicamente com 153 cabeças” Utopia chora os seus entes queridos, lendo fragmentos dos “Diários Falsos de Fernando Pessoa” de A Dasilva O, livro da semana na Pulga – a 5 euros- “De noite tive pesadelos...acordo sobressaltado. Entre suores olho em volta. O vácuo e os seus sete subplanos. Os meus heterónimos saem, saem à vez de faca em punho. Cada qual dá-me três facadas e saem às gargalhadas entre eles esfaqueando-se mutuamente e desaparecem na minha carta astral. Os meus óculos?”
09 junho, 2005
9.06
Pulga está em obras. Melhor em manobras. Está a ganhar forma estética mais uma instalação: Poema Bomba de Nunes Zarelleci. Tudo à base de ferro, ferrugem, letras e acrílico.
“Tempos houve em que a morte foi uma coisa Pop”, escreve-nos Fernando Guerreiro- ler em Art Campbell-, onde “A morte seria esse momento (esse retorno a um contínuo) em que se fundem os sentidos”
“Hoje, contudo, a morte deixou de ser uma coisa-Pop. Nem sequer é popular, humanizou-se: tornou-se humana, demasiado humana...Perdeu o seu fulgor épico.”
Nesse sentido? Poema Bomba tenta a erupção desfazendo-se na reprodução de si mesmo.
Chove cinza. A feira do livro arde? “ A cidade como febre” Postais Rasgados “ Tornar-se-á a cidade diferente, vista de cima? Uptown/downtown- haveria duas realidades, estéticas, princípios? Então, Urbana não se limita a sentir mas é como que tocada, violada, penetrada pelos elementos que agem directamente sobre a pele como estímulos imediatos e repentinos, cegos e mudos. Uma febre ébria que lhe arrepanha a pele, lhe cresce pelos membros e a faz ser um elemento, um instrumento de grande cadeia eléctrica (browniana, encefálica e mecânica) que de dia atravessa as ruas e de noite faz com que se acendam ou apaguem as luzes.”
“Tempos houve em que a morte foi uma coisa Pop”, escreve-nos Fernando Guerreiro- ler em Art Campbell-, onde “A morte seria esse momento (esse retorno a um contínuo) em que se fundem os sentidos”
“Hoje, contudo, a morte deixou de ser uma coisa-Pop. Nem sequer é popular, humanizou-se: tornou-se humana, demasiado humana...Perdeu o seu fulgor épico.”
Nesse sentido? Poema Bomba tenta a erupção desfazendo-se na reprodução de si mesmo.
Chove cinza. A feira do livro arde? “ A cidade como febre” Postais Rasgados “ Tornar-se-á a cidade diferente, vista de cima? Uptown/downtown- haveria duas realidades, estéticas, princípios? Então, Urbana não se limita a sentir mas é como que tocada, violada, penetrada pelos elementos que agem directamente sobre a pele como estímulos imediatos e repentinos, cegos e mudos. Uma febre ébria que lhe arrepanha a pele, lhe cresce pelos membros e a faz ser um elemento, um instrumento de grande cadeia eléctrica (browniana, encefálica e mecânica) que de dia atravessa as ruas e de noite faz com que se acendam ou apaguem as luzes.”
07 junho, 2005
7.06
Mais uma semana. Mais um livro da semana em promoção: 5 euros, ed. Mortas, a 1ª ed. de “O Discurso sobre o filho de Deus, de Alberto Pimenta. Autor chamado e escolhido pelo silêncio do santo sepulcro reinante “ ...mas alberga simultaneamente a crença em que o que provém do pai está em expansão, está a fazer-se continuadamente. Por um lado, há que liquidar as forças que bloqueiam a expansão, por outro é preciso deter a expansão, se ela for a dos outros. Guerra portanto.” Um livro que se lê sem fôlego.
Sábado, muita atenção, pois o lançamento é na Casa da Animação e não na Pulga o livro de Ivar Corceiro “Numa avenida de Merda” dia 11 pelas 16h que será apresentado por Sérgio Almeida e onde o autor dará a ver umas curtas de sua lavra.
