30 março, 2006

- Queria uma Margarida por favor? Pede Cromo
- Desculpe, só vendemos à grosa, impõe o fabricante
- Uma grosa? Repete passando os olhos pelo armazém cheio de monos
- Isto está mal, ninguém lê, estamos a lançar uma nova campanha publicitária... tentar mais uma vez sair da cauda da Europa
- Todo o burro come a palha...
- Então e o livro de reclamações, ou também é à grosa?
- Estamos num país livre, mas não se esqueça, um estado de direito...a liberdade de expressão é um bem essencial, todas as críticas são bem vindas
- Olha que bom
- Mas veja lá o que vai escrever, com uma marca não se brinca, percebe?
- Não?
- Você já teve conhecimento da Providência
- Assim por alto...
- E o Luís Pacheco, deve achar um piadão?
- Esse é dos nossos...sai das marcas, está a perceber?
- E a Providência sabe disso?
- Está no contrato, nem o pode ver

25 março, 2006

Rui Lage, passou por cá com “ a meta física do corpo” sobre a poesia de Valter Hugo Mãe que também por cá passou, seguido de uma antologia, da Cosmorama “ É o retrato de uma humanidade perdida. O próprio acto sexual, reduzido ao seu aspecto puramente animalesco, resolvendo-se num erotismo brutal e visceral...parece configurar uma visão distópica da humanidade”

Nuno Rebocho também por cá passou, pelo corredor da morte, a caminho de S.João da Madeira onde a se vomita ou vomitou poesia durante uma semana.

Nada, nº 7, já cá está na Pulga, 7,60; preço Pulga. A Desestetização do vivo: decepção e improdutividade. Entrevista a Oron Catts; As Linhas entre o corpo e a cabeça, por Jorge Leandro Rosa; A verdade na ficção de efeitos incorporais e a causalidade de acontecimentos desconexos, por João Maria Gusmão e Predo Paiva; Gilberto Simondon na Amazónia de Geraldo Andrello; e Dois falos & dedo grande do pé, por Shanon Bell – eis o filme desta Nada. O João Urbano cá esteve em mais uma volta a este país retorcido.

Quanto aos Anónimos comentários, vocês anónimos já me conhecem: quando a coisa se me erguer a primeiro buraco a tapar será o vosso, sob a banda sonora, à là Boto: apesar disso gosto de anónimos, vou-lhes ao cu, dou-lhes conselhos

20 março, 2006

No jornal de vidro, leia-se na porta da Pulga

“ TRAQUINICES DE UM SERVO DE EL-REI
I
Porquê El-Rei
Me cortais a Pila?
Sabeis, meu senhor que,
Naquele celeiro, mergulhava
Apenas nos
Saiotes de vossa excelsa
Esposa. Por lá procurava o seu
Intocado bichinho, o
Peluche de vossa alteza.

II

Lembrai-vos,
Meu senhor que,
Quando me chamaste às
Vossas lides, eu já era
Eunuco; a vossa esposa,
Excelência, já só me afagava a
Cabecita, sob tais intocáveis
Saiotes, por si, senhor
Meu rei, almejando encontrar,
Tal bichinho.

III

Assim, senhor,
Deixai-me ficar com a
Pilinha, coitada, tão
Pequenina, porque a vós
Meu rei amado, também
Ela poderá venerar-vos
Com serventia”.

2006-03-14
V. de Liquito


21.3.06 Entre minutos de silêncio Pulga comemora a Poesia com o seu monstro. Aqui no corredor da morte reproduzimos com a devida autorização do autor, uma comunicação que o mesmo debitou em Guimarães vai para uns anos.

“Um poeta sem cornos é como um jardim sem flores
A. DASILVA O.


O Poeta é um enterrado vivo, todo o seu interior é, para o homem-comum, uma urna. Ao viver a sua (dele) morte depois da vida o Poeta enfrenta-se como a essência do homem-comum



Sou escravo duma imaginação doentia não faço outra coisa senão satisfazer-lhe todas as suas necessidades, uma a uma, em círculo fechado, a loucura profética (o frenesi), a loucura ritual ou mistérica (a mania), a loucura poética (a melancolia) e a loucura erótica (a imbecibilidade), sempre alegre e feliz. Tento dar o meu melhor. Ser criativo, pois o êxito está na razão directa da criatividade face à crueldade do mundo, onde infringir os limites de outrem, mesmo de matar outrem, pode constituir uma legítima defesa, uma resposta lógica. É que alma-multidão necessita urgentemente de respostas, um maior número de ideias, de pontos de vista, de hipóteses de solução. Não há ponta por onde se lhe pegue. Dê para onde der. É poibido fazer pensar. Não há emoção que suporte este ambiente de cortar à faca. Este livro. Este filme. Esta peça musical. Esta exposição. Neste palco tudo é fácil, tudo é simples, tudo é brilhante. Ninguém deve sair deste espectáculo, ou desta depressão, vivo. Muito emotivas e de fácil entendimento. Claro, a acção é essêncial. Uma acção amorosa com poucas imagens em agonia. Nada de enlatados convencionais de palavras que denunciem toda uma revolta, mas sim toda uma cólera conservadora e reacionária de joguinhos de palavras que se desfaçam em emoção. Mas este esforço. Esta máscara de esforço individual merece ser um reconhecimento público. O cliente tem sempre razão. A sua mente brilhante não deve ser insultada. Os seus gostos não devem ser discutidos. Era só o que faltava. É preciso premiar todos quanto se esforçam para que tudo seja fácil, simples e lucrativo. Aqui. Especialmente aqui, não devemos ser tradicionais. É um direito mais que humano, que nos assiste de premiar todo este esforço, antes que seja tarde demais. E mais uma vez, só depois de mortos é que são devidamente recompensados. Mas isso acabou. Estamos num novo ciclo da arte de viver. É bom viver no útero materno. A minha infância, foi, quer dizer ,é, Um Poema Puro toda ela passada na Idade Média. Existe felicidade maior? Não podia ser outra coisa, senão aquilo que sou. Está escrito. E a minha vida é um livro aberto, onde se desenrola um valor supremo de equilíbrios, de que todo o Poeta é mortal. Daí ser significativo que a imagem do Poeta esteja ausente do conjunto da literatura moderna. O raciocinio é clássico “a sociedade cria os seus próprios criminosos para se libertar, contra eles,das suas tendências agressivas. A sociedade precisa de criminosos para fundar e alimentar a sua cultura “(Karl Bednarik). Escrever é criminoso. O Poeta não participa neste banquete e daí o divórcio, a negação vital, na dupla leitura do mito de Édipo, uma freudiana, a outra heideggeriana ou platónica: o drama do incesto e o drama da verdade onde o poeta e o criminoso se olham nos olhos como dois amantes. Olho-me ao espelho e a minha imagem não se reflecte. Coloco a máscara e agora sim, a imagem da sociedade reflecte-se regularmente no local do crime onde todo um trabalho iconoclasta confirma “A liberdade individual não é um
bem cultural” (Freud). Cultura ou liberdade individual eis a nova barbárie. O duelo do Eros e-
terno quando no seu leito de morte encontra a sua amada (Afrodite) nos braços de Orfeu, o retorno recalcado, e masturba-se na liberdade poética ou filosófica” de Sade a Holderlin e de Nerval a Nietzsche, o mergulho puro numa linguagem que abole a história e faz cintilar, na superfície mais precária do sensível, a iminência de uma verdade imemorial”
(Michel Foucault).”

