21 outubro, 2006

No passado dia 8, Pulga, a minha querida livraria, e/ou, a livraria do tamanho de um livro, festejou dois anos de vida. A festa foi de tal maneira que como sabem encharcou o corredor da morte com fragmentos do disco duro

Pulga esteve no Rivoli, às portas. Parabéns ao Plástico, pelo seu espectáculo, pós-teatro. À B. Brecht denominamos O Terror e a Miséria no Segundo Mandato. O Putin também não esteve mal ao mandar congelar os actores e retirar-lhes as águas. Nesse sentido demonstrou ter alguma sensibilidade cultural. Pena foi que o Plástico não tivesse tido a vis de ter pegado fogo ao Rivoli. Mas talvez na próxima. Mal, estiveram alguns cronistas, nomeadamente, P.Pereira, a quem aconselhamos cuidado, pois um pouco mais de esforço e tornar-se-á em mais um Júlio Dantas pós-moderno, medíocre e politicamente correcto. E é pena que o corredor da morte até gosta de lhe dar razão a maior parte das vezes. Já devia saber que o local de representação deve denunciar os males da sua época e ser um lugar de revolta, corrupção e lucidez, transformando o contribuinte num cidadão.

Pulga antes foi ver os Negros, mas pagou, e contavam-se pelos dedos das mãos os espectadores. Por isso vamos com calma. Cá fora os Brancos manifestaram-se. Falta saber se a mando de Putin.

O nº 8 da revista Nada chegou à Pulga pela mão do João e do Granja, e lançado em Gaia onde Pulga falou com um dos teóricos do pós-teatro J.Urbano.

Lá conhecemos a Dafne Editora, livros de Arquitectura, www.dafne.com.pt, o André Tavares já fez o favor de os colocar na Pulga. Nas próximas descargas falaremos deles. Até lá consultem a página, pois “Dafne é uma editora de vão de escada, como alguém dos Arquitectos do Porto. Vai ensaiar a publicação de livros de arquitectura, agora que já são mais de mil os potenciais leitores interessados nesta temática sob a forma de escrita reflexiva” como escrevem no analógico catálogo
enfim! já cá estamos de novo. o corredor da morte queimou o disco duro mas mis uns dias estaremos operacionais. pelo facto pedimos desculpa

26 setembro, 2006

“A Poesia dos Pequenos Insectos”, livro de poemas de Rui Carlos Souto, 7euros, da www.editoracantoescuro.blogspot.com é o sexto título da editora e o terceiro do autor, “Maneiras de Andar”, black sun ed. e “Cinco Luas e um Navio” ed. mortas.

“ A PULGA

Acaricia o corpo
Como se morder pudesse ser
Fazer sexo

Numa espécie de proibição
A pulga faz-se prostituta
Esforçando-se por sentir
Tudo mais fácil

É sobretudo a noção de
Equilíbrio que faz a pulga
Morder

Não há mais espaço para a
Pulga
Que reproduz a sua vida
Na aparência dos outros
Num futuro disforme e pouco
Atractivo

Observa-se a beleza abstracta
Da pulga
No acaso em que se deixa de
Pensar

Quando age repressivamente
Prende os sentidos a qualquer
Coisa, que tem interesse relativo”
“A Poesia dos Pequenos Insectos”, livro de poemas de Rui Carlos Souto, 7euros, da www.editoracantoescuro.blogspot.com é o sexto título da editora e o terceiro do autor, “Maneiras de Andar”, black sun ed. e “Cinco Luas e um Navio” ed. mortas.

“ A PULGA

Acaricia o corpo
Como se morder pudesse ser
Fazer sexo

Numa espécie de proibição
A pulga faz-se prostituta
Esforçando-se por sentir
Tudo mais fácil

É sobretudo a noção de
Equilíbrio que faz a pulga
Morder

Não há mais espaço para a
Pulga
Que reproduz a sua vida
Na aparência dos outros
Num futuro disforme e pouco
Atractivo

Observa-se a beleza abstracta
Da pulga
No acaso em que se deixa de
Pensar

Quando age repressivamente
Prende os sentidos a qualquer
Coisa, que tem interesse relativo”

05 setembro, 2006

O corredor da morte retira a cabeça da areia. Não se passa nada. Mergulha de novo no real e em toda a sua excrescência.