Sábado passado Pulga encheu-se de Ambiente: o falso consenso, depois foi cear à montanha, onde esta nos celebrou com um manjar/sacrifício do seu filho. Depois veio a Serralves para a grande rave: 40 horas deep throat; sem tirar fora ... “E por isso o filho-de-deus preocupa-se sobretudo com os que visivelmente não vivem em função da morte, com os que não se seguram a nenhum seguro, nem vivem a formar o tempo de se reformar, nem se filiam em nenhuma central ou filial, nem fazem de partidos, nem são política e polidamente correctos, nem constroem o futuro sobre o que roem ao presente... - Entendido, irmãozinhos?”
Sábado, muita atenção, pois o lançamento é na Casa da Animação e não na Pulga o livro de Ivar Corceiro “Numa avenida de Merda” dia 11 pelas 16h que será apresentado por Sérgio Almeida e onde o autor dará a ver umas curtas de sua lavra.
Sábado passado Pulga encheu-se de Ambiente: o falso consenso, depois foi cear à montanha, onde esta nos celebrou com um manjar/sacrifício do seu filho. Depois veio a Serralves para a grande rave: 40 horas deep throat; sem tirar fora ... “E por isso o filho-de-deus preocupa-se sobretudo com os que visivelmente não vivem em função da morte, com os que não se seguram a nenhum seguro, nem vivem a formar o tempo de se reformar, nem se filiam em nenhuma central ou filial, nem fazem de partidos, nem são política e polidamente correctos, nem constroem o futuro sobre o que roem ao presente... - Entendido, irmãozinhos?”
03 junho, 2005
3.06
Um debate. Aqui no corredor da morte. Algumas ideias móveis umas, imóveis outras. Todas à volta do génio da lâmpada, a natureza. E toda a sua prisão de ventre. Isto das novas tecnologias não lhe entra na cabeça. Quem é que o quer tirar da garrafa? Não há hipótese. Temos que aguentar toda esta libertária claustrofobia de borboletas-caveira à volta do ponto de não retorno esse absoluto nada. Grafitty começa a atirar com os cagalhões às grades. Diz-se possuído pelo Espirito Santo e que o problema reside na falta de oração e na abundância de debates na tentativa de ultrapassar a nossa moral de assassinos. Graffiti vomita bravos e estica a mão ao meu vizinho: tiraste-me as palavras da boca. Todos olhamos para Deus que por sua vez se olha a um espelho. Está na net. Grafitty faz o manguito: faz-me um blog. Cebola não perde a paciência. Cospe nos raciocinios e com papel higiénico limpa-os amorosamente, como quem limpa uma arma: - hoje sonhei com a Europa. Foi um sonho húmido, daqueles sado-masoquistas em que lambia o meu próprio pénis. Graffiti hurra:- conseguiste libertar o génio da lâmpada? Grafitty:- isto não pode continuar assim, temos que fazer um levantamento, temos o direito de saber ao certo o nosso défice simbólico. Este meu intestino! A culpa é tua não tinhas nada que o utilizar com armazém de coca. Faço ponto de ordem.
Não nos podemos deixar enganar. Assim não há debate. O ambiente é de cortar todos os nossos movimentos, para melhor exercermos a nossa cidadania. A cidade é governada por uma geração futura que já em 1888, Domingos Tarrozo, denunciava: “quando as gerações futuras quiserem um dia conhecer a causa suprema da profunda e desoladora doença intelectual que esfacela este povo na época presente, terão de fazer uma coisa muito simples: leiam os actuais programas do ensino oficial”
Empédocles entra na Pulga: “E na medida em que os mais ténues se encontram na queda
...
Nutrido em mares de sangue que contra si se precipita,
E por onde mais se chama pensamento para os homens;
Pois sangue em volta do coração dos homens é
Pensamento”
Enganou-se no dia do lançamento do livro, o segundo, de 5 sábados, 5 livros, Ambiente: o falso consenso de Bernardino Guimarães.
Cebola chora.
Graffity e Grafitti, dizem emocionados: “Ai,ai, mísera raça de mortais, desafortunada,
De tais contendas e de tais gemidos nascestes!”