18 março, 2006

Por cá passaram todos vaidosos, e com razão, João Habitualmente e A.Pedro Ribeiro “ligados” pela mesma Aorta, com os seus objectos cardíacos: o do João “Os Animais Antigos” e o do Pedro “ Declaração de Amor ao Primeiro Ministro” . Aproveitamos para desejar à “Objecto Cardíaco” nova editora dirigida por Valter Hugo Mãe votos de resistência, iluminação e lucidez. Na Pulga ainda já os procuraram mas ainda cá não chegaram e enquanto não chegam o melhor é pedir correio@objectocardiaco.pt

Entretanto o dia 21 aproxima-se e é quem mais, no corredor da morte, frente ao espelho, ensaia inéditos para o dia mundial da poesia. Perante a digital página em branco o Poeta lê a sms que lhe acaba de chegar da Musa: “Porque é que cagar é melhor que dar uma queca? Porque no fim não tens que agarrar o cagalhão e dizer:- Amo-te”.

10 março, 2006

Os estados dentro do estado apresentam o lucro das suas pilhagens do último ano económico. É bom saber que o capitalismo está de boa saúde e recomenda-se. O resto é literatura. Aqui, no corredor da morte é quem mais se desfaz em prosa poética enquanto escutam com atenção os debates, imaginem na Casa da Música, entre o governo e algumas empresários que lideram a economia paralela, politicamente correcta, e a melhor maneira de se autodestrurirem. Perceba-se: há que dividir para reinar. Hoje tomou posse o Idiota de todos os idiotas. E disse: o diagnóstico está feito. Mais parecendo um broche à chuveiro.

As Edições Mortas agradecem todos os elogios fúnebres.

As Edições Mortas informam ainda todos os seus leitores que continuarão a enriquecer o uránio. Não há retorno.

07 março, 2006

E então Satanás, já tomaste banho?, sim, vê lá te lavas bem lavado para a tomada de posse e já que vais viver à custa dos meus impostos não te esqueças das tuas obrigações de político profissional e dedicares toda a tua atenção à solução dos meus mais miseráveis problemas. Já sabes que vou estar de olho em ti, por tudo e por nada entrarei em contacto para te alertar para o mais terrível dos castigos, o poder, como nos alerta Bakunine acerca da reclusão, que aqui cinicamente dobro e desdobro em poder, ele é a morte durante a vida, a destruição lenta, consciente e dia após dia vais sentir-te cada vez mais indiferente, mais decrépito, mais embrutecido e, cem vezes por dia, desejarás a morte como uma libertação.

Mais um trabalho na porta afixado na porta Pulga.

“Declaração pública para que conste

Juro pela minha honra, pelas barbas e “mosca” que uso, além dos pelos do cu, que batem palmas, quando me peido, que não votei no Anibal, mais conhecido por Cavaco, nas eleições de Janeiro p.p.
- Não votei porque:
Não gosto de “cavacos”, nomeadamente este que tem um estilo parecido com o Oliveira, não o desta livraria (pulga), mas o outro, o Oliveira Salazar!
Não gosto daquela semi-estrutura: magra, seca, com queixo à gorila, falando economês e comendo as palavras Democracia, Socialismo e Liberdade! Lembro-me de quando era “Primeiro” entalar as mulheres dos 62 para os 65 anos, no direito às reformas, e nos homens dos 65 para os 69 ... o malandro também gosta do ... 69! Portanto, não gosto deste pau-seco que vai ser Presidente desta República de Bananas, travestida de novo riquismo, mas tesa como o carapau espanhol! Tristonha, Fadista e agarrada à N.Sra. de Fátima, à irmã Lúcia e ao Falecido Papa com a “camisa de vénus” espetada na penca!
Tenho dito: com os meus tomates a baterem no pito (cuidado com a gripe das aves)
Pronto!
Não votei neste Oliveira, nem no outro Anibal Oliveira Salazar, nem nos outros Oliveiras que governam este País, nem nos Sócrates Oliveiras Salazares ...
Viva a Liberdade de expressão!
Tesão pró Povo, já!

