23 novembro, 2016

O poeta enrola-se na poesia e ninguém sabe o que diz, diz o poema

a folha
cai
sem um
ai
diz o poema

Luar farto, qualquer semelhança com a página em branco é pura coincidência, diz o poema




Hoje não será necessário tomar viagra
Para beijar a lua, diz o poema
e a profundidade do azul marinho que a banha
como um uivo?


Lua super-humana
era ontem hum poema
Hoje não passo dum preservativo  
Usado  e mal fodido, diz o poema




Ide, diz o poema, para a lua que vos pariu:






é quem mais me dá ordens, pecados e me censura, diz o poema 
Não passo desse cadáver que circula poeticamente à volta da vida
como um insecto à volta desse buraco negro que é a lua





Escrevo como um peixe 
fora d'água
Diz o poema
Medito como uma ave abatida a tiro



no melhor poema
cai a gralha
diz o poema


Sou um oceano dentro de um grão de areia, diz o poema




quando um poema te ama 
amarra-te à eterna cama
Diz o poema

Sou de deitar cedo e a piça erguer, diz o poema



trump trump trump, diz o poema
será chuva será vento
trump trump trump
a foder-me o pensamento
trump trump trump

depois de Auschwitz retorna o ímpossível à poesia 
a ser impossível a eterna revolta?, diz o poema


07 novembro, 2016

Tanto poeta vivo e de enorme talento e eu tão morto, diz o poema





Temos de ser práticos, diz o poema
Em poucas palavras
Nada dizer


Eu faço parte do problema, diz o poema


Eu sou as tuas entranhas o teu cérebro vadio, diz o poema, e nas minhas veias sangue circula em contra mão e merda nos meus intestinos de carne e osso



Há quem se enerve com os meus dizeres, diz o poema, papagueando academicamente que o poema não diz nem diz mente que não passo desse pássaro estranho conhecido por gaseificado que se entranha nas entranhas do papel higiénico do discurso da ordem do eixo sintagmático e eixo paradigmático seu querido intestino e zona de conforto e nesse confronto não pararei de dizer o vótimo desse papel editado pelos meus obs-curas-chulos académicos e suas viúvas analogicamente poéticas doenças de musas quando vivo que quando morto se divertem na minha pança-arca vasculhando a peputa que os pariu, digo e repito e tenho dito, diz o poema

 Passei a tarde a comer poemas e a cuspir pássaros de papel, diz o poema

pela boca
me querem
cal
ar
diz o poema


Hidra concorda com o pa 
pa francisco, diz o poema
A pa 
lavra é a única cinza que re 
nasce quando es palha 
da




Não te estiques, diz o poema
que sou curto
e grosso




Se não gostar de nim quem gostará?, diz o poema



O silêncio não dorme nem escreve poesia, diz o poema

a poesia espreita
e peidos meus
a
seita, diz o poema



É quem + acorda com um poema no cu, diz o poema




Estou excitado mas a página em branco está com o período, diz o poema








29 outubro, 2016

Fumai as vossas e fieis cinzas, diz o poema

              Atrás dum grande poema está um cesto de papéis cheio de sangue, suor e lágrimas de Eros, diz o poema




há por aqui alguém a desnudar palavras, diz o poema, deve ser como descascar batatas
cebolas
ali alguém anuncia que só entram de pele despida
e não despidos da pele, diz o poema
a minha pele é um tambor que te irrita a pele
Fumai as vossas e fieis cinzas, diz o poema 


Função do orgasmo



regar o poema
diz o poema










Poeta sério?Só fingindo, diz o poema



A sério? pergunta o Sério
ainda bem que não sou poeta
nem me levo a sério

nó bell ikai, diz o poema



Ser poema é
Eh eh eh
Oyéhehehe y eh
É
Hiéééé

É hiehiehie
Ohhhhhhhhhiiiiiééééhhhhhhhg
Diz o poema



Venho-me, diz o poema, por este meio
Devolver com a mesma moeda o leite derramado
Em meu nome