Não nos podemos deixar enganar. Assim não há debate. O ambiente é de cortar todos os nossos movimentos, para melhor exercermos a nossa cidadania. A cidade é governada por uma geração futura que já em 1888, Domingos Tarrozo, denunciava: “quando as gerações futuras quiserem um dia conhecer a causa suprema da profunda e desoladora doença intelectual que esfacela este povo na época presente, terão de fazer uma coisa muito simples: leiam os actuais programas do ensino oficial”
Empédocles entra na Pulga: “E na medida em que os mais ténues se encontram na queda
...
Nutrido em mares de sangue que contra si se precipita,
E por onde mais se chama pensamento para os homens;
Pois sangue em volta do coração dos homens é
Pensamento”
Enganou-se no dia do lançamento do livro, o segundo, de 5 sábados, 5 livros, Ambiente: o falso consenso de Bernardino Guimarães.
Cebola chora.
Graffity e Grafitti, dizem emocionados: “Ai,ai, mísera raça de mortais, desafortunada,
De tais contendas e de tais gemidos nascestes!”
01 junho, 2005
31.05
31.05 Pulga diverte-se. A Fnac não quer as novidades Mortas nas suas lojas. Muito bem. Ficam a saber caso procurem na Fnac os livros das Edições Mortas a velha desculpa de o editor ainda não os ter lá colocado não pega. Mais ou mais elas estarão no Porto, na Leitura, Lello, Matéria Prima, Latina, Poetria e Unicepe e claro na minha querida livraria, Pulga, entre outras. Lisboa: na Livraria Portugal, Ler Devagar e na Abril em Maio. Viseu: Livraria da Praça, na Polvo. Em Aveiro já lá estão na Navio de Espelhos e na Db, assim como na Ler com Prazer e/ou feira do livro em Évora. Leiria na Arquivo e em Braga na 100ª página. A distribuição vai sendo feita. Agradecemos a vossa compreensão. Sem deixarem de visitar a nossa página, não deixem de visitar as livrarias, claro, sem paternalismos. Apesar de alguns livreiros, editores queixam-se, de quererem os livros e o dinheiro. Pulga, neste pormenor importante, voltará à carga, um dia destes.
Entretanto chegam novidades Estratégias Criativas com a biografia de Domingos Tarrozo, 1860-1933 pela mão de José Couto Viana de Carvalho ( 8 euros). As Estratégias prometem mais Domingos Tarrozo, dirigido pela mesma mão, esse ilustre desconhecido, filosofo, minhoto que com vinte e um anos deu à luz a “ Philosofia de Existência- Esboço Synthético de uma Philosofia Nova (1881). Pode não parecer mas Portugal Pensa, pena é que finjam, argumentando com a cobardia intelectual dominante. Não deixemos pois de Pensar. Desta feita com Fátima Barbosa, doutorada em Filosofia e Ciências da Educação integra o departamento de Pedagogia do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, e no seu mais recente livro “A Educação de Adultos – uma visão crítica” (18 euros) da Estratégias Criativas que produziu o livro de poemas de Soares Monteiro “ A Face Perdida do Rosto” com prefácio de Nasalete Miranda (8euros). E prontos, já mereço um cigarro e apreciar o belo feminino que defronte de Pulga passeia o seu estimado canídeo. Os pequenos prazeres do Pensar: um orgasmo, um cigarro e levar o cão a passear pelo deserto.
Raciocino interrompido pela chegada de Humberto Rocha com uma fotocópia de uma critica feita ao seu livro “Bastardos de Deus” por Ramiro Teixeira no suplemento “das Artes das Letras” de “O Primeiro de Janeiro”, 23 de Maio de 2005, onde se desenrola todo um putativo paternalismo “cativo do sentimento de solidariedade, que sempre me há-de perseguir” e com “a sensação de não merecer tal castigo, folheei o livrinho,...,quedando-me numa ou noutra folha, e para espanto meu achei interessante o que estava a ler de forma avulsa e desmotivada.” E fecha a critica, dita de literária com semelhante pérola: “De forma que é assim: sinto-me feliz como um garimpeiro por descobrir no meio de tanto entulho que por aí e aqui se publica ( está certamente a referir-se ao castrado pasquim onde colabora, digo eu) umas quantas pepitas de oiro!” Fabuloso! Este Ramiro é um caso sério da critica literária.