Simon, março 06”

01 março, 2006

O Estado Poético está em alerta máxima. HIV, H5N1 e Pandemia estão à beira de um ataque de nervos. É vê-los a sobrevoar a página em branco, tal vala comum de cisnes, corvos, rouxinóis e de todas as aves poéticas que na Palavra procuram refúgio e eternidade. Soneto, o gato preto do corredor da morte, aproxima-se entusiasmado com um melro. Ronrona a gripe das aves e anuncia o pior ao discurso poético da nossa época “ Os versos são maus, mas concentram todas as tradições do ponche e revelam muito bem, na sua pobreza poética, o complexo de Hoffmann, que sobrepõe o pensamento científico às impressões ingénuas. Para o poeta, o enxofre e o fósforo alimentam o prisma das chamas; o Inferno está presente nessa festa impura” Gaston Bachelard

Pulga informa
que alugará o espaço porta – tipo: Jornal de Parede- a um texto, poema, foto, desenho,..., a partir do mês de Março, a 1 euro por semana. Formato A4. Tema Livre. Pulga reserva direito de selecção. Mais condições: Pagamento prévio. O autor escolherá a melhor colocação no espaço disponível. Tempo de duração máximo 2 semanas. Aí estão os dois primeiros trabalhos

INTROSPECTIVA

“ Não tem que se escamotear, o humano,
Por detrás de si mesmo,
Porque aquilo que o esconde
Por forma oposta,
Pode ser ele mesmo.”

Reinaldo Barata de Sôuza
Vale de Cambra, 8h45m
2006-02-22


“Da baba dum camelo inconsolável a um coiote invertebrado”



Quem pensa que já não tenho cabeça,
Que não deixe de pensar
Já não tenho outro pensamento,
Voraz
Que me impeça em tal boca,
Me desobrigue, nela vomitar
Pela pança a dita
Só me resta o vómito que alimentará
Tal intrínseco manjar.



Virgílio Liquito

25 fevereiro, 2006

CarlosCosta_poesia@ clix.pt regressa com um novo livro de poemas e algumas fotos “ O silêncio é a fronteira na procura do pormenor”, uma edição de autor, “A fronteira
do silêncio”, 10euros

João Ulisses chega à Pulga pela mão das Estratégias Criativas com a “História do soldado que deserta por amor”, com prefácio de Maria Teresa de Noronha,10euros

Voltando às Quasi: “Deserto do Mal”, de Robert Baer,22 euros. “Pensar outra vez, Filosofia, Valor e Verdade”, de Desidério Murcho, 15euros. “Gil em Verso”, de Gilberto Gil, 22euros. “A cidade e os livros”, de António Cícero, 11euros. “O fogo e outros utensílios de luz”, de José Rui Teixeira, 11euros. “Os generosos delírios da burguesia”, de Vasco Branco, 13euros. “Por negras veredas, na Luz dos Caminhos”, de António Ferreira, 13euros. “A escrita de Anton”, de Carneiro Gonçalves, 24euros. “Quase e outros poemas De Querença”,-2ª ed., de Jorge Reis-Sá e Luís Noronha da Costa, 19euros. “Que passem sorrindo”- Poesia Reunida (1982-2004), de José Nuno Pereira Pinto, 17euros. “O papel arde as palavras voam”, de Isabel Maria de Carvalho Sampaio e Castro, 13,50. “Volúpia”, de Tiago Miguel Soeiro, 7,50euros. “A metafísica da pesca do anzol”, de Ramalho Paul Leão e a reedição de “Como escavar um abismo”, de Fernando Ribeiro, 12euros.

22 fevereiro, 2006

Pulga informa que alugará o espaço porta/entrada a um texto, poema ou foto a partir do Mês de Março a 1 euro por semana. Formato A4. Tema Livre. Pulga reserva direito de selecção.


L’ Absence, de A. Óscar Morado, instalou-se, hoje na Pulga e cá estará até finais de março. Máscara do que não acontece a nossa vida não passa de um livro branco: “ a ausência filosofia de vida vazia e virtualmente completa?” questiona-se o autor neste primeiro passo de três.

Silva Carvalho chega, via Aquário, com mais um título “ Díptico Musical”, 15 euros, e nesta pauta desenha-se e denúncia-se a caricatura do nosso estado poético.

Lista Negra ed. Mortas, continua em segredo de justiça, a dar até março o benefício da dúvida. Sim alguns pagamentos estão a ser efectuados.

A Pulga continua triste:
Por motivos alheios à nossa vontade, mas também, as edições mortas são obrigadas a adiar o parto de mais quatro cadáveres, pelo facto as nossas desculpas:
- A Inscrição na Lápide, de Fernando Morais
- Manual do Desempregado, de Liberato
- Saloon, de A. Pedro Ribeiro
- Teatro d’Abjecção, de A. Dasilva O.

Deserto do Mal, Pensar outra vez, Gil em Verso, A cidade e os livros, O fogo e outros utensílios de luz, Os generosos delírios da burguesia, Na luz dos caminhos, por negras veredas, A escrita de Anton, Quase e outros poemas De Querença,-2ª ed., Que passem sorrindo- Poesia Reunida (1982-2004), O papel arde as palavras voam, Volúpia e a metafísica da pesca do anzol: títulos Quasi que acabam de chegar, mais pormenores na próxima descarga

07 fevereiro, 2006

Tempos de caricatura e de opa estes. E é neste sentido que chega timidamente à Pulga “ As Profecias sem Mistério” de Paiva Neto, atenção vai na 54ª edição, da Elevação, 22 euros. Esta opa menos que zero do apocalipse e de todas as suas lantejolas. Pulga recebe este livro com um sorriso apócrifo e todos neste corredor da morte nos enchemos de profecias órgicas entre Deus e o Diabo. Códigos e armadilhas do religioso, esse Livro Branco que nos faz morrer a rir

“Rótulos”, de Fernando Morais, uma tentativa de dignificação do ser humano através duma literatura comprometida, 5 euros. Dia de lançamento: dia 18 de Fevereiro, às 17h30, na Poetria.