Pulga começa a pensar em deslocalizar-se. O útero materno chama-a.

As edições mortas pensam até ao dia do seu segundo aniversário editar finalmente:

- A Inscrição na Lápide, de Fernando Morais
- Manual do Desempregado, de Liberato
- Saloon, de A. Pedro Ribeiro
- Teatro d’Abjecção, de A. Dasilva O.

A Voz de Deus 3 está em elaboração

Uránio continua a ser enriquecido à base de prozac e viagra

Blog masturba-se até ejacular sangue

O corredor da morte retira uma vez mais a cabeça da areia e olha www.deflagra.blogspot.com, almanaque satírico, poesia crítica e política diletante. 2euros.

17 agosto, 2006

PULGA
A minha querida livraria tem novo horário de funcionamento


de Segunda-feira a Sábado
das 17 às 20h

07 agosto, 2006

E então está a gostar? Está a gostar dos estúpidos livros recomendados para as suas merecidas férias? Uma merda, não são?! É só palha, não é? Mais vale ler a Maria e os seus múltiplos orgasmos, não vale? Aqui no corredor da morte “ As onze mil vergas” de Apollinaire, “ Os paraísos artificiais” de Baudelaire , “do Assassínio como uma das belas artes” de Thomas de Quincey e “ Chocolates choupe la peace, de A Dasilva O são prazeres obrigatórios de quem está sombra.

01 agosto, 2006

Não há direito! Então o meu nome não reza na lista negra?! É uma injustiça!, o corredor da morte lamenta que todo o trabalho de uma vida em prol da fuga ao politicamente correcto não tenha sido levado em conta. No entanto o corredor da morte não desiste da sua missão: corromper


Chegam novidades à Pulga pela mão da www. edicoes- vendaval. pt:

DESCRENÇA E DESCRÉDITO, 1. A decadência das democracias industriais, de Bernard Stiegler, 23euros
VISÕES E DEMONSTRAÇÕES, de Maria Teresa Duarte Martinho, 7eurosE o número 2 da revista, em co-edição Diatribe, 11euros, com colaboração de Fernando Guerreiro, O que é feito da vanguarda?- se já sabe por que é que ainda pergunta?; Maria Filomena Molder, O coração pensante e a faculdade de julgar; entre outras, e a entrevista a Jacques Rancière por Maria-Benedita Basto

22 julho, 2006

O corredor da morte conseguiu este ano a bandeira azul. Após algumas semanas e muitos carros de mão de areia conseguimos o impossível: a evasão. “ a evasão ...põe em questão precisamente esta pretendida paz consigo, pois que ela aspira a romper o encadeamento do eu a si ... ela evade-se do ser mesmo, do «si mesmo», e de forma alguma a sua limitação ... O ser nada tem em vista a não ser a brutalidade da sua existência que não coloca a questão do infinito.” DA EVASÃO, Emmanuel Levinas, estratégias criativas, 10euros.

29 junho, 2006

O nosso Primeiro e Idiotia, a sua dama, cá passaram pelo corredor da morte carregados de choques tecnológicos para que, em rede, o nosso corredor não perca o comboio do futuro, dado que é preciso fazer com a burocracia e todos os seus anões mantenham os direitos adquiridos em bom estado de conservação na vetusta e situada máxima: é preciso mudar as coisas para que tudo continue na mesma.

Nesta estúpida e correcta estação aproximam-se a alta velocidade os devoradores de livros, cuidado pois, com todos esses que durante o resto do ano não têm tempo para ler. Pulga observa-os com o sorriso de Gioconda
A ressonarem sobre o código de Sísifo.