Entretanto chegam novidades Estratégias Criativas com a biografia de Domingos Tarrozo, 1860-1933 pela mão de José Couto Viana de Carvalho ( 8 euros). As Estratégias prometem mais Domingos Tarrozo, dirigido pela mesma mão, esse ilustre desconhecido, filosofo, minhoto que com vinte e um anos deu à luz a “ Philosofia de Existência- Esboço Synthético de uma Philosofia Nova (1881). Pode não parecer mas Portugal Pensa, pena é que finjam, argumentando com a cobardia intelectual dominante. Não deixemos pois de Pensar. Desta feita com Fátima Barbosa, doutorada em Filosofia e Ciências da Educação integra o departamento de Pedagogia do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, e no seu mais recente livro “A Educação de Adultos – uma visão crítica” (18 euros) da Estratégias Criativas que produziu o livro de poemas de Soares Monteiro “ A Face Perdida do Rosto” com prefácio de Nasalete Miranda (8euros). E prontos, já mereço um cigarro e apreciar o belo feminino que defronte de Pulga passeia o seu estimado canídeo. Os pequenos prazeres do Pensar: um orgasmo, um cigarro e levar o cão a passear pelo deserto.
Raciocino interrompido pela chegada de Humberto Rocha com uma fotocópia de uma critica feita ao seu livro “Bastardos de Deus” por Ramiro Teixeira no suplemento “das Artes das Letras” de “O Primeiro de Janeiro”, 23 de Maio de 2005, onde se desenrola todo um putativo paternalismo “cativo do sentimento de solidariedade, que sempre me há-de perseguir” e com “a sensação de não merecer tal castigo, folheei o livrinho,...,quedando-me numa ou noutra folha, e para espanto meu achei interessante o que estava a ler de forma avulsa e desmotivada.” E fecha a critica, dita de literária com semelhante pérola: “De forma que é assim: sinto-me feliz como um garimpeiro por descobrir no meio de tanto entulho que por aí e aqui se publica ( está certamente a referir-se ao castrado pasquim onde colabora, digo eu) umas quantas pepitas de oiro!” Fabuloso! Este Ramiro é um caso sério da critica literária.
30 maio, 2005
30.05
Pulga pede desculpa por nada ter acrescentado no seu diário apesar de não ter parado, tal barata tonta, neste corredor da morte, e sem retóricas avança para o livro da semana: “ O Caminho da Definição” de José Fernando Guimarães. A chapa é a mesma: 5 euros. É poesia. Isto diz tudo? Numa altura em que nos informam que Eugénio de Andrade continua dolorosamente a caminho do Sol, tal poema a caminho da eternidade. Nesta altura de feiras do livro por todo o país iletrado e beato, três minutos de silêncio e ou outras vigílias poéticas é capaz de ser cinismo a mais, vindo de quem vem. É certo que à noite no prostíbulo tripeiro não se faz outra coisa que ouvir o poema a desfazer-se do humano e, ouvido mais atento senão mesmo absoluto é capaz de sincronizar poetas-epígonos com e sem qualidades a preparar o seu discurso fúnebre e outras póstumas honrarias. Mas ninguém bate em latas. O que é pena. Pulga também passou pela feira do livro e cafés literários e todo o seu vitalício putedo, moderno e pós-moderno e, está bem neobarroco, todos muito sérios a falar no seu incontornável ser e insubstituível escrita.6ª feira o Vitor Vicente trouxe o seu livro “Esses Dias-HenryKiller.blog”, custo de cada exemplar dez euros. Pulga foi ao lançamento, algo literariamente incorrecto, ou nem por isso e voltou para a Pulga para o primeiro lançamento, da dose de 5, das novidades. Nada de comentários que Pulga não gosta de falar de si. Mais? É verdade Pulga vai iniciar o seu livro do mês, em Junho, com “Putas à moda do Porto” de Raul Simões Pinto. A cinco euros, evidentemente.