“ De meia idade lê atentamente, uma sexagenária, o relax do JN, numa esplanada, tomando apontamento aqui e ali num pequeno papel. Um sujeito passa à deriva e observando-a, oferece-se para a levar à lua por trinta dinheiros. Ela sorri-lhe com o exilir da juventude « agradeço a sua atenção mas apenas procuro o número de telemóvel da minha filha»”. Eis uma shot de A Dasilva O

25 janeiro, 2006

As Edições Mortas começaram a recolher, por todo o país, as suas publicações consignadas e prepara a Lista Negra dos caloteiros, logo se quiser aproveitar é dar um salto à livraria mais próxima, se é um dos caloteiros fica avisado.

Pulga em 2006 pensa dar uns saltos, numa de disparar em todos os sentidos, até que a morte nos separe.
Catálogo de algumas iniciativas, está, no segredo dos deuses, a ser ponderado. A ver vamos

Poetria tenta evitar o pior. Passe por lá

Malefícios da Democracia:

Direita: Finalmente! Conseguimos colocar um idiota na presidência
Centro: É verdade, somos uma superpotência! Há que restabelecer o Quinto Império
Esquerda: Só se for o dos Sentidos (gargalha) A Democracia pariu um rato
Direita: Tu e os teus beija tolas, pensas que és dona do Povo...

Povo: Sim, Falaste?
Democracia: Olha-me para aqueles sem abrigo à beira mar plantados, estão a falar de nós
Povo: Humanos, demasiado humanos ( gargalham)

18 janeiro, 2006

É quem mais faz contas à vida no corredor da morte, entre dezasseis mil rolos de papel higiénico vindos a lume em 2005, é obra. Pulga está enojada de tanta diarreia mental entre balanços e livros de reclamações. A luta continua.

Malefícios da Democracia:

Democracia:- Estou indecisa, nem sei se vou votar

Povo:- Tretas, é tudo uma questão de Prosac

Democracia:- E é logo naquele dia do mês...

Povo:- Tu é que estás em jogo, depois não te queixes

Democracia:- Vais votar em quem?

Povo:- No Viagra, estou cansado de tanta masturbação

Democracia: E o vibrador que te ofereci, no teu aniversário?

Povo:- Voltou ao útero para poder votar
A Canto Escuro (www.editoracantoescuro.blogspot.com) chegou com dose dupla de José-Emílio Nelson Festa do Asno: 8 euros e Gad Gad: 8 euros,

27 dezembro, 2005

Estamos todos perto do fim e as Edições Mortas decidiram pegar nos livros com capas mais gastas e colocá-los ao preço da chuva na Zona Reservada da Pulga, até finais de Janeiro 2006 façam o favor de aproveitar. Bom proveito, já que os livros, tal como as pessoas, estão por dentro e não por fora. É só sumo: sangue, suor e esperma.

21 dezembro, 2005

Então, Satanás, está difícil não está? Está tudo pela hora da morte, não está? Mas tu és crente, não és? Tu acreditas no futuro, não acreditas? Deus é grande e tudo não passa duma grande ilusão! Escatológica? Sim, porque a esperança é a última coisa a morrer e a vida não é um romance cor-de-rosa, pois não? No entanto os best-sellers não dormem, vendem-se como pãezinhos quentes, pão que tu amassas como manda a tradição: sangue, suor e lágrimas. Tudo bem misturado com os santos óleos, excrementos e fluidos humanos e, claro, os tradicionais consolos oníricos da poesia criativa. Depois levar ao microondas. Mais uma vez conseguiste, Satanás, com cinco por cento de divina inspiração, e noventa e cinco por cento de estupidez natural. Boas festas, Satanás e um ano novo cheio de almas

13 dezembro, 2005

Fala a Toupeira : ... Olhai para vós mesmos, senhores, e digam-me sinceramente se estais contentes convosco e se vos é possível ser? Não vos pareceis todos, sem excepção, com os tristes e miseráveis fantasmas da nossa triste e miserável época? Não estais cheios de contradições? Sois homens inteiros? Acreditais verdadeiramente em alguma coisa? Sabeis o que quereis e, sobretudo, sois capazes de querer alguma coisa? O pensamento moderno, esta epidemia da nossa época, terá deixado viva uma só parte de vós, não vos penetrou até ao recôndito, paralisados, quebrados? Em verdade, senhores, é necessário que reconheçam que a nossa época é uma época miserável e que nós somos as crianças ainda mais miseráveis!

Democracia :- Bem escavado velha toupeira, como diria Marx “ Logo que a revolução tenha acabado o seu trabalho subterrâneo, a Europa saltará do seu lugar e rejubilará” estou emocionada, minha querida, com a recordação de Bakunine, um dos meus primeiros amores impossíveis, ai querida estou toda húmida, penetra-me filha, isso regressa ao útero e escava, escava e escava.
BLAZT, revista internacional de banda desenhada, 3,50 euros, o seu primeiro número contém colaboração de Ricardo Cabral, João Paulo Batista, João Martins, Hugo Almeida, Ana Sousa, Rui Aires com Tiago Albuquerque, Ricardo Pires Machado, ...,. Pulga deseja que Blazt, mesmo debaixo d’água, consiga manter a cabeça à tona

06 dezembro, 2005

O tédio é o ópio dos intelectuais.

A urbe está cheia de lixo até ao pescoço.

Fernando Pessoa entrou em desassossego

Amanhã estaremos todos na merda. Numa avenida de merda, com Ivar Corceiro, em Braga, na Centésima Página, no seu novo espaço.

Meireles de Pinho volta à montra da Pulga, nesta quadra da negra árvore, parafraseando o poema inédito escrito na porta das cadeiras do Corredor da Morte de A Dasilva O, com Help, uma cruz elevada ao cubo: uma árvore crucificada nesse livro-não e mais 2 anjos e três demónios de pau desenhados. Lá permanecerão até aos Reis.

