22 novembro, 2019

Jorge de Sena dirige-se aos seus contemporâneos, diz o poema






Jorge de Sena dirige-se aos seus contemporâneos, diz o poema
Parem, por favor, não me confundam com o Luís
Pacheco que também deve estar perto do centenário
do seu nascimento
Parem, por favor, de cuspir as ossadas do meu erudito físico prodigioso,
de menina do mar,
algum espumoso mijo de sacavém
e de me enrolar na mortalha académica
das vossas lágrimas de crocodilo

Parem, por favor, com os festejos hipócritas
e atentem nos meus eus contemporâneos
a serem vitimas, tal com o fui, da vossa ignorância e desprezo.

Hoje chove champanhe em todos centenários lusos, diz o poema com a língua de fora
Poemas? Logo Sofias, diz o poema



 

Foi mais ou menos assim que falei às Musas, diz o poema

Deus é o último a saber, diz o poema
Na hora da minha morte todas as putas são virgens ofendidas, diz o poema

E no Inferno, arde todo o santo dia e ninguém se preocupa, diz o poema
pelo contrário
não falta quem para lá vá
depois de ir desta para melhor
Belos tempos aqueles em que o homem tentava roubar o fogo aos deuses, diz o poema
Poesia,
uma guerra
de palavras, diz o poema
O sangue suga a poesia, diz o poema
Quanto mais chamas, mais combato, diz o poema
Há por aqui uma bala perdida a dizer poemas de Federico Garcia Lorca, diz o poema
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán
Toda a Verdade é absurda
com ouvidos de mercador
o Mistério usa
à experiência
um aparelho mini missão
e não podia acreditar no que os olhos vozes ouvia, diz o poema
O meu coração está sempre a partir
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in
continente em continente
como escravo em sal
dos o negreiro apanha os pedaços do discurso que a cena defeca e com as próprias mãos espalha sobre o leite derramado as cinzas do pródigo aborto, diz o poema



Eterno, eterno, só o eterno retorno, diz o poema
Debaixo duma ramada
A ressaca
Vindima,
diz o poema

Mais poesia
Menos mexericos, diz o poema
mije na mão
direita de deus, diz o poema
Deus é o último a saber, diz o poema
O amor ama e o ódio passa, diz o poema
É urgente a eternidade, diz o poema
Em cada poema
as ossadas da minha infância em amena cavaqueira com o futuro

dilu Ente
O amor não me visita, diz o poema
Espia
Me
Too



A poesia tal como a merda e o azeite vêm sempre à tona e a isso em Portugal chama-se cozido à portuguesa, diz o poema
O que é preciso é morder cada dia que passa, diz o poema
Penso, logo penso, diz o poema
Quem não tem culpa não tem coração, diz o poema

Ai a minha tristeza que é tão linda mas ninguém a quer, diz o poema

Triste, triste é,
não haver no parlamento
nenhum poeta eleito,
diz o poema,
não passa duma caixa de pandora,
cheia de ossadas coloridas, humanas demasiado humanas
deus vo
mitou
as linhas tortas
da ex
trema
direita
dilu Ente
Em cada voto um minuto de silêncio, diz o poema

Por um muro sem muros, diz o poema
A tua vinda a este mundo foi uma autêntica perda de tempo, diz o poema
A tua praia é o submundo do crime
O poeta tem dias
comeforme a mulher a dias, diz o poema
A actualidade está desactualizada, diz o poema
Um facto é um fato
preservativo
a asfixiar a língua
Sou um gato escondido com a alma de fora, diz o poema
Poeta ou poetisa
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema
Poesia não tem problemas
de género
mas poemas do génio


Todos
sois
os meus filhos
da puta
mui amados
saias isaías
e sais de fruto proibido
ente as pernas
ass aias brexit
traduzido à letra
as saias são as primeiras
a ar rumar para o leito
e nove meses depois
isaías nunca sai
como entrou de saias
e não de preservativo
puta que pariu para tanta saia e isaías,
diz o poema

O futuro é um velho que não existe
mas pensa, diz o poema

O meu ofício não é escrever
mas viver sobre
morrer é humano
viver é desumano escrever é
juntar ossadas, diz o poema

Já lá está
Na terra da Verdade
Quem não me deixa
Mentir
Ir
Rir
Nem vir-me
No céu
da boca
Céus
de quem cai
em tentação
Diz o poema


dilu Ente
Pobre
sobre

Pobre
se vai construindo
o Podre reino de Deus
e seus pontos cardeais
anunciam
a morte do meu estado poético
dilu Ente
A mascar uma pensativa máscara, diz o poema
Extrema Unção lê 
uma entrevista 
entre 
um medíocre menos 
e um moribundo mais 
a responder sobre o quer ser depois de morto, diz o poema


Todo aquele que se repete é porque não sabe 
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa

A dar o peido às balas, diz o poema
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
A culatra atrás
da meta
fora que é d'ontem


Só um Poeta
resolve um problema
sem solução
final, diz o poema

foi quando armastrong calcou a lua
que passamos a ter um lado negro, diz o poema

A lamber um pensativo gelado, diz o poema
Bossejo, diz o poema
De lúcido e louco 
fazemos pouco, diz o poema

Não encontro nenhuma musa para partilhar dado, segundo fake news de fonte segura, estarem a banhos no mediumterrânio, diz o poema
Por favor gozem o luar
A lua está cheia

Ao levar uma gaja à lua
engoli uma pedra,
diz o poema
Quando o Poema aparece
finjo que não o conheço, diz o poema

14 novembro, 2019

30 setembro, 2019

Novidades Mortas, «Traços Fugidios» de A. Sarmento Manso de regresso às Edições Mortas


Eterno, eterno, só o eterno retorno, diz o poema



O sangue suga a poesia, diz o poema

FUckTURO, diz o poema

Há por aqui uma bala perdida a dizer poemas de Federico Garcia Lorca, diz o poema 
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán

Poesia,
uma guerra 
de palavras, diz o poema

Não há palavras, diz o poema

O meu coração está sempre a partir
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in 
continente em continente
como escravo em sal
dos o negreiro apanha os pedaços
do discurso que a cena defeca
e com as próprias mãos
espalha sobre o leite derramado
as cinzas do pródigo aborto, diz o poema


O amor ama e o ódio passa, diz o poema


É urgente a eternidade, diz o poema

O problema não está no que comes 
mas no que não cagas, diz o poema

Em cada poema
as ossadas da minha infância em amena cavaqueira com o futuro
dilu Ente

mije na mão
direita de deus, diz o poema

O amor não me visita, diz o poema
Espia
Me
Too

Na hora da minha morte todas as putas são virgens ofendidas, diz o poema


Flores e Corvo
Todo o Homem é uma ilha
no mar da palha, 
diz o poema


Poeta ou poetisa 
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema 
Poesia não tem problemas
de género 
mas poemas
do génio


Debaixo duma ramada 
A ressaca 
Vindima,
diz o poema

Quanto mais chamas, mais combato, diz o poema


E no Inferno, arde todo o santo dia e ninguém se preocupa, diz o poema 
pelo contrário 
não falta quem para lá vá 
depois de ir desta para melhor

Belos tempos aqueles em que o homem tentava roubar o fogo aos deuses, diz o poema

Deus é o último a saber, diz o poema

A tensão a tensão, diz o poema ROMP_13 no Musas, com A. Dasilva O. (2/2)

A Tensão a Tensão, diz o poema ROMP_13 no Musas, com A. Dasilva O. (1/2)

08 agosto, 2019

Desculpem mas este verão não consigo escrever o tradicional poema duma noite de verão só tem saído merda de quem anda a pintar à pistola, mais parecendo chuva de verão tal poesia de facebook, diz o poema Se terá sido alguma musa que comi? Tenho andado de dieta apenas sopa de éclogas, elegías de por de sol e uma lolita acabadinha de entrar na idade adulta e barata e, diz o poema, não guardo tlm nas entranhas como alguns poemas académicos que estão proibidos de ser postados no facebook

Um homem para andar limpo tem de se sujar até aos colarinhos? , diz o poema


foi quando armastrong calcou a lua
que passamos a ter um lado negro, 
diz o poema


Portualgália, um país de poetisas, 
diz o poema



O meu amor não tem limite de velocidade, 
diz o poema


Só um Poeta
resolve um problema
sem solução
final, diz o poema



A dar o peido às balas, diz o poema
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
A culatra atrás
da meta
fora que é d'ontem


Sabe qual as traseiras do poema?
Outrora uma folha do caderninho de apontamentos quando naquela hora de aflição numa retrete pública, diz o poema
Hoje em dia,
o facebook


Não encontro nenhuma musa para partilhar dado, segundo fake news de fonte segura, estarem a banhos no mediumterrânio, diz o poema
Por favor gozem o luar
A lua está cheia


A lamber um pensativo gelado, 
diz o poema


Musas de pau efeito, 
diz o poema


Bossejo, diz o poema


Quando o Poema aparece
finjo que não o conheço, 
diz o poema



De lúcido e louco 
fazemos pouco, diz o poema


Entre dois poemas é quem mais mete a colher, 
diz o poema


Em cada poema um mal me quer adormecido, 
diz o poema


A minha imaginação é lésbica e adora cimbalinos a fazer batidos a grelos, 
diz o poema


Requisição civil
chuva de militar
inquisição
dilu Ente




No turno da noite
entorna o dia
adia
dilu Ente

Ao levar uma gaja à lua
engoli uma pedra,
diz o poema



Apostou tudo na Loucura e saiu-lhe a sorte grande, 
diz o poema


O Sublime está com o cancro da próstata 
O Belo está com o cancro do útero 
E o Eu em adiantado estado de decomposição, diz o poema a fazer quimioterapia


Escolhe outro 
Passar a noite a dar a ferro 
a página em branco a fim de enriquecer o vosso interior 
a troco duma sandes 
uma garrafa de águas e um peça de fruta? 
Lê de os clássicos, diz o poema




Ah se tudo fosse igual ao litro
havia mais transparência
Haja placenta
para o translúcido

dilu Ente

Todo aquele que se repete é porque não sabe 
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa


O poema estrangeiro 
continuam a ser muito bem lambidas as suas botas retóricas 
pelos mui inteligentes 
I recheados de sentido de humor 
I que escrevem muito bem sobre a banha da musa depois de morta 
I diz o poema


Extrema Unção lê 
uma entrevista 
entre 
um medíocre menos 
e um moribundo mais 
a responder sobre o quer ser depois de morto, 

diz o poema

Uma quadra popular 
é uma recta dobrada 
em quatro à moda do Porto 
como um caralho sem dente, diz o poema
dilu Ente



Cuidado com todo aquele que anda com um poema na ponta da língua 
Não passa duma pastilha elástica, diz o poema


Fake Poem
In
Forma, 
Musa deu à luz
Cento e vinte milhões 
de
poemas contrafetos, diz o poema


Enterrar os mortos
Queimar os vivos, diz o poema


Pensar o pior 
Faz-me sentir 
Pior 
Ou melhor pensando 
Nada disto é Pensar
É um facto
É um fardo cheio de fardas
Das vítimas das minhas fantasias
Já sinto a autodestruição a Pensar o pior
Do que me acontece, diz o poema



Há tanto mister 
rio em mim
como em borboletas



a voltearem 
à volta duma lâmpada
fodida, diz o poema




Lamento mas não é de todo possível participar nas vossas cerimónias fúnebres, diz o poema

Só tenho um sobretudo
para ir ao meu enterro, diz o poema

e o poema diz com o dedo de deus,
as tuas fezes estão cheias de pus
esia e sangue, diz o poema


Cookies, diz o poema
utilizamos para melhorar a sua experiência poética e fornecer fundos perdidos no anus das webcam onde se concentram os eixos sintagmáticos e paradigmáticos da politica de privacidade




12 julho, 2019

depois de nove anos de serviço poético eis a última Piolho # 27, diz o poema.






TOME NOTA, lá para finais de agosto, inícios de setembro, serão: Piolho #27 e eSTUPIDa #7 apresentadas numa intervenção de/ na rua,  da maternidade 44 e no Espaço Arte K11 Paiol Azul. Estejam atentos






Rua da Maternidade, 44. Porto









02 julho, 2019

Portualgália, um país de poetisas, diz o poema

Um homem para andar limpo tem de se sujar até aos colarinhos?, diz o poema





Enterrar os mortos
Queimar os vivos, diz o poema




o poema está nos pormenores
a disparar em todos os sentidos
os restos mortais do cadáver esquisito, diz o poema



Uma quadra popular 
é uma recta dobrada 
em quatro à moda do Porto 
como um caralho sem dente, diz o poema
dilu Ente

Cuidado com todo aquele que anda com um poema na ponta da língua 
Não passa duma pastilha elástica, diz o poema

A morte fica-te bem
Obrigado, diz o poema
Ainda bem que gostas
do meu sobretudo


Fake Poem
In
Forma, 
Musa deu à luz
Cento e vinte milhões 
de
poemas contrafetos, diz o poema



Pensar o pior 
Faz-me sentir 
Pior 
Ou melhor pensando 
Nada disto é Pensar
É um facto
É um fardo cheio de fardas
Das vítimas das minhas fantasias
Já sinto a autodestruição a Pensar o pior
Do que me acontece, diz o poema


Lamento mas não é de todo possível participar nas vossas cerimónias fúnebres, diz o poema

Só tenho um sobretudo
para ir ao meu enterro, diz o poema

As fezes são uma merda, diz o poema

e o poema diz com o dedo de deus,
as tuas fezes estão cheias de pus
esia e sangue, diz o poema


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No dia de Portugal é quem mais coça os colhões ao Camões
com viagra e papel de jornal , diz o poema


Extrema Unção lê 
uma entrevista 
entre 
um medíocre menos 
e um moribundo mais 
a responder sobre o quer ser depois de morto, diz o poema


O poema estrangeiro 
continuam a ser muito bem lambidas as suas botas retóricas 
pelos mui inteligentes 
I recheados de sentido de humor 
I que escrevem muito bem sobre a banha da musa depois de morta 
I diz o poema




20 junho, 2019

Olhem quem acaba de chegar à banca estúpida7mente incorrecta?

Fragmentos interiores da eSTUPIDa #7 a corromper a corrupção nas literárias bancas e outras zonas do nosso belo horrível submundo

tábua dos conteúdos e seus autores

Amanhã na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto será lançado o livro «Averno Dei» do Humberto Rocha pelas 18h30m

apresentado por Francisco Mangas, diz o autor, Humberto Rocha: «A presente novela restringe-se a uma narrativa sem manifestações de ordem ideológica ou moralista confinada a uma realidade comprometida com uma história deslocada do real, pretendendo o autor apresentar a condição humana entre a decadência da nobreza nas últimas décadas do século XIX português com as suas tragédias e atribulações duma moralidade corrompida por um poder decrépito e a erupção da Républica de 1910. No teatro humano as personagens humanas por vezes assemelham-se a prodigiosos títeres duma comédia desenhada pelos deuses. E como bem observou Bertold Brecht " o homem tem uma dimensão a menos". É justamente a ausência dessa dimensão a razão principal para confinar as suas personagens a um destino que reside na periferia das suas vidas.»

04 junho, 2019

Com o novo livro de Humberto Rocha, Averno Dei, a sair do forno, a entrada do número 7 da eSTUPIDa Corrupção, como recheio, a nele entrar e o próximo número, o 27, da Piolho em construção, EIS as Edições Mortas em manobras de extinção, diz o poema

A presente novela  restringe-se a uma narrativa sem manifestações de ordem ideológica ou moralista confinada a uma realidade comprometida com uma história deslocada do real, pretendendo o autor apresentar a condição humana entre a decadência da nobreza nas últimas décadas do século XIX português  com as suas tragédias e atribulações duma moralidade corrompida por um poder decrépito e a erupção da Républica de 1910. No teatro humano as personagens humanas por vezes assemelham-se a prodigiosos títeres duma comédia desenhada pelos deuses. E como bem observou Bertold Brecht " o homem tem uma dimensão a menos". É justamente a ausência dessa dimensão  a razão principal para confinar as suas personagens a um destino que reside na periferia das suas vidas.