21 junho, 2006

O corredor da morte alegra-se para mais uma noite de s. João, Graffiti e Grafitty cospem as paredes da urbe com quadras:

I
Neste corredor
A morte é musa
Onde s. João dor
Mija toda a tusa

II
Com tal absinto
Poetas embebeda
Não penso, sinto
A urbe fatal feda

III
Mortos e vivos
Humanos dançam
No abismo uivos
Ao fogo se lançam

13 junho, 2006

“ Se o homem, por vezes, não fechasse
soberanamente os olhos, acabaria por deixar
de ver o que vale a pena ser visto.”
René Char

Próximo dia 17, Sábado, Pulga fechará mais cedo, pelas 17h30 para estar presente no Espaço T, sala de convívio – Edifício Escola EB 1 nº 25 da Sé, Rua do Sol, nº 14, 2º, 4000-527 Porto, pelas 18h na Perfomance Literária “ A Poesia ao Palco!” organizado pelo atelier de Escrita criativa: Sílvia de Almeida Silva, Fernando Mendes, Miguel Moura e Participações: A Dasilva O, Virgílio Liquito, entre outros

Convite está feito, entrada livre

09 junho, 2006

Pulga olha em silêncio o movimento das sirenes. O silêncio reflecte-se na urbe cercada pelo tédio e pelo trovão. No corredor da morte boia o cadáver da literatura. O palhaço ausente relê A Morte da Mãe de Charlot, de Federico García Lorca

Aqui penetra a revolta. Qual? Os mortos que a definam!, Virgílio Liquito no dia da morte da sua mãe

29 maio, 2006

Pulga foi à feira do livro espalhar a peste e é quem mais vende a alma por umas frases feitas. Emocionante a nossa miséria literária: é quem mais lê o que não está escrito. A morte está morta e procia nados mortos cheios de amor à vida e a todos os códicos

17 maio, 2006

Pulga observa a guerra de palavras entre o homem multidão, o velho flâneur e o homem ordinário. A Urbe é um cemitério de sonhos. Nesta discussão infinita, desde o surgimento das cidades, o jogo de máscaras não ultrapassa o academismo do código da estrada. O homem ordinário saca da Bíblia para fundamentar o seu raciocínio, o seu horror ao vazio. O velho decadente chama por Lolita, a cadela e o homem multidão atende o telemóvel

No corredor da morte, anónimo, Hugo Chávez aproxima-se sorridente e com Pulga conversam sobre o socialismo da libertação

Pulga regressa à guerra de palavras para observar o homem ordinário a ser ferrado por Lolita, depois deste tentar tirar-lhe uma camisa de vénus da boca, batendo-lhe com a Bíblia. O velho decadente dá-lhe umas bengaladas. O homem multidão atira com o telemóvel ao chão e saca doutro e não pára de berrar

09 maio, 2006

E o corredor da morte encheu-se de baratas carregadas de tecnologia, todas em cortejo fúnebre, por um futuro melhor. Baratas desse cadáver que procria, esse burro carregado de livros que agarrado pelos beiços à cauda da Europa desejava ser sempre estudante. E é vê-las alegres e contentes a vomitarem, iletrados, moral e bons costumes, tédio e paz podre. Apoiados por pais e avós babados. Estes por sucessivas passagens administrativas e aqueles por sucessivas lavagens ao cérebro dum cavaquismo apaixonado por um ensino superior da mediocridade

02 maio, 2006

A Canto Escuro, editoracantoescuro.blogspot.com, deu cá um salto com duas novidades:

“A Fachada da Igreja” de Padre Mário de Oliveira, 9euros, preço Pulga. “Mário de Oliveira. Padre, sim, mas pouco. Ou Não-Padre Mário de Oliveira. Como fiz questão de lhe dedicar o meu livro, no final da sessão sobre blogs em que participámos e nos conhecemos. É igualmente como Não-Padre que o apresento ao leitor, nesta antologia de textos extraídos do « Jornal Fraternizar» que compilei e intitulei « A Fachada da Igreja». Escreve o editor Vitor Vicente que se faz acompanhar do seu “Tríptico do Narciso” numa tiragem numerada e assinada pelo autor, 5euros, preço Pulga. Teixeira de Pascoaes e Nick Cave dão o mote, em dia brado, entre metamorfoses malditas e juízo final.
“ Os ricos vivem do cadáver dos pobres” Mais Fernando Morais desta feita com “ O poema do outro lado”, 8euros, livro de poemas numa edição, associada, de autor.