Malefícios da Democracia:

Os fingidores não têm descanso, preparam a sua máquina retórica para a corrida a Belém. A violência doméstica não pára:- Não me toques, seu bruto, que ainda matas o menino! Roga a Democracia esquivando-se ao Estado.
:- Com a verdade me mentes, como pode o filho ser meu, se sempre utilizei preservativo? Questiona o Estado, como explicas os sucessivos telefonemas anónimos da Fuga ao fisco? Tens que me deixar fazer o teste de Adn, caso contrário, exijo o divórcio.
:- És um tonto, estás é com medo de assumires as tuas responsabilidades perante o Povo
:- Foi esse anti-cristo que te fecundou? Eu já imaginava. Já dei ordens para aumentar os impostos até que a justiça seja feita e tu vais ficar em prisão preventiva até 22 de Janeiro 2006.

28 novembro, 2005

A Pulga está triste:
Por motivos alheios à nossa vontade e devidos a problemas na tipografia, as edições mortas são obrigadas a adiar o parto de mais quatro cadáveres para os inicios de 2006, pelo facto as nossas desculpas:
- A Inscrição na Lápide, de Fernando Morais
- Manual do Desempregado, de Liberato
- Saloon, de A. Pedro Ribeiro
- Teatro d’Abjecção, de A. Dasilva O.

A Pulga está mais rica:
www. Edicoes-Vendaval chegou à Pulga: da Silvina Rodrigues Lopes temos: Sobretudo Vozes, 7 euros, Exercícios de Aproximação, 14 euros, a Inocência do Devir, 9euros, Literatura, defesa do Atrito, 11euros, e a novidade, A Anomalia Poética,15 euros . O Absoluto que Pertence à Terra, de Maria Filomena Molder, 13euros. Duas Paixões, (Artaud,Pasolini), de Philipe Lacoue-Labarthe, 6 euros. A Besta de Lascaux, de Maurice Blanchot, 8 euros . Morada, Maurice Blanchot, de Jacques Derrida, 12 euros. Textos sobre Holderlin, de Philippe Lacoue-Labarthe, 11euros. Pessoa e Borges, quanto a mim, eu, de Sabrina Sedlmayer, 15 euros . Italian Shoes de Fernando Guerreio, 15 euros.

A 100ª Página, inaugurou, um novo espaço em Braga, lá estaremos um dia destes. A Latina reabriu. Sendo uma livraria, entre outras coisas, um espaço dramático, muita merda para ambas.

22 novembro, 2005

Mercado Negro, a Escola Artística e Profissional Árvore e as editoras: Mortas, Black Sun, Corpos, Estratégias Criativas, entre outras promovem a 5ª edição, no lugar do costume. Atenção à zona de roubo onde será possível roubar um livro numa compra superior a 35 euros. De 28 de Novembro a 3 de Dezembro. De 28 de Novembro a 2 de Dezembro das 15h às 20h, e no dia 3 de Dezembro, das 11h às 18h. Se não foi convidado como editor e quiser participar, falar com Raul Simões Pinto, tlm 933259853

Pulga abrirá a sua zona de roubo, lá mais para diante.


Sérgio Polvo aqui, no corredor da morte, ninguém te dá razão e tu sabes disso. Deixa-te da velha canção do coitadinho e faz prova da tua alternativa. E não queiras ficar com os livros e com o dinheiro como muitos, livreiros alternativos ou não, pensam. Nós por cá só temos problemas com a Injustiça, nada temos contra a prostituição, e adoramos foder com a nossa piça. Mais tarde ao mais ou mais cedo o nosso esquadrão, aparece. Aproveita o nosso benefício sem dúvida.

17 novembro, 2005

Pulga deu um salto a Viseu e bateu com o nariz na porta de Livraria Polvo. Faliu? Fechou, dizem que o Sérgio se dedicou aos copos num bar-café junto à Sé. Ó Sérgio tem ao menos a lucidez, alternativa de devolver os livros das ed. Mortas e Black Sun ed.. Ao pessoal de Viseu que o conheça, pois é favor de evitar uma caça ao homem. As editoras independentes agradecem.

Malefícios da Democracia:

Monstro:- Foi bonito,pá, ver Fátima, na capital do nevoeiro abençoar a minha chegada
Fátima:- Estes lenços brancos, confundem-me
Sócrates:- São pra mim, adoro lenços brancos
Monstro-: conhece-te a ti mesmo, Sócrates. Tenta ser um político profissional e não um profissional da politica, porque o Monstro não dorme e a manhã de nevoeiro aproxima-se como um poema medíocre cantado às três pancadas pelo elixir da juventude.
Fátima:- Desconhecia esse amor ao Fado
Monstro:- É uma paixão secreta
Fátima:- E a Democracia, está melhor?
Monstro:- É tudo fingimento
Sócrates:- Eu sinto o que nada sinto
Monstro:- Se o povo quiser quiser não lhe faltará...
Sócrates:- Ela sabe esperar


Pablo Neruda chegou à Pulga pela mão de Rui Lage:
“Em “Crepusculário” cada ser encerra um princípio de vida sagrado e cabe ao poeta ler e descodificar essa linguagem primeva em tudo secretamente inscrita. Há como que uma transfusão entre seres vivos e os esres não vivos, entre o orgánico e o não orgánico.”
Crepusculário, de Pablo Neruda, tradução e prefácio de Rui Lage, é uma publicação Quasi, preço Pulga: 15 euros

11 novembro, 2005

Foi declarado, aqui, no corredor da morte, o recolher obrigatório. Bem estávamos a necessitar de algum desassossego.

Chegadas à Pulga:

Nada, nº 6, 7,20 euros, preço Pulga, onde se dá destaque: Emerson Freire, Um “Brontosaurus” e as suas modelações; as artes tecnológicas I, Jorge Leandro Rosa; uma entrevista a Eduardo Kac, Do poema holográfico à arte transgénica; A Tela e a pele, cinema, video e computador, Stella Senra; o Fato Espacial Klein, arte popular para a era espacial, Bradley M. Pitts e mais Viriato, Elvis, o Realizador, Silva Carvalho, Jaime Freire e o zoo humano.

