04 outubro, 2016

Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema


A chorar pelos cantos andam os lusitanos dentro dos lusíadas em autêntica guerra de surdos, diz o poema


coitado do coração intelectual não pára de abrir a boca para nada, diz o poema, apenas o bolsar bocejos contra esse monstro que corrompe como um boi imanso: - Acorda, acorda e acorda
e olha para o que digo
e não para o nada que faço, diz o poema


Todo o poeta é uma ilha deserta no meio da multidão, diz o poema



Poema que ri


Em cada poema
Um preservativo usado
Dentro dum saco de voo
Enjoado tudo dentro
Dum saco de lixo, 
diz o poema enrolado num toldo
Todo o setembro de Eugénio
Android diz bloqueado





Poema que ri, diz o poema
ou de-fake-fada
por porno
f-b-uck-train


Mente-me que eu gosto, diz o poema, pois sem cornos um poema não passa duma flor de papel

Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema

As minhas mãos são os teus frutos, diz o poema


Só tu morte para me fazeres rir, diz o poema

O morto lamenta não estar vivo, diz o poema
que ri
ouvindo a tv

20 setembro, 2016

PIOLHO #20 EM ESTADO DE PROVAS:eis o ORFEU POSSIVEL “ com efeito, ensina HEGEL, o andar fora de si da ideia

«eis o ORFEU POSSIVEL “ com efeito, ensina HEGEL, o andar fora de si da ideia filosófica no seu desenvolvimento não é uma mudança, nem outro devir, mas é, antes, um entrar em si, um aprofundar-se a si próprio”;     e, parafraseando Robert Musil, DESILUDIDO: “O possível não inclui apenas os desígnios ainda não concretizados de Deus, mas os sonhos neurasténicos de…” Zeus, acrescentamos nós “algo de muito divino, um fogo, um voo, uma vontade de “ desmitificar “ edificar; uma utopia consciente que, longe de reduzir a realidade, trata-a simplesmente como uma tarefa e uma invenção perpétuas».

Paulo Moreira(ilustrações),Alexandra Couts, Adília César, Maria da Inquietação Fausto, Nazaré de Sant’Ana, Carlos Ramos, Eduardo Quina, Francisco Cardo, Fernando Esteves Pinto, Jorge Humberto Pereira, Humberto Rocha, João Rasteiro, Paulo M. Rema, Pedro Águas, Rui Azevedo Ribeiro, Nunes Zarel.leci, José Guardado Moreira, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Blaise Cendrars e Appolinaire


fazem mais ou menos por esta desordem este
Número
PIOLHOs D’ORFEU
o vigésimo outubro  2016
Coordenado por Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.


01 setembro, 2016

a feira do livro abre amanhã no Palácio de Cristall e nós estaremos no pavilhão do ano passado da Matèria Prima, a outra

a caminho de sair
eis o novo logo das N ediçõe Mortas sem diz primor dos anteriores e sem autor pois foi retirado da pública parede e o que dizem as paredes diz o poema

a feira do livro abre amanhã no Palácio de Cristall e nós estaremos no pavilhão do ano passado da Matèria Prima, a outra

23 agosto, 2016

29 julho, 2016

A passar férias às portas do cemitério agramomte, diz Piropos, foto tirada pelo mano Humberto Rocha que me fez uma gentil visita. A arte de mendigar

a magazine ESTUPIDA 4 está a chegar, entretanto





No alto do carvalho a Cabala chora por mais, diz o poema

 é tão bom ser a primeira ave da manhã, diz o poema, pegar ao meio-dia e não trabalhar de tarde




Portugal finalmente acordou, diz o poema
Sem se libertar
Do lugar onde melhor dorme

Diverte-se a apregoar o peixe vivo do nosso mar
Durante o dia nas sociais redes da amargura
E a uivar durante a noite
Os vivos hinos do nosso estado poético, diz o poema

12 julho, 2016

Poeta queimado da luz tem medo, diz o poema

Portugal finalmente acordou, diz o poema
Sem se libertar
Do lugar onde melhor dorme
Diverte-se a apregoar o peixe vivo do nosso mar
Durante o dia nas sociais redes da amargura
E a uivar durante a noite
Os vivos hinos do nosso estado poético, diz o poema










Foi um dia bom hoje, diz o poema
Dei banho à poesia
Poemas sequei e dei a ferro
O seu toldo ensanguentado pelas delicadas in
Pressões
Do poeta porvir nele suicidado
Em banhos de terra fria, diz o poema
Poeta morto
Poeta de poste-o
As viúvas choram
Como pedras parideiras rãs
Banhando-se nas àguas do banho
O poeta está feliz com o seu fim, diz o poema


Escreve o que penso e não o que digo, diz o poema


Não peças a deus tudo aquilo que te dá, diz o poema, rouba-lhe tudo o que é teu

21 junho, 2016

Olhem quem vai dizer, diz o poema, a Vila Nova Foz Côa? O ru-pest(r)e A. DASILVA O. no próximo dia 2 de Julho por volta da 21h30, mesmo a fechar o Festival de Poesia.


