29 outubro, 2016

Fumai as vossas e fieis cinzas, diz o poema

              Atrás dum grande poema está um cesto de papéis cheio de sangue, suor e lágrimas de Eros, diz o poema




há por aqui alguém a desnudar palavras, diz o poema, deve ser como descascar batatas
cebolas
ali alguém anuncia que só entram de pele despida
e não despidos da pele, diz o poema
a minha pele é um tambor que te irrita a pele
Fumai as vossas e fieis cinzas, diz o poema 


Função do orgasmo



regar o poema
diz o poema










Poeta sério?Só fingindo, diz o poema



A sério? pergunta o Sério
ainda bem que não sou poeta
nem me levo a sério

nó bell ikai, diz o poema



Ser poema é
Eh eh eh
Oyéhehehe y eh
É
Hiéééé

É hiehiehie
Ohhhhhhhhhiiiiiééééhhhhhhhg
Diz o poema



Venho-me, diz o poema, por este meio
Devolver com a mesma moeda o leite derramado
Em meu nome

E não devem esquecer nunca
Os sábios e infantis conselhos
De que não devem falar com ilustres desconhecidos
Diz o poema

Falem de mim em vão
Pois eu sou aquela questão
Em casa onde não existo
Todos me ferram a mão
de xisto, diz o poema



15 outubro, 2016

Eis a Piolho # 20: Paulo Moreira(ilustrações págs 2 e 48), Alexandra Couts, Adília César, Maria da Inquietação Fausto, Nazaré de Sant’Ana, Eduardo Quina, Carlos Ramos, Francisco Cardo, Fernando Esteves Pinto, Jorge Humberto Pereira, Humberto Rocha, João Rasteiro, João Meirinhos, Paulo M. Rema, Pedro Águas, Rui Azevedo Ribeiro, Sérgio Ninguém, Nunes Zarel.leci, José Guardado Moreira, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Blaise Cendrars e Appolinaire fazem mais ou menos por esta desordem este Número PIOLHOs D’ORFEU o vigésimo outubro 2016 Coordenado por Fernando Guerreiro e A. Dasilva O. Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho

Eu ganhei o primeiro nobel da literatura sem saber ler nem escrever, lembram-se? e o prémio foi uma cruz, certo? Onde até hoje sangro, também pelos cotovelos, o Livro dos Livros. Aprendam que eu duro sempre, diz o poema, ditado, entre Deus e Diabo
Je suis Bob Dylan an an an, diz o poema

Je suis Dario Fo ull, diz o poema

Dario Fo e Bob Dylan juntos são dinamite, diz o poema


Um nobel de ressaca, diz o poema, com gelo? Naturalmente com gás?

a Contracultura ao poder e que se foda o nobel com dinamite, diz o Poema

Por quem os arrotos e peidos dobram? Diz o poema

11 outubro, 2016

comigo a realidade vai sempre atrás, diz o poema

Acordei de madrugada
diz o poema
entre febris suores frios
num debate poético-literário
diz o poema com a Maria a mudar-me as fraldas
e a ter um ataque poético do verso dado
diz o poema
enquanto Nuno
me retalha com requintes académicos
de bem pensar e de me partilhar diz o poema
tal mito e o Manuel refractário
a disparar sonoramente para todos os sentidos
contra o fascista do sentido único e o Francisco
diz o poema a apontar-me policialmente o dedo detective
cuidado pois podes ser a próxima vitima
no meu romance e, diz o poema
cagado de medo diz o poema
em diarreia mental me desfiz
em pedidos de socorros
Rui aparece com a sua instalação
diz o poema e no meio desta floresta de enganos

Mudo de estação

06 outubro, 2016

Cem anos depois Orfeu fala à revista Piolho em exclusivo, agora que o seu nº 20, a Piolhos d'Orfeu está na tipografia em trabalhos de parto

Cem anos depois Orfeu volta a falar à Poesia Portuguesa
revista Piolho num rigor (mortis) exclusivo, agora que o seu nº 20, a Piolhos d'Orfeu está na tipografia em trabalhos de parto

04 outubro, 2016

Intervenção Poética de A. Dasilva O. nos Poetas Anónimos


Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema


A chorar pelos cantos andam os lusitanos dentro dos lusíadas em autêntica guerra de surdos, diz o poema


coitado do coração intelectual não pára de abrir a boca para nada, diz o poema, apenas o bolsar bocejos contra esse monstro que corrompe como um boi imanso: - Acorda, acorda