Inquietudes, poesia, de Alves Bento Belisário, é uma publicação de autor, 7 euros.

06 novembro, 2005

A Pandemia – é assim que se escreve?- chegou ao centro de Paris. A escumalha não gostou de ser insultada na sua inteligência. Aqui, no corredor da morte, é quem mais tira o maio de 68 da gaveta e cospe as opiniões do costume.

As Quasi chegaram em peso e em número – setenta e tal títulos que futuramente iremos falar- à Pulga, ao som do Cântico Negro, de José Régio, Teorema, de Pier Paolo Pasolini e outras bandas sonoras e literárias.

Pulga errou, risos, as nossas desculpas e de novo repomos
Sempre-em-Pé edições - www.sempreempe.pt, :

- Di Versos, revista semestral de Poesia e Tradução, número 8, preço Pulga: 4,50 euros
- Ar Livre, revista, ambiente, cultura e alternativas, nº 16, preço: 2,50 euros
- O Sentimento da Ausência, Jorge Vilhena Mesquita, colecção UniVersos poesia, 2, preço Pulga: 9,50 euros
- O Momento do Amor, Dímitra Mandá, colecção UniVersos, Preço Pulga: 11 euros
- Estrela Voadora, Ursula Wolfel, colecção Fantasia, bolso – uma colecção de literatura para crianças e jovens, dos 6 aos 14 anos-. Preço Pulga: 14 euros
- A menina do alto mar e outros contos, Jules Supervielle. Preço Pulga: 9,50 euros
- Intimidade, Patrick Traube, colecção Pessoal Transmissível, preço Pulga 7,60 esuros
- Construir a Esperança, pessoas e povos desfiam a globalização, coordenado por John Feffer, colecção Vasto Mundo, preço Pulga 9,50 euros
- Ecologia Profunda, dar prioridade à natureza na nossa vida, Bill Devall e George Sessions, colecção Terras e Gente, preço Pulga: 17 euros

01 novembro, 2005

Hoje comemora-se os duzentos e cinquenta anos do primeiro ataque da Al quaeda em Portugal, com o epicentro em Lisboa. Quinze mil mortos, mais cadáver, menos cadáver, reflectem hoje: como foi possível?!


Sempre-em-Pé edições - www.sempreempe.pt, cá aparece com as suas novidades:

- Di Versos, revista semestral de Poesia e Tradução, número 8, preço Pulga: 4,50 euros
- Ar Livre, revista, ambiente, cultura e alternativas, nº 16, preço: 2,50 euros
- O Sentimento da Ausência, Jorge Vilhena Mesquita, colecção UniVersos poesia, 2, preço Pulga: 9,50 euros
- O Momento do Amor, Dímitra Mandá, colecção Galáxia, 2, Preço Pulga: 11 euros
- Estrela Voadora, Ursula Wolfel, colecção Fantasia, bolso – uma colecção de literatura para crianças e jovens, dos 6 aos 14 anos-. Preço Pulga: 11 euros
- A menina do alto mar e outros contos, Jules Supervielle. Preço Pulga: 9,50 euros
- Intimidade, Patrick Traube, colecção Pessoal Transmissível, preço Pulga 7,60 esuros
- Construir a Esperança, pessoas e povos desfiam a globalização, coordenado por John Feffer, colecção Vasto Mundo, preço Pulga 9,50 euros
- Ecologia Profunda, dar prioridade à natureza na nossa vida, Bill Devall e George Sessions, colecção Terras e Gente, preço Pulga: 17 euros

24 outubro, 2005

O Monstro decidiu-se, finalmente. Pulga imagina a dificuldade, nos nossos dias, em declarar-se. O Monstro ama o Povo. Ele e o Povo confundem-se na falta de profissionalismo. A política é para os fracos. O Povo está todo húmido e imagina o sofrimento de tamanha decisão. A responsabilidade é quase desumana, a de estar aí acima de todos os condenados à morte. O quadro está, então definido. A Velha, o Monstro e os seus anões. Deus seja louvado. Assim seja a Pátria e a Autoridade. Democraticamente. A gripe das aves pode esperar. A Democracia também, entre banhos de multidão, lavagens ao cérebro e intoxicação televisiva.

No entanto, em Singapura mais uma execução por enforcamento está garantida. No corredor da morte há um silêncio de cortar à faca. Estamos todos de torcicolo.

18 outubro, 2005

Atenção ao dia 22, pelas 17h, Danyel Guerra estará na Pulga, com o seu Tomás Gonzaga, em busca da musa clio, livro que será apresentado num café do Porto, dias antes, para todos aqueles que por uma razão ou outra queiram com ele reforçar “ este Tomás que não merece continuar um obscuro, poderia reclamar Maurice Blanchot.
... De forma prioritária, este ensaio encara a personagem como um pretexto no contexto de um drama histórico, inscrevendo suas acções pessoais no pano de fundo do cenário setecentista, pichado pelos grafitis da insurgência libertina e libertária ”.

Já está na Pulga o mais recente livro de Silva Carvalho “ Tetralogia Fática” das edições Aquário, 15 euros. Segundo Jorge Leandro Rosa “ Silva Carvalho não escreve, obviamente, em função do dispositivo literário. E não poderia escrever na medida em que pratica algo que está aquém da literatura. Aquém no sentido caracterialmente mais nobre do termo: como em Kafka, a entrada no sistema literário representaria o abandono dessa última vigilância entre si e o outro que a sua escrita exerce.
...
A autores destes não incumbe a sede de novidade, mas o próprio espanto de que ainda haja literatura. Na nossa situação epocal, toda a afirmação de uma condição de autor problemática. Silva Carvalho aponta constantemente essa primeira vertente da aporia da escrita literária.”