27 abril, 2006

“Sol de Pedra” magazine, - www.soldepedra.net - nº 2, 4euros, é projecto editado por Ricardo Silva que fez o favor de trocar com a Pulga algumas impressões, nesta leva de novas publicações que invadem o corredor da morte. Neia Canedo, Luiz Soncini, Jorge Silva e José Almeida formam o corpo redactorial deste número, onde Pulga destaca a entrevista dada pelo nosso colaborador e autor permanente Gilberto Lascariz, o luminoso que tenta encontrar no mundo fossilizado do esoterismo aquilo deve acordar a genuína dimensão espiritual.

Como diria Virgilio Liquito: bons coitos
A revolução continua cheia de Precs e o Verão Quente, mal ou bem passado, promete

E eis que chega “Cospe Aqui”, 5euros, cheio de sangue contaminado pela Bd. Marco Mendes que edita com Miguel Carneiro, são reincidentes e também cospem neste número com Didi Vassi, Mário Augusto, Manuel João vieira, o fabuloso Janus, Carlos Pinheiro, André Lemos, João Alves Marrucho, João Marçal, Mike Diana e Arlindo Silva. Na Pulga e nas piores livrarias e/ou: ah.mula@gmail.com

vamos embora a cuspir nesta mal fodida estética de casa pianos e outras sacristias do estado pós-moderno

25 abril, 2006

A Liberdade está a passar por aqui à procura de um livro para oferecer ao seu filho, 25, por mais um aniversário. Foi uma alegria tamanha para todos que, no corredor da morte, festajamos a grande desilusão de não termos alcançado o nirvana. Foi uma noite onde o sangue, o suor e as lágrimas carregadas de esperma que encheram o corredor da morte de tédio.

A Democracia também deu cá um salto europeu, com o seu fio dental e toda cheia de retórica passou a noite no “Arrasta ao Pé”

O resto ... é literatura light
Pois e por falar nisso o livro que a Liberdade levou, foi “O Discurso sobre o filho-de-Deus” esse filho da puta, de Alberto Pimenta, 8euros, preço Pulga.

20 abril, 2006

Pulga tem estado em segredo de estado a preparar a revolução, pedimos desculpa mas Pulga nada mais pode informar. No corredor da morte o ar é de cortar à faca e, já sabe, o povo unido jamais será vencido

10 abril, 2006

Na semana da paixão e morte de Anticristo, Bíblia, nº 24, comemora 10 anos de publicação, 4,50euros na Pulga.

O corredor da morte cheira a sangue
São as oliveiras em flor
Neste jardim onde ninguém acredita em Deus
No entanto Joyce e Beckett voltam de novo e esperam sentados
Por Godot o Judas
Em leituras mentalmente encenadas
Por Max Brod

07 abril, 2006

Subitamente o ar está mais respirável nestes quatro dias, os nossos representantes foram até a um país irmão receber lições de democracia

James Joyce passou por cá acompanhado por Samuel Beckett

Pulga fechou ontem com a chegada de duas novidades:
“REFLECTIR O PORTO e a Região Metropolitana do Porto, presente e futuro de uma cidade com passado e da sua. Análises, pareceres e outros textos sobre o ambiente e urbanismo elaborados pela associação Campo Aberto ou com a sua participação”. Uma edição da Campo Aberto, 11,40 euros, preço Pulga.

“A MALDIÇÃO DAS BRUXAS DE FERREL, de Mariano Calado: neste romance-realidade, tecido entre ficção e história fidedigna, com alusões aos tempos da Inquisição, narra-se a revolta do povo de Ferrel, em 1976, contra a ameaça de instalação de uma central nuclear. Questão de novo actual, no contexto de antigos e novos dilemas energéticos”. Uma publicação Edições Sempre-Em-Pé, colecção Terra e Gente, segundo título, 9,50euros, preço Pulga.

Reabri para receber Daniel Faria que queria Poesia para oferecer à sua viúva, a doce e sufocante Ofélia

Pulga zarpou de seguida para o Instinto e o seu Duplo, o fatal
Instinto de sobrevivência

04 abril, 2006

Aqui, no corredor da morte, ninguém está feliz. No entanto entramos no mês de todas as comemorações com montes de absolutamente.

A Constituição faz trinta anos e já vai com sete operações plásticas. Há quem diga que a culpa é da violência doméstica.