E não devem esquecer nunca
Os sábios e infantis conselhos
De que não devem falar com ilustres desconhecidos
Diz o poema

Falem de mim em vão
Pois eu sou aquela questão
Em casa onde não existo
Todos me ferram a mão
de xisto, diz o poema



15 outubro, 2016

Eis a Piolho # 20: Paulo Moreira(ilustrações págs 2 e 48), Alexandra Couts, Adília César, Maria da Inquietação Fausto, Nazaré de Sant’Ana, Eduardo Quina, Carlos Ramos, Francisco Cardo, Fernando Esteves Pinto, Jorge Humberto Pereira, Humberto Rocha, João Rasteiro, João Meirinhos, Paulo M. Rema, Pedro Águas, Rui Azevedo Ribeiro, Sérgio Ninguém, Nunes Zarel.leci, José Guardado Moreira, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Blaise Cendrars e Appolinaire fazem mais ou menos por esta desordem este Número PIOLHOs D’ORFEU o vigésimo outubro 2016 Coordenado por Fernando Guerreiro e A. Dasilva O. Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho

Eu ganhei o primeiro nobel da literatura sem saber ler nem escrever, lembram-se? e o prémio foi uma cruz, certo? Onde até hoje sangro, também pelos cotovelos, o Livro dos Livros. Aprendam que eu duro sempre, diz o poema, ditado, entre Deus e Diabo
Je suis Bob Dylan an an an, diz o poema

Je suis Dario Fo ull, diz o poema

Dario Fo e Bob Dylan juntos são dinamite, diz o poema


Um nobel de ressaca, diz o poema, com gelo? Naturalmente com gás?

a Contracultura ao poder e que se foda o nobel com dinamite, diz o Poema

Por quem os arrotos e peidos dobram? Diz o poema

11 outubro, 2016

comigo a realidade vai sempre atrás, diz o poema

Acordei de madrugada
diz o poema
entre febris suores frios
num debate poético-literário
diz o poema com a Maria a mudar-me as fraldas
e a ter um ataque poético do verso dado
diz o poema
enquanto Nuno
me retalha com requintes académicos
de bem pensar e de me partilhar diz o poema
tal mito e o Manuel refractário
a disparar sonoramente para todos os sentidos
contra o fascista do sentido único e o Francisco
diz o poema a apontar-me policialmente o dedo detective
cuidado pois podes ser a próxima vitima
no meu romance e, diz o poema
cagado de medo diz o poema
em diarreia mental me desfiz
em pedidos de socorros
Rui aparece com a sua instalação
diz o poema e no meio desta floresta de enganos

Mudo de estação

06 outubro, 2016

Cem anos depois Orfeu fala à revista Piolho em exclusivo, agora que o seu nº 20, a Piolhos d'Orfeu está na tipografia em trabalhos de parto

Cem anos depois Orfeu volta a falar à Poesia Portuguesa
revista Piolho num rigor (mortis) exclusivo, agora que o seu nº 20, a Piolhos d'Orfeu está na tipografia em trabalhos de parto

04 outubro, 2016

Intervenção Poética de A. Dasilva O. nos Poetas Anónimos


Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema


A chorar pelos cantos andam os lusitanos dentro dos lusíadas em autêntica guerra de surdos, diz o poema


coitado do coração intelectual não pára de abrir a boca para nada, diz o poema, apenas o bolsar bocejos contra esse monstro que corrompe como um boi imanso: - Acorda, acorda e acorda
e olha para o que digo
e não para o nada que faço, diz o poema


Todo o poeta é uma ilha deserta no meio da multidão, diz o poema



Poema que ri


Em cada poema
Um preservativo usado
Dentro dum saco de voo
Enjoado tudo dentro
Dum saco de lixo, 
diz o poema enrolado num toldo
Todo o setembro de Eugénio
Android diz bloqueado