24 maio, 2005
23.05
“ Bastardos de Deus” de Humberto R. é o livro da semana. 5 euros. Só na Pulga. Fragmentos: “ O livro da minha vida começava a inquietar-me. Comecei por reduzir as páginas que anteriormente tinha imaginado. Por exemplo eliminar os pormenores mais íntimos para não dar alimento à multidão. Depois fui eliminando personagens. Acabei com capítulos inteiros. Quando fiquei com o miolo fui lendo e relendo, rabiscando, rescrevendo parágrafos sobre parágrafos. Regressei à primeira linha. Rasurei e depois de várias tentativas acabei por a eliminar... foi quando desisti de escrever o livro da minha vida”
20.05
Pulga foi a Aveiro ao lançamento, no Clandestino bar, de “ Numa avenida de merda” de Ivar Corceiro. Foi bom ouvir a Carolina a dobrar e a desdobrar algumas das passagens do livro. Não, não estava a contar uma história. Apenas talhava a noite, fazendo do verbo carne.
19 maio, 2005
18.05
Pulga abre com a chegada do eterno feminino e o seu espelho. Isabel Duarte distribui o seu “ Espelho” livro de poemas. Numa edição Amores Perfeitos. Uma editora que explora, segundo testemunhos, a ingenuidade de plantar uma árvore, fazer um filho e publicar um livro como sentido e estado poético. Morte, pois, ao estado poético e a todos os seus negreiros.
Pulga fecha com a Europa, esse imenso Portugal e toda a sua constituição esquizofrénica. Referendo: uma tripla. Nim, propõem Cebola na sua extrema indiferença. A lição de anatomia enche-nos de tédio pós-moderno. Europa o estado impossível? Ou os estados unidos do improvável? Ocidente está com gases e tenta a todo custo escrever direito com linhas tortas. Pergunta-me se lhe publico o livro: Guerra das Estrelas. Paternalista aconselho-o a enviá-lo à Amores Perfeitos. O eterno feminino cora. Europa arrota a sardinhas enlatadas e a farturas. Almoçou com o Sr de Matosinhos.
Pulga fecha com a Europa, esse imenso Portugal e toda a sua constituição esquizofrénica. Referendo: uma tripla. Nim, propõem Cebola na sua extrema indiferença. A lição de anatomia enche-nos de tédio pós-moderno. Europa o estado impossível? Ou os estados unidos do improvável? Ocidente está com gases e tenta a todo custo escrever direito com linhas tortas. Pergunta-me se lhe publico o livro: Guerra das Estrelas. Paternalista aconselho-o a enviá-lo à Amores Perfeitos. O eterno feminino cora. Europa arrota a sardinhas enlatadas e a farturas. Almoçou com o Sr de Matosinhos.
17.05
Pulga está cheia de energia. Positiva. Chegaram mais dois novos títulos das Mortas: “ Malgas de Peçonha” de Virgílio Liquito e “ Ambiente: o falso consenso” de Bernardino Guimarães. Negativa. Figo regressa à selecção em mais um triunfo do carreirismo. A cereja em cima do bolo da paz podre.
17 maio, 2005
14.05
Chove. Encontro uma lágrima. Os corcodilos saem dos stands com os topo de gama, à experiência, e esperam que as suas oxigenadas acabem de fritar a celulite. Depois de mais uma dose de amor fati, fado e muito futebol com very lights emoções. No banco de Portugal o tio patinhas faz contas e mais contas e procura uma saída para o buraco de ozono das contas públicas. Chove. O Estado quanto mais deve mais dorme. Concentro-me na promoção da próxima semana. Hiv Speedball, crónica tóxico-alucinada de um sero positivo: 5 euros. Só na Pulga. Carlos Carrilhas narra à catanada toda uma masturbação literária o vírus que lhe navega no sangue durante 96 págs. Feias, porcas e más. Sem concessões Speedball desenrola o fio, de prata, da navalha desde que Hiv o possuiu: “ Meses mais tarde, tive a minha experiência homossexual, no aeroporto internacional de Lisboa. Sem que disse tivesse consciência, tinha nascido em mim, o Speedball. Tudo indicava que eu ia crescer, uma pessoa encantadora.” Chove. A seca é extrema.
