26 abril, 2016

O poema é uma arma de puro ar livre, diz o poema

A revolução não é um estado, diz o poema


Hoje até a avestruz se recusa a enfiar a cabeça na areia dada a tempestade perfeita do ar condicionado, diz o poema

podes fazer das tripas coração mas terás de arrancar a tua pele para construíres o Livro, diz o poema

a tesoura não corta o fogo, diz o poema, só censura em nome da phoda

à espera do poema, diz o poema






mais vale ter um rego de couves que uma biblioteca cheias de livros, diz o poema






21 abril, 2016

O POETA CHOUPE LA PEACE, mais uma pedra parideira da Casa Museu A. Dasilva O., ainda a monte

depois de uma limpeza ao útero
FUNDA
e profunda
mente
 foi encontrado este inédito, esta PÉROLA que a Viúva Negra
carinhosamente dá à Luz na CASA-MUSEU A. DASILVA O. breve
mente

18 abril, 2016

A caçadeira acusa-me de violência depois de lhe ter serrado os canos, diz o poema




Eu não tenho papas na língua, diz o poema
Tenho escorbruto dum aborto ortográfico dos degenerados filhos dum Hermes
Que ajuizam como doença a minha liberdade poética



A cultura é construir um poço sem fundo, diz o poema, e atirar para lá os sonhos de carne e osso

quanto maior é o voo maior é a queca, diz o poema

por morrer uma andorinha, diz o poema, não acaba o socialismo

05 abril, 2016

Não te aproximes do fogo que ele pode fugir, diz o poema


Faz-me um filho, diz o poema,
E não metáforas
E sem musas
Que usas e abusas
Em acrílica menstruação




E o filho nasceu
nas pedras da calçada
me prendeu
tal anjo menor
Cabala cabala
diz o poema
fugindo à bala
ao colo da intifada
Com uma faca
entre os dentes




Deus ao espelho
Espelho meu espelho meu
Se eu não acreditar em mim
Quem acreditará?
Diz o poema
Sou Deus e Deus acredita
Em Nim






Tanto medo já enjoa diz o Povo
Quem cu tem meda também
E o medo terá cu
Ou só buraco ocular?
Diz o poema
E com medo de morrer de medo
Corremos o risco
De fonte ser do seu terror

01 abril, 2016

A tomar apontamentos para um poema que nunca escreverei, diz o poema


Poeta procura Poesia para fins de consagração, diz o poema







Estou com o cu bordado de merda e a boca a gemer palavras de ordem, diz o poema

Há dias que têm mais trevas que as noites, diz o poema
É só para dizer que estou bem, de pé
Como uma árvore, diz o poema, aqui no coração
Dadá
O dia de poesia foi de arromba
O dia seguinte é que foi a merda duma ressaca



Deus ao espelho

Espelho meu espelho meu
Se eu não acreditar em mim
Quem acreditará?
Diz o poema
Sou Deus e Deus acredita
Em Nim


Os mortos não dormem, diz o poema


Poeta procura Pietá para finais felizes, diz o poema