Poema que ri, diz o poema
ou de-fake-fada
por porno
f-b-uck-train


Mente-me que eu gosto, diz o poema, pois sem cornos um poema não passa duma flor de papel

Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema

As minhas mãos são os teus frutos, diz o poema


Só tu morte para me fazeres rir, diz o poema

O morto lamenta não estar vivo, diz o poema
que ri
ouvindo a tv

20 setembro, 2016

PIOLHO #20 EM ESTADO DE PROVAS:eis o ORFEU POSSIVEL “ com efeito, ensina HEGEL, o andar fora de si da ideia

«eis o ORFEU POSSIVEL “ com efeito, ensina HEGEL, o andar fora de si da ideia filosófica no seu desenvolvimento não é uma mudança, nem outro devir, mas é, antes, um entrar em si, um aprofundar-se a si próprio”;     e, parafraseando Robert Musil, DESILUDIDO: “O possível não inclui apenas os desígnios ainda não concretizados de Deus, mas os sonhos neurasténicos de…” Zeus, acrescentamos nós “algo de muito divino, um fogo, um voo, uma vontade de “ desmitificar “ edificar; uma utopia consciente que, longe de reduzir a realidade, trata-a simplesmente como uma tarefa e uma invenção perpétuas».

Paulo Moreira(ilustrações),Alexandra Couts, Adília César, Maria da Inquietação Fausto, Nazaré de Sant’Ana, Carlos Ramos, Eduardo Quina, Francisco Cardo, Fernando Esteves Pinto, Jorge Humberto Pereira, Humberto Rocha, João Rasteiro, Paulo M. Rema, Pedro Águas, Rui Azevedo Ribeiro, Nunes Zarel.leci, José Guardado Moreira, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Blaise Cendrars e Appolinaire


fazem mais ou menos por esta desordem este
Número
PIOLHOs D’ORFEU
o vigésimo outubro  2016
Coordenado por Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.


01 setembro, 2016

a feira do livro abre amanhã no Palácio de Cristall e nós estaremos no pavilhão do ano passado da Matèria Prima, a outra

a caminho de sair
eis o novo logo das N ediçõe Mortas sem diz primor dos anteriores e sem autor pois foi retirado da pública parede e o que dizem as paredes diz o poema

a feira do livro abre amanhã no Palácio de Cristall e nós estaremos no pavilhão do ano passado da Matèria Prima, a outra

29 julho, 2016

A passar férias às portas do cemitério agramomte, diz Piropos, foto tirada pelo mano Humberto Rocha que me fez uma gentil visita. A arte de mendigar

a magazine ESTUPIDA 4 está a chegar, entretanto





No alto do carvalho a Cabala chora por mais, diz o poema

 é tão bom ser a primeira ave da manhã, diz o poema, pegar ao meio-dia e não trabalhar de tarde




Portugal finalmente acordou, diz o poema
Sem se libertar
Do lugar onde melhor dorme

Diverte-se a apregoar o peixe vivo do nosso mar
Durante o dia nas sociais redes da amargura
E a uivar durante a noite
Os vivos hinos do nosso estado poético, diz o poema

12 julho, 2016

Poeta queimado da luz tem medo, diz o poema

Portugal finalmente acordou, diz o poema
Sem se libertar
Do lugar onde melhor dorme
Diverte-se a apregoar o peixe vivo do nosso mar
Durante o dia nas sociais redes da amargura
E a uivar durante a noite
Os vivos hinos do nosso estado poético, diz o poema










Foi um dia bom hoje, diz o poema
Dei banho à poesia
Poemas sequei e dei a ferro
O seu toldo ensanguentado pelas delicadas in
Pressões
Do poeta porvir nele suicidado
Em banhos de terra fria, diz o poema
Poeta morto
Poeta de poste-o
As viúvas choram
Como pedras parideiras rãs
Banhando-se nas àguas do banho
O poeta está feliz com o seu fim, diz o poema


Escreve o que penso e não o que digo, diz o poema


Não peças a deus tudo aquilo que te dá, diz o poema, rouba-lhe tudo o que é teu

21 junho, 2016

Olhem quem vai dizer, diz o poema, a Vila Nova Foz Côa? O ru-pest(r)e A. DASILVA O. no próximo dia 2 de Julho por volta da 21h30, mesmo a fechar o Festival de Poesia.