Encostado ao poeta
escrevo no seu tronco
com a ponta dum cigarro
diz o poema
diz o poema
diz o poema
cantam as cigarras
e os pirilampo
ardem como isqueiros
sem pedra
diz o poema
diz o poema
diz o poema


Tem um poema que possa arranjar? 
Descupe mas estou a fumar o ultimo 
diz o poema

09 junho, 2016

ESTAMOS EM OBRAS


estamos a preparar o nosso pavilhão, o 666, para mais uma pedrada 
no charco. Está preparado?!! NÃO-LEIA, chocante?!!!, deveras.
NÃO-LEIA durante este fim de semana, mesmo na feira, compre, roube ou peça emprestado um livro ou uma saca deles e passe o fim de semana com ele debaixo do braço ...






E cá estamos nós no pa-bilhão 666 a propor-lhe um desafio, se é uma/um devoradora de livros ou se lê dum fôlego passe pelo nosso pavilão e concorra a este maravilhoso concurso: Quem devora mais livros em menos tempo e habilite-se a milhares de prémios em livros ... Inscreva-se ... Concorra...seja a Leitor,a do ano!!!


Não critique um livro que não leu. Que importa se o livro é roubado, oferecido ou pago?, sim, alguns livros deveriam ser pagos para serem lidos, talvez aumentasse o número de leitores. Nomeadamente os que estão em rendimento minimo, os reformados,..... O querido filosofo vai estar metaforicamente na nossa caverna, sim hoje o nosso pavilhão, 666 de seu número, foi transformado em caverna electrónica para que o pensamento mínimo, frágil e sem rumo possa usufruir das melhores condições para melhor o distanciamento critico e transmissão de pensamento do que nos vai colectivamente na cabeça. Haverá uma Cicuta de Honra não perca o nosso pensamento mais recente...e temos orgulho de não pensarmos por si, mas em si pensamos...o livro é gratuito assim como a entrada na caverna ... contamos consigo



O nosso pavilhão na feira do livro está um casulo de efeitos borboleta, onde amanhã será queimado o judas r santos. Um auto de fé no mar de palha. Um acontecimento obrigatório no pavilhão 666




Amanhã o nosso «pavilão» na feira, 666, vai ser um livro aberto com miúdos


Hoje a CRIança é o nosso livro do dia a 75% mas atenção não aceitamos devolução e a venda só será efectuada a quem comprovar cientificamente que não é pedófilo. O futuro da literatura está na criança que não habita dentro de nós. Visite-a no nosso paivilão, 666

02 junho, 2016

quem nos deu sonhos para rastejar, diz o poema

a minha borboleta preferida, diz o poema

É só para diz eur que continuo com dose pontos mas já tirei o gesso e, sim, continuo na lista negra. Agradeço a todos a preocupação, diz Piropos, mas dentro de 24 vinte e quatro horas, ninguém cala o poeta mesmo com uma cueca em forma de borboleta, a, também, preferida por Nabokov, eduquem-se chairmenes(charruas)do fb, censores, diz o poema


Ser infantil dá muito trabalho, diz o poema 
e quem quer um filho fá-lo por agosto
Altura em que as tipografias estão fechadas
e as árvores não se deixam plantar

só não voa quem não põe os seus poemas em prática, diz o poema





A censura como arte, diz poema

a arte da censura, diz o poema








17 maio, 2016

Ressaca é fingir de vivo no lugar do morto com a língua a saber a preservativo usado a olhar para a direita para a esquerda a mascar, diz o poema, a mascar poemas



Não tenho certeza
no que vejo
mas dúvida
no que me cega


Pedes para em ti acreditar 
Dou a mesma resposta
que a Deus 
odeio pus 
Diz o poema
Vai pois outro enganar
Dizendo-lhe a verdade
E que Deus te guie
contra um post






Ressaca é fingir de vivo
no lugar do morto
com a língua
a saber a preservativo usado
a olhar para a direita
para a esquerda
a mascar, diz o poema, a mascar