O 24 de Abril parece uma barata tonta quer ser mais sexy e tenta as novas gerações com a sua juventude de espirito, a acção directa de bem investir na bolsa, lavando mais branco por um verdadeiro paraíso fiscal.

O 25 de Abril está na montanha a preparar o seu auto-elogio depois de um intenso curso de escrita criativa e/ou light onde se adivinha páginas e páginas de auto-plágio de sacrifício e dor em nome do seu nome: eu.

Mais próximo ainda Cristo ensaia mais uma via-sacra, dirigido por Anti-Cristo que utiliza o digital para melhor alienar o sofrimento humano, demasiado humano de um défice eterno: quanto mais impostos pagas, mais terás de pagar.

A luta, anónima e interiror, continua.

Por cá passam algumas Ofélias em busca do seu poeta...

A lista negra continua a ser elaborada, prepare-se para o fogo-amigo

30 março, 2006

- Queria uma Margarida por favor? Pede Cromo
- Desculpe, só vendemos à grosa, impõe o fabricante
- Uma grosa? Repete passando os olhos pelo armazém cheio de monos
- Isto está mal, ninguém lê, estamos a lançar uma nova campanha publicitária... tentar mais uma vez sair da cauda da Europa
- Todo o burro come a palha...
- Então e o livro de reclamações, ou também é à grosa?
- Estamos num país livre, mas não se esqueça, um estado de direito...a liberdade de expressão é um bem essencial, todas as críticas são bem vindas
- Olha que bom
- Mas veja lá o que vai escrever, com uma marca não se brinca, percebe?
- Não?
- Você já teve conhecimento da Providência
- Assim por alto...
- E o Luís Pacheco, deve achar um piadão?
- Esse é dos nossos...sai das marcas, está a perceber?
- E a Providência sabe disso?
- Está no contrato, nem o pode ver

25 março, 2006

Rui Lage, passou por cá com “ a meta física do corpo” sobre a poesia de Valter Hugo Mãe que também por cá passou, seguido de uma antologia, da Cosmorama “ É o retrato de uma humanidade perdida. O próprio acto sexual, reduzido ao seu aspecto puramente animalesco, resolvendo-se num erotismo brutal e visceral...parece configurar uma visão distópica da humanidade”

Nuno Rebocho também por cá passou, pelo corredor da morte, a caminho de S.João da Madeira onde a se vomita ou vomitou poesia durante uma semana.

Nada, nº 7, já cá está na Pulga, 7,60; preço Pulga. A Desestetização do vivo: decepção e improdutividade. Entrevista a Oron Catts; As Linhas entre o corpo e a cabeça, por Jorge Leandro Rosa; A verdade na ficção de efeitos incorporais e a causalidade de acontecimentos desconexos, por João Maria Gusmão e Predo Paiva; Gilberto Simondon na Amazónia de Geraldo Andrello; e Dois falos & dedo grande do pé, por Shanon Bell – eis o filme desta Nada. O João Urbano cá esteve em mais uma volta a este país retorcido.

Quanto aos Anónimos comentários, vocês anónimos já me conhecem: quando a coisa se me erguer a primeiro buraco a tapar será o vosso, sob a banda sonora, à là Boto: apesar disso gosto de anónimos, vou-lhes ao cu, dou-lhes conselhos

20 março, 2006

No jornal de vidro, leia-se na porta da Pulga

“ TRAQUINICES DE UM SERVO DE EL-REI
I
Porquê El-Rei
Me cortais a Pila?
Sabeis, meu senhor que,
Naquele celeiro, mergulhava
Apenas nos
Saiotes de vossa excelsa
Esposa. Por lá procurava o seu
Intocado bichinho, o
Peluche de vossa alteza.

II

Lembrai-vos,
Meu senhor que,
Quando me chamaste às
Vossas lides, eu já era
Eunuco; a vossa esposa,
Excelência, já só me afagava a
Cabecita, sob tais intocáveis
Saiotes, por si, senhor
Meu rei, almejando encontrar,
Tal bichinho.

III

Assim, senhor,
Deixai-me ficar com a
Pilinha, coitada, tão
Pequenina, porque a vós
Meu rei amado, também
Ela poderá venerar-vos
Com serventia”.