Encostado ao poeta
escrevo no seu tronco
com a ponta dum cigarro
diz o poema
diz o poema
diz o poema
cantam as cigarras
e os pirilampo
ardem como isqueiros
sem pedra
diz o poema
diz o poema
diz o poema


Tem um poema que possa arranjar? 
Descupe mas estou a fumar o ultimo 
diz o poema

09 junho, 2016

ESTAMOS EM OBRAS


estamos a preparar o nosso pavilhão, o 666, para mais uma pedrada 
no charco. Está preparado?!! NÃO-LEIA, chocante?!!!, deveras.
NÃO-LEIA durante este fim de semana, mesmo na feira, compre, roube ou peça emprestado um livro ou uma saca deles e passe o fim de semana com ele debaixo do braço ...






E cá estamos nós no pa-bilhão 666 a propor-lhe um desafio, se é uma/um devoradora de livros ou se lê dum fôlego passe pelo nosso pavilão e concorra a este maravilhoso concurso: Quem devora mais livros em menos tempo e habilite-se a milhares de prémios em livros ... Inscreva-se ... Concorra...seja a Leitor,a do ano!!!


Não critique um livro que não leu. Que importa se o livro é roubado, oferecido ou pago?, sim, alguns livros deveriam ser pagos para serem lidos, talvez aumentasse o número de leitores. Nomeadamente os que estão em rendimento minimo, os reformados,..... O querido filosofo vai estar metaforicamente na nossa caverna, sim hoje o nosso pavilhão, 666 de seu número, foi transformado em caverna electrónica para que o pensamento mínimo, frágil e sem rumo possa usufruir das melhores condições para melhor o distanciamento critico e transmissão de pensamento do que nos vai colectivamente na cabeça. Haverá uma Cicuta de Honra não perca o nosso pensamento mais recente...e temos orgulho de não pensarmos por si, mas em si pensamos...o livro é gratuito assim como a entrada na caverna ... contamos consigo



O nosso pavilhão na feira do livro está um casulo de efeitos borboleta, onde amanhã será queimado o judas r santos. Um auto de fé no mar de palha. Um acontecimento obrigatório no pavilhão 666




Amanhã o nosso «pavilão» na feira, 666, vai ser um livro aberto com miúdos


Hoje a CRIança é o nosso livro do dia a 75% mas atenção não aceitamos devolução e a venda só será efectuada a quem comprovar cientificamente que não é pedófilo. O futuro da literatura está na criança que não habita dentro de nós. Visite-a no nosso paivilão, 666

02 junho, 2016

quem nos deu sonhos para rastejar, diz o poema

a minha borboleta preferida, diz o poema

É só para diz eur que continuo com dose pontos mas já tirei o gesso e, sim, continuo na lista negra. Agradeço a todos a preocupação, diz Piropos, mas dentro de 24 vinte e quatro horas, ninguém cala o poeta mesmo com uma cueca em forma de borboleta, a, também, preferida por Nabokov, eduquem-se chairmenes(charruas)do fb, censores, diz o poema


Ser infantil dá muito trabalho, diz o poema 
e quem quer um filho fá-lo por agosto
Altura em que as tipografias estão fechadas
e as árvores não se deixam plantar

só não voa quem não põe os seus poemas em prática, diz o poema





A censura como arte, diz poema

a arte da censura, diz o poema