15 maio, 2005
7.05
Tudo não passa de uma questão de audiências, de tiragens. Numa entrevista dada a um semanário, Criativo admite que errou na construção das personagens. É o velho problema das sub-empreitadas e o patético estudo de mercado da indústria. A prostituição literária tem os seus lúcidos caprichos. Um outdor publicita: é bom estar sujo. É um detergente. A lavagem ao cérebro humaniza-se através da multidão solitária das novas tecnologias. Entra Carlos Costa com o seu livro “Beijando a lua/acordo a madrugada” segundo título, em edição de autor. O Gato de José Carlos Martins ronrona, preguiçoso e afasta-se um pouco para dar lugar à novidade. Pulga promete uma leitura atenta. Olho para a pulseira electrónica. Amanhã vou passar o dia com a Liberdade.
9.05
Liberdade está obesa. A culpa é da net e dos dvd. Foi bom passar-lhe o corredor a pano. Mãos que matam. Só as tuas. Disse. Deve ser dos calos. Desde pequeno que adoro fazer a depilação. Ainda tenho as bonecas. As ossadas de um paraíso perdido. Recordo o sorriso de Liberdade: não tens poesia nenhuma, disse, caprichosa.
10.05
Logo vou prestar declarações. Peço desculpa mas não vos posso adiantar nada, dado que estou ao abrigo do segredo de justiça. É bom voltar aos tempos de infância e a todos os seus segredos de amor máximo. E eu acredito na justiça e na sua lentidão. No entanto “O estranho caso da morte de Karl Marx” tem que ter uma explicação e os verdadeiros culpados, castigados. A cadeia foi feita para os cães que dentro de nós ladram.
11.05
Pergunta o culpado:- o estado de coisas literário parece-nos quase tão estranho como a idade da pedra? Responde o inocente:- malditas situações, citações. Porque continua a ser válido a nossa indiferença por um original esvaziado de sentido e esquecido, continua a engendrar um certo sublime. Mesmo sabendo, raciocina culpado, que só nos restam quarenta e cinco anos, segundo vozes científicas e credíveis? O inocente sorri:- mas a humanidade está morta, por assassinada, há sessenta anos! Qual é o pânico? Por estranho que pareça, Deus continua vivo e morde. O culpado irrita-se:- Aqui quem faz perguntas sou eu, certo? Voltando ao seu “relatório sobre a construção de citações” O Inocente pede desculpa por interromper: mas eu ainda não escrevi esse relatório? O culpado:- eu sei, foi Kafka! Vós os falsos amigos do povo, não fazem outra coisa senão cuspir na nossa inteligência. Mas fui treinado para estas situações. Inocente riposta: mas eu não sou Guy Debord. Está morto. Pois, pois, pois estamos todos mortos, soletra culpado com um sorriso amarelo, no entanto procriamos...
12.05
Acordo, aonde é que eu estou? Claro, adormeci no meu posto de trabalho. Passei a noite a ser interrogado pela auto-censura. Logo hoje que tenho que elaborar as datas de lançamento das novidades Mortas. 5 sábados, 5 livros, pelas 17h. O primeiro será no dia 28 de Maio, Rui Lage e o seu livro “ Não há mais que nascer e morrer”. Segue-se o Bernardino Guimarães e o seu “ Ambiente: o falso consenso”, no dia 4 de Junho. Dia 11 de Junho vamos estar todos na Casa da Animação com Ivar Corceiro e o seu “ Numa avenida de merda”. Mais pormenores é visitarem o Bagaço sítio. Virgílio Liquito, é o autor que se segue com o seu “ Malgas de Peçonha” no dia 18. Finalmente a fechar o tsunnamy, marmorto, literário, A. Sarmento Manso e o seu “ Representações sobre o desejo” a 25 de Junho, a abrir o verão. E nesse mar morto Pulga não dormirá. Uf, nem deixará de beber a sua sangria. “Não há tusa / para tanta musa!” Fernando Grade, acaba de chegar a bumerangue 5, revista de poesia, sediada em Guimarães, e digitalmente em bumeranguepoesiaarrobahotmail.com
13.05
Andamos todos a monte, fora da graça de Deus e com o Diabo no corpo. Animal uivou toda a noite. Alcoviteira lavou-o com sal. Cebola leu fragmentos da “Mãe Canibal” de Gilberto de Lascariz. Deus trabalhou na sua voz que deverá estar pronta, o número dois, na Pulga, durante o próximo mês.