2006-03-14
V. de Liquito


21.3.06 Entre minutos de silêncio Pulga comemora a Poesia com o seu monstro. Aqui no corredor da morte reproduzimos com a devida autorização do autor, uma comunicação que o mesmo debitou em Guimarães vai para uns anos.

“Um poeta sem cornos é como um jardim sem flores
A. DASILVA O.


O Poeta é um enterrado vivo, todo o seu interior é, para o homem-comum, uma urna. Ao viver a sua (dele) morte depois da vida o Poeta enfrenta-se como a essência do homem-comum



Sou escravo duma imaginação doentia não faço outra coisa senão satisfazer-lhe todas as suas necessidades, uma a uma, em círculo fechado, a loucura profética (o frenesi), a loucura ritual ou mistérica (a mania), a loucura poética (a melancolia) e a loucura erótica (a imbecibilidade), sempre alegre e feliz. Tento dar o meu melhor. Ser criativo, pois o êxito está na razão directa da criatividade face à crueldade do mundo, onde infringir os limites de outrem, mesmo de matar outrem, pode constituir uma legítima defesa, uma resposta lógica. É que alma-multidão necessita urgentemente de respostas, um maior número de ideias, de pontos de vista, de hipóteses de solução. Não há ponta por onde se lhe pegue. Dê para onde der. É poibido fazer pensar. Não há emoção que suporte este ambiente de cortar à faca. Este livro. Este filme. Esta peça musical. Esta exposição. Neste palco tudo é fácil, tudo é simples, tudo é brilhante. Ninguém deve sair deste espectáculo, ou desta depressão, vivo. Muito emotivas e de fácil entendimento. Claro, a acção é essêncial. Uma acção amorosa com poucas imagens em agonia. Nada de enlatados convencionais de palavras que denunciem toda uma revolta, mas sim toda uma cólera conservadora e reacionária de joguinhos de palavras que se desfaçam em emoção. Mas este esforço. Esta máscara de esforço individual merece ser um reconhecimento público. O cliente tem sempre razão. A sua mente brilhante não deve ser insultada. Os seus gostos não devem ser discutidos. Era só o que faltava. É preciso premiar todos quanto se esforçam para que tudo seja fácil, simples e lucrativo. Aqui. Especialmente aqui, não devemos ser tradicionais. É um direito mais que humano, que nos assiste de premiar todo este esforço, antes que seja tarde demais. E mais uma vez, só depois de mortos é que são devidamente recompensados. Mas isso acabou. Estamos num novo ciclo da arte de viver. É bom viver no útero materno. A minha infância, foi, quer dizer ,é, Um Poema Puro toda ela passada na Idade Média. Existe felicidade maior? Não podia ser outra coisa, senão aquilo que sou. Está escrito. E a minha vida é um livro aberto, onde se desenrola um valor supremo de equilíbrios, de que todo o Poeta é mortal. Daí ser significativo que a imagem do Poeta esteja ausente do conjunto da literatura moderna. O raciocinio é clássico “a sociedade cria os seus próprios criminosos para se libertar, contra eles,das suas tendências agressivas. A sociedade precisa de criminosos para fundar e alimentar a sua cultura “(Karl Bednarik). Escrever é criminoso. O Poeta não participa neste banquete e daí o divórcio, a negação vital, na dupla leitura do mito de Édipo, uma freudiana, a outra heideggeriana ou platónica: o drama do incesto e o drama da verdade onde o poeta e o criminoso se olham nos olhos como dois amantes. Olho-me ao espelho e a minha imagem não se reflecte. Coloco a máscara e agora sim, a imagem da sociedade reflecte-se regularmente no local do crime onde todo um trabalho iconoclasta confirma “A liberdade individual não é um
bem cultural” (Freud). Cultura ou liberdade individual eis a nova barbárie. O duelo do Eros e-
terno quando no seu leito de morte encontra a sua amada (Afrodite) nos braços de Orfeu, o retorno recalcado, e masturba-se na liberdade poética ou filosófica” de Sade a Holderlin e de Nerval a Nietzsche, o mergulho puro numa linguagem que abole a história e faz cintilar, na superfície mais precária do sensível, a iminência de uma verdade imemorial”
(Michel Foucault).”

