17 maio, 2016

Ressaca é fingir de vivo no lugar do morto com a língua a saber a preservativo usado a olhar para a direita para a esquerda a mascar, diz o poema, a mascar poemas



Não tenho certeza
no que vejo
mas dúvida
no que me cega


Pedes para em ti acreditar 
Dou a mesma resposta
que a Deus 
odeio pus 
Diz o poema
Vai pois outro enganar
Dizendo-lhe a verdade
E que Deus te guie
contra um post






Ressaca é fingir de vivo
no lugar do morto
com a língua
a saber a preservativo usado
a olhar para a direita
para a esquerda
a mascar, diz o poema, a mascar





O pénis é a cauda do cérebro, diz o poema
E o cérebro é a cauda do cometa, diz o poema






Leve como uma pen
a, diz o poema, depois
de despejada a algália
Sinto-me leve
como um pássaro sem penas
Diz o poema, deitado à sombra do pecado
Bem ditas as musas que levam dinheiro, diz o poema












Na pista de dança
é quem mais luta
contra os preconceitos
Diz o poema
Abrindo o peito às balas
o Diabo riposta atirando os esqueletos 
do armário
sem abandonar o docente 
corpo diplomático









pensa que eu desisto, diz o poema







Maria a puta
chega a casa sem poesia
e o fisco cai-lhe
em cima, diz o poema,
e na tv a virgem maria
reza pelos mais
desfavorecidos
filhos degradados
de eva












dizem alguns estudos que os escravos vivem mais 25 anos que os poetas, diz o poema, eis a explicação para a nossa existência colectiva de país de poetas e de ingovernável povo



Hoje não há poesia, diz o poema, o poeta está em estado de coma profundo a pão e circo









de volta ao local do crime
e de pena no meu sangue embebido
a revolta rego
como um rega-bombas, diz o poema







Bebo para me manter só
brio, diz o poema 
tentando fazer um quatro
num círculo

09 maio, 2016

PIOLHO # 19 em revisão de provas

PIOLHO Revista de Poesia
 
(), Miguel Manso, João  Meirinhos, Paulo Rema, Francisco Cardo, Zi, Rui Almeida, Jorge Humberto Pereira, m-parissy, Eduardo Quina, José Guardado Moreira, Maria da Inquietação Fausto, Pedro Águas, António S. Oliveira,   A. Dasilva O.,  Alexandra Couts, Rita Grácio e João Almeida


fazem mais ou menos por esta desordem este
número


o décimo nono junho 2016
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira



Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores



03 maio, 2016

Acabo de descer às livrarias, diz o poeta choupe la peace, o devorador de úteros, isto é de poemas

já ando por aí: na Letra Livre, em Lisboa; na Utopia, Gato Vadio, no Porto e na www.edicoes-mortas.com

O cadáver do povo
É delicia de deus
Temos de ser uns para os outros
E os seminários


São hoje fábrica de poetas
 diz o poema

A poesia
 não é
para poetas