12 maio, 2005
Os dias da Pulga, um diário. Corredor da morte. Cela 70
6.05 As “representações sobre o desejo”, “Não há mais nascer que Morrer” e “Numa avenida de merda” – os mais recentes livros que as Edições Mortas estão a lançar – anseiam pela chegada das “Malgas de peçonha” e “Ambiente: O falso consenso” que, asseguram, mais uma semana e estarão entre nós. Entretanto chegam mais dois números da revista Bíblia, assim como “ o pin da Bíblia” uma selecção/antologia de trabalhos escritos e publicados até ao número 17 da Bíblia e o debate surge com a recente Volte Face, primeiro número e depois de uma troca de olhos, em que umas e outras se medem e alguns piropos, o debate começa como sempre pelo tempo e a necessidade de resolver os seus, nossos problemas: Já. Mais uma vez não há tempo a perder. E abre-se todo um leque de opiniões, frases feitas, pequenos delírios e cada página tenta definir o seu voto: ou faz parte do problema ou da solução, quase todas optam teoricamente pelo problema. É mais divertido e muito amigo do seu amigo. Há que saber definir e onde se esconde. O inimigo somos nós. Enfim o debate está interessante mas tenho que satisfazer uma necessidade, quer dizer fazer aquilo que ninguém pode fazer por mim. A revista Nada olha para mim, cínica. Diógenes tem uma necessidade urgente de um café. Fecho-os nesse texto aberto. Cá fora o Real passeia o cão e quando necessário arruma uns carros para mais uma dose. E quando me vê começa a declamar Mário de Sá-Carneiro “ quando eu morrer, batam em latas” e um cigarro pode ser? Sacana! Ainda não fiz um cêntimo. Ele desdenta um sorriso. Dinheiro para quê, se ela não me dá bola! É do vírus. A cidade passa as noites a vomitar poesia por todos os poros e os dias a ingerir anti-psicóticos e depressivos. Volto ao local do crime e as miúdas estavam à beira de um ataque de nervos.
Os dias da Pulga, um diário. Corredor da morte. Cela 70.
5.05 Estou feliz aqui, grita de dez em dez minutos o desconhecido que está na solitária: caixa que mudou o mundo. O meu outro vizinho, o Cebola, que me lembrou Pierre Emmanuel: “ Analisar intelectualmente um símbolo, é descascar uma cebola à procura da cebola.” recebe os fantasmas a quem lê as mãos, os pensamentos e todo um bruto naipe de cartas. Possuído – já consegue meter a mão esquerda pelo anus dentro, devido não a necessidades sexuais segundo as palavras dele, mas para sacar os cagalhões – possuído é o melhor dizeur poético da nossa língua que actualmente é a quarta mais ferrada do mundo. Mais tarde falarei da Alcoviteira, o hermafrodita; do Animal. Todas as outras celas estão ocupadas por Deus.
Intenções
Fazemos, traficamos e desfazemos as técnicas de comunicação de massas e o seu processo revolucionário. Desfazemos, traficamos e fazemos a escrita criativa, automática e sniper; dramas do caixote do lixo e as suas acções e adventos do objecto, profundo por absoluto, subjectivo da dor e do seu manifesto desenvolvimento e modernização. Traficámos e traficamos a nossa época e construímos e destruímos o seu tecido esquizofrénico, os seus conflitos e contradições. Traficamos, dobramos e desfazemos princípios, os meios e fins, todos. Dobramos, traficamos o psíquico, do estético e do subterrâneo desfazer, desfazer e fazer pactos de sangue com os campos da emancipação literária.
Última morada
Pulga é o quarto escuro da edição, publicação e distribuição sediada no Parque Itália, 1º andar, lj. 70 – Rua Júlio Dinis, 752. Boavista. Porto. Aberto de Segunda a Sábado das 15h às 19horas.
conceito
Pulga é uma livraria do tamanho de um livro. E acima de tudo o espaço analógico das Edições Mortas e de outras Editoras de pequeno formato e tiragem: Black Sun Editores, Estratégias Criativas, Farândola, Corpos, Edições do Buraco, Peregrinação, entre outras edições de autor e revistas literárias: Última Geração, Biblia, Nada, Peregrinação, Águas Furtadas, Volte Face, entre outras, e a Voz de Deus.
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