18 março, 2006

Por cá passaram todos vaidosos, e com razão, João Habitualmente e A.Pedro Ribeiro “ligados” pela mesma Aorta, com os seus objectos cardíacos: o do João “Os Animais Antigos” e o do Pedro “ Declaração de Amor ao Primeiro Ministro” . Aproveitamos para desejar à “Objecto Cardíaco” nova editora dirigida por Valter Hugo Mãe votos de resistência, iluminação e lucidez. Na Pulga ainda já os procuraram mas ainda cá não chegaram e enquanto não chegam o melhor é pedir correio@objectocardiaco.pt

Entretanto o dia 21 aproxima-se e é quem mais, no corredor da morte, frente ao espelho, ensaia inéditos para o dia mundial da poesia. Perante a digital página em branco o Poeta lê a sms que lhe acaba de chegar da Musa: “Porque é que cagar é melhor que dar uma queca? Porque no fim não tens que agarrar o cagalhão e dizer:- Amo-te”.

10 março, 2006

Os estados dentro do estado apresentam o lucro das suas pilhagens do último ano económico. É bom saber que o capitalismo está de boa saúde e recomenda-se. O resto é literatura. Aqui, no corredor da morte é quem mais se desfaz em prosa poética enquanto escutam com atenção os debates, imaginem na Casa da Música, entre o governo e algumas empresários que lideram a economia paralela, politicamente correcta, e a melhor maneira de se autodestrurirem. Perceba-se: há que dividir para reinar. Hoje tomou posse o Idiota de todos os idiotas. E disse: o diagnóstico está feito. Mais parecendo um broche à chuveiro.

As Edições Mortas agradecem todos os elogios fúnebres.

As Edições Mortas informam ainda todos os seus leitores que continuarão a enriquecer o uránio. Não há retorno.

07 março, 2006

E então Satanás, já tomaste banho?, sim, vê lá te lavas bem lavado para a tomada de posse e já que vais viver à custa dos meus impostos não te esqueças das tuas obrigações de político profissional e dedicares toda a tua atenção à solução dos meus mais miseráveis problemas. Já sabes que vou estar de olho em ti, por tudo e por nada entrarei em contacto para te alertar para o mais terrível dos castigos, o poder, como nos alerta Bakunine acerca da reclusão, que aqui cinicamente dobro e desdobro em poder, ele é a morte durante a vida, a destruição lenta, consciente e dia após dia vais sentir-te cada vez mais indiferente, mais decrépito, mais embrutecido e, cem vezes por dia, desejarás a morte como uma libertação.

Mais um trabalho na porta afixado na porta Pulga.

“Declaração pública para que conste

Juro pela minha honra, pelas barbas e “mosca” que uso, além dos pelos do cu, que batem palmas, quando me peido, que não votei no Anibal, mais conhecido por Cavaco, nas eleições de Janeiro p.p.
- Não votei porque:
Não gosto de “cavacos”, nomeadamente este que tem um estilo parecido com o Oliveira, não o desta livraria (pulga), mas o outro, o Oliveira Salazar!
Não gosto daquela semi-estrutura: magra, seca, com queixo à gorila, falando economês e comendo as palavras Democracia, Socialismo e Liberdade! Lembro-me de quando era “Primeiro” entalar as mulheres dos 62 para os 65 anos, no direito às reformas, e nos homens dos 65 para os 69 ... o malandro também gosta do ... 69! Portanto, não gosto deste pau-seco que vai ser Presidente desta República de Bananas, travestida de novo riquismo, mas tesa como o carapau espanhol! Tristonha, Fadista e agarrada à N.Sra. de Fátima, à irmã Lúcia e ao Falecido Papa com a “camisa de vénus” espetada na penca!
Tenho dito: com os meus tomates a baterem no pito (cuidado com a gripe das aves)
Pronto!
Não votei neste Oliveira, nem no outro Anibal Oliveira Salazar, nem nos outros Oliveiras que governam este País, nem nos Sócrates Oliveiras Salazares ...
Viva a Liberdade de expressão!
Tesão pró Povo, já!

Simon, março 06”