12 outubro, 2005

O Povo está sereno. Acabou de despejar os colhões nas urnas, provando uma vez mais que toda a sua disfunção sexual, ao fim de trinta anos de democracia, não passou duma manobra demagógica para o menorizar publicamente. É claro que teve de se socorrer das novas tecnologias, nomeadamente do Viagra, para que, durante os assaltos, pudesse garantir ao Outro todo o principio de prazer necessário para que o acto democrático não tivesse uma ejaculação precoce que obrigasse a Democracia a recorrer a métodos anti-democráticos para alcançar o nirvana. Assim sendo o Local do Crime está em boas mãos.

Entretanto Povo, Democracia e todos os seus caciques preparam-se para mais desafios democráticos que se aproximam e preparam serenamente os banhos de multidão, os sacos azuis e lavam as camisas de vénus; e consultam os melhores analistas, curandeiros e fadistas. A luta continua

Pulga até espera ansiosamente as obras primas que a indústria livreira está a pedir ao pai natal. Junto ao abismo as edições mortas preparam o parto de mais quatro cadáveres:
- A Inscrição na Lápide, de Fernando Morais
- Manual do Desempregado, de Liberato
- Saloon, de A. Pedro Ribeiro
- Teatro d’Abjecção, de A. Dasilva O.
Há que estar atento, o espectáculo vai ser bonito, pá!

04 outubro, 2005

Pulga anuncia que de Outubro a Dezembro não promove, nem livro da semana, nem o do mês; mas os descontos nos títulos das edições mortas mantêm os descontos que tem praticado: até vinte por cento em títulos com mais de dezoito meses.


VOZ DE DEUS 2: utilizou-se na montagem a técnica fanzineira do corte e colagem sobre o primeiro número, despejamos sobre as novas tendências do desespero, o sangue dos jornalistas.

Pulga a minha querida livraria comemora um ano de existência (no próximo dia 8 de Outubro )com a
benção da
VOZdeDEUS ESTE SEGUNDO NÚMERO
Tem como tema o sangue dos jornalistas que será lançado, dia 8 de Outubro às 17h na Pulga

VOZ DE DEUS, uma publicação Edições Mortas e Pulga. Colaboram neste segundo número: Helena Brandão, Mário Galego, Ivar Corceiro, José Manuel Rosendo, Fernando Morais, Nuno Rebocho, Virgilio Liquito, Mário Augusto, Jorge Mantas, Nunes Zarelleci, Óscar, Fernando Guerreiro, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto e Pedro Moura. Arranjo Gráfico: Mão Pesada. Depósito Legal: 212 004 04. Pedidos: 91 422 30 65; Info@edicoes-mortas. com; edicoes-mortas. blogsopt. Com.
PVP: 3 euros

28 setembro, 2005

Aniversário

Pulga avança a passos largos para o primeiro aniversário, assim no próximo dia 8 de Outubro será lançado o número 2 da VOZDEDEUS.


Debate: segundo assalto

Estou feliz aqui

- Não é sério e absolutamente desonesto, diz Ortodoxa, você nada tem feito para que a massa crítica seja fomentada, fugindo, nomeadamente ao propósito elementar, de tornar o Local do Crime mais humanizado

- Estás velha, cansada e pedófila, responde Heterodoxa, é, é, não me interrompa, gosto pouco de coitos interrompidos. Quem anda fugido desde a queda do murro de Berlim tem sido você, nesse paraíso fiscal que é Utopia ( diz a má-língua que não tem feito outra coisa, senão plásticas) e todo o seu distópico, humano, demasiado humano, sistema de se desresponsabilizar de toda a carnificina-ideológica promovida quase provocando o fim da História.

- Se não fosses minha irmã eu dizia-te, mas e como diz o povo, amor de irmão, amor cão, tu não passas duma cadela do capitalismo selvagem, plagiando todo o meu raciocínio e peculatizando em ideias fixas todo um arsenal intelectual, científico e cívico da liberdade individual e enclausurando a democracia nos labirintos da demagogia e da retórica senil do humano como um escravo.

- Quem não te conhecer que te compre, sim somos sangue do mesmo sangue, ambos temos o mesmo tipo, mas não venha você com a vida privada, já que nem a você permito invasão de privacidade

- Tretas, você tem morada aberta e toda ela feita de telhados de vidro, basta ir a um quiosque e qualquer revista de entreternimento, cor-de-rosa ou do coração

- Mas o que a opinião pública, nem o cidadão – contribuinte – eleitor não sabe é que é você a dona de toda esse império de escárnio, mal-dizer e falsidades.

- É falso! Contrapõe Ortodoxa

- Você é que é uma falsa amiga do povo

22 setembro, 2005

O Local do Crime está em pré-campanha eleitoral. É quem mais se desfaz em impossíveis elevando o discurso político ao grau zero da diarreia mental, prometendo menos estado de direito para que a sociedade e todas as suas forças vivas renasçam da imbecilidade. “...e esquecido já, oculto nesta multidão de palavras que escorrem por entre os dedos sem pudor e sem freio...”; “ O tempo é também pastor do negativo e por isso ama todas as suas ovelhas, mesmo as que ainda não existem” in Fala o Demónio, de Anselmo Pereira de Freitas, ed. Mortas, preço na Pulga: 1,50 euros.

Debate: 1 assalto

Colarinho Branco é o rei, democrático, do bem gerir o Local do Crime. Ninguém como ele sabe das necessidades básicas do eleitor. Tudo é simples. Prático e prático. Não quer ser interrompido no seu, dele, raciocínio, sim porque quer que fique tudo esclarecido. Sim, ele tem a verdade nas mãos. Saco Azul está de acordo: quem não deve, não teme, sorri, pois, é claro, não me interrompa que eu não o interrompi. Tudo são ideias. Abre o saco a todos os esquemas para melhor exemplificar todo um trabalho que está à vista: O Local do Crime tem instalada quase toda a rede de saneamento básico que interliga o contribuinte com todo o seu princípio de prazer; assim como a habitação social e os seus 666 fogos, todos, repito, todos com telhados de vidro. Sem Camisa, eu, quanto mais pago mais devo. Continuo a construir o raciocínio para os outros. Sim, os eleitores não me conhecem. Sabem que não os consigo enganar e, eles adoram ser enganados. São cronicamente alienados e nesse sentido, se ganhar, como espero, prometo não cumprir o meu programa eleitoral, farei como eles, aponta em termos de acusação, para Colarinho branco e Saco Azul que se desfazem em sorrisos retóricos, mas tudo farei, possíveis e impossíveis, para abrir o maior números de lojas de alienação para combater a burocracia intelectual e lavagens ao cérebro clandestinas...