O pénis é a cauda do cérebro, diz o poema
E o cérebro é a cauda do cometa, diz o poema






Leve como uma pen
a, diz o poema, depois
de despejada a algália
Sinto-me leve
como um pássaro sem penas
Diz o poema, deitado à sombra do pecado
Bem ditas as musas que levam dinheiro, diz o poema












Na pista de dança
é quem mais luta
contra os preconceitos
Diz o poema
Abrindo o peito às balas
o Diabo riposta atirando os esqueletos 
do armário
sem abandonar o docente 
corpo diplomático









pensa que eu desisto, diz o poema







Maria a puta
chega a casa sem poesia
e o fisco cai-lhe
em cima, diz o poema,
e na tv a virgem maria
reza pelos mais
desfavorecidos
filhos degradados
de eva












dizem alguns estudos que os escravos vivem mais 25 anos que os poetas, diz o poema, eis a explicação para a nossa existência colectiva de país de poetas e de ingovernável povo



Hoje não há poesia, diz o poema, o poeta está em estado de coma profundo a pão e circo









de volta ao local do crime
e de pena no meu sangue embebido
a revolta rego
como um rega-bombas, diz o poema







Bebo para me manter só
brio, diz o poema 
tentando fazer um quatro
num círculo

09 maio, 2016

PIOLHO # 19 em revisão de provas

PIOLHO Revista de Poesia
 
(), Miguel Manso, João  Meirinhos, Paulo Rema, Francisco Cardo, Zi, Rui Almeida, Jorge Humberto Pereira, m-parissy, Eduardo Quina, José Guardado Moreira, Maria da Inquietação Fausto, Pedro Águas, António S. Oliveira,   A. Dasilva O.,  Alexandra Couts, Rita Grácio e João Almeida


fazem mais ou menos por esta desordem este
número


o décimo nono junho 2016
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira



Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores



03 maio, 2016

Acabo de descer às livrarias, diz o poeta choupe la peace, o devorador de úteros, isto é de poemas

já ando por aí: na Letra Livre, em Lisboa; na Utopia, Gato Vadio, no Porto e na www.edicoes-mortas.com

O cadáver do povo
É delicia de deus
Temos de ser uns para os outros
E os seminários


São hoje fábrica de poetas
 diz o poema

A poesia
 não é
para poetas



26 abril, 2016

O poema é uma arma de puro ar livre, diz o poema

A revolução não é um estado, diz o poema


Hoje até a avestruz se recusa a enfiar a cabeça na areia dada a tempestade perfeita do ar condicionado, diz o poema

podes fazer das tripas coração mas terás de arrancar a tua pele para construíres o Livro, diz o poema

a tesoura não corta o fogo, diz o poema, só censura em nome da phoda

à espera do poema, diz o poema






mais vale ter um rego de couves que uma biblioteca cheias de livros, diz o poema






21 abril, 2016

O POETA CHOUPE LA PEACE, mais uma pedra parideira da Casa Museu A. Dasilva O., ainda a monte

depois de uma limpeza ao útero
FUNDA
e profunda
mente
 foi encontrado este inédito, esta PÉROLA que a Viúva Negra
carinhosamente dá à Luz na CASA-MUSEU A. DASILVA O. breve
mente

18 abril, 2016

A caçadeira acusa-me de violência depois de lhe ter serrado os canos, diz o poema




Eu não tenho papas na língua, diz o poema
Tenho escorbruto dum aborto ortográfico dos degenerados filhos dum Hermes
Que ajuizam como doença a minha liberdade poética



A cultura é construir um poço sem fundo, diz o poema, e atirar para lá os sonhos de carne e osso

quanto maior é o voo maior é a queca, diz o poema

por morrer uma andorinha, diz o poema, não acaba o socialismo

05 abril, 2016

Não te aproximes do fogo que ele pode fugir, diz o poema


Faz-me um filho, diz o poema,
E não metáforas
E sem musas
Que usas e abusas
Em acrílica menstruação




E o filho nasceu
nas pedras da calçada
me prendeu
tal anjo menor
Cabala cabala
diz o poema
fugindo à bala
ao colo da intifada
Com uma faca
entre os dentes




Deus ao espelho
Espelho meu espelho meu
Se eu não acreditar em mim
Quem acreditará?
Diz o poema
Sou Deus e Deus acredita
Em Nim






Tanto medo já enjoa diz o Povo
Quem cu tem meda também
E o medo terá cu
Ou só buraco ocular?
Diz o poema
E com medo de morrer de medo
Corremos o risco
De fonte ser do seu terror