28 dezembro, 2015

A ralé r, diz o poema

farrapo velho cozido em ferro fodido, diz o poema


no dia de natal 
nunca escrevo um poema
 de natal, diz o poema, passo
 o dia a comer o seu cordão
umbilical e a beber 
placenta




esplendor, diz o vibrador
pedra mexia







21 dezembro, 2015

A poesia é uma doença silenciosa, diz o poema

e viva o ar livre comer, mijar, cagar e foder,
não necessariamente
por esta ordem, e vice-versa,
junto à árvore do pecado original, diz o poema








Eu sou o Atentado e a minha caixa negra é a página em branco, diz o poema

10 dezembro, 2015

Deve ser o terrorismo só literário e as nossas cruzadas um terrorismo de sofá e, ou de bancada, observando de braços cruzados os paineleiros valores das sagradas escrituras e suas raízes d'aço de fazer da carne humana verbo de encher?, diz o poema filho de Deus

O duelo entre António Guerreiro e Joaquim Manuel Magalhães, diz o poema

enquanto

José Tolentino Mendonça lambe a espada que cavaco lhe deu como se lambesse o sexo da Adilia Lopes, diz o poema


Será que tal como no sistema bancário há um Novo Terrorismo Processado e o obsuleto e tóxico Terrorismo Mau?






quem semeia poesia, colhe páginas em branco, diz o poema

eu não 
sou um ser vivo, diz o poema, sou um morto-vivo e a poesia é a minha eterna morada

04 dezembro, 2015

aí está a chegar uma espécie de livro de fotografia, « Sol para presas» | António S. Oliveira | edições mortas 2015| colecção Trabalhos Negros, 2 | tiragem 100 ex. E também cá se encontra o 1º título da segunda fase das memoráveis ed. N, "POEMAS EM SÉRIE" de Rui Carlos Souto

Fausto, meu filho nasceu e nas nossas deambulações entre o real e a ficção, estas fotografias foram-me fotografando essa expe-riência de desconhecido que o acaso me possibilitou, ao longo dos primeiros meses da sua existência neste mundo, montando e desmontando, colagens pelo outro coladas, deslocando fantas-mas, dobrando e desdobrando tremuras, revelando ternuras sem revelar senão caminhos, o polir desse metal precioso que é ser simples, banal, sem profundidade estas digitais
« imago lucis opera expressa»

também já cá se encontra o "POEMAS EM SÉRIE" de Rui Carlos Souto, 1º título da segunda fase das N edições