10 setembro, 2005

a velha e a democracia

Você paga mas não paga

9.09

A velha e o monstro 1

A velha senhora da democracia anunciou a sua candidatura à presidência deste galinheiro à beira mar plantado. O monstro mantém o silêncio. Aqui no corredor da morte fazem-se apostas e especula-se com argumentos futebolísticos.

Chegou o número sete do “ Coice de Mula” desindustrialização da arte contemporânea com doses de técnica, política, canibalismo; agricultura biológica em Portugal; contra e megamáquina; anarquismo naturianista; Zeca Afonso, conjugar o verbo ser; neo-aves & frangossauros; Banda desenhada: aroma de síntese; Universidade & aborto. Pulga vende a 2 euros.

05 setembro, 2005

5.09

Não, não estivemos de férias, apenas presos no transito dum grande incêndio. Pelo
facto pedimos desculpa

Mão assassina 1

Já foram alvo duma tentativa de homicídio? Eu fui ontem e digo-vos é uma experiência acima de qualquer adjectivo. Logo pela manhã - o verão é assim: nada faz sentido- entre desvios em terra de ninguém encontro-me com o 1200 num caminho de terra batida inundado de covas e lixo urbano de toda a espécie e feitio, difícil até para o mais preparado dos todo terreno. Não foi a primeira vez. Mas esta experiência forçada por obras foi mais absoluta por inesperada. Ninguém se feriu e o velho 1200 lá se aguentou.

De volta ao final da tarde as cinturas do grande porto enchem-se de lantejolas, transformando a urbe num poço da morte e nestes pessoanos pensamentos, junto ao norte shopping – à entrada do viaduto, à volta das 19h- faço uma manobra como manda a lei e sou surpreendido por uma viatura, com a marcha assinalada, (alguém em perigo?) coloca-se ilegalmente do meu lado direito, (deve ser grave) mas o que quer é albarroar-me, até que se atravessa na minha frente e sai da viatura um jovem em pânico gritando que o filho e coisas e tal, ao mesmo tempo que a porta traseira, do lado do condutor, se abre com uma jovem ...e bom, julgo, algo aconteceu à criança, quer ajuda, julgo e meto a cabeça fora da janela quando sou surpreendido (Kafka prova-nos o contrário) pelas suas mãos à volta do meu pescoço, não muito convincentes. Reajo tenso em legítima defesa e grito-lhe com voz da consciência: não matarás!

Não me seria difícil recuar e, ou agarrado que lhe tinha o pescoço em lho partir, mas não, o simpático decidiu não reagir (agradeço o meu auto-controlo) até porque parece que o assassino acordou. Volta para a viatura, cabisbaixo, olhando o 1200 com cara de equívoco? (sim é habitual vê-la nos filmes). A jovem mãe, presumo, olha-me com uns gestos de quem estava a controlar as operações, dando-me a ideia de que foi ela que ordenara esta irracional situação (para protejer a sua cria? Ou livrar-se do marido?). Nada fez para o impedir, sequer para o socorrer, apenas contemplou serenamente (sim, a sua cria estava fora de perigo). Tal como o trânsito que se arrasta em fila indiana. Das outras viaturas em presença nem um gesto. Mais pareciam num drive-in.

Só acontece ao Outro

Olho em frente e vejo o frustrado assassino a olhar-me pelo seu retrovisor. Da jovem mãe nenhuma imagem, a existir, imagino que se esteja a desfazer em atenções para com a sua cria. Olho-me no retrovisor:

“ Perfil

Há uma distância
Nas ruas
Pressentida

Espaço
Ocupados
Por movimentos

A parte interior
Do corpo acede
À indiferença

Na ânsia
As mãos pegam-se
Com vício

À parte
Existem os ruídos
Dos espelhos

O rosto da rua
Transmuta-se

O acontecimento
Das horas
Precipitadamente

Um absurdo
Em tudo
Na margem
Bem sinalizada

É o rosto
Dos passeios
E do trânsito”

In “Cinco Luas e Um Navio” de Rui Carlos Souto .

Livro do mês: “ O frio da sombra na parede” de Alberto Pimenta, a 4,50 euros. Não há livro da semana, mas temos doses (4) a preço especial: cinco livros (edições mortas), 24 euros e duas doses de última geração: 4 revistas a 5 euros.

Não se esqueça:

Você paga mas não paga

04 agosto, 2005

4.07

E então, Satanás, as férias, estás a divertir-te? Estás realmente a recuperar energias para mais onze meses de orgasmos, isto é, de trabalho forçado a ver se conseguimos ser competitivos e controlarmos o défice e logo sermos contribuintes, bons contribuintes? Esperemos que sim, bem mereces Satanás, umas boas férias, depois de tantas almas adquiridas a baixo preço. A mamá Europa está bem? tem tomado os comprimidos, os anti-depressivos? Cuidado não facilites, tu sabes que para praticar o incesto tens de usar obrigatoriamente o preservativo, não te esqueças Satanás, mas não dos usados, cuidado podeis dar à luz o Anti-Cristo, o desejado. E tu sabes bem as dificuldades que são estes tempos para criar filhos. Todos sabemos que somos uma família de crianças-velhas e bêbedas de egoismo mas o certo é que o futuro não presta, é mal educado, anoréxico e iletrado, por falar nisso tens lido Satanás? Bom...não te incomodo mais por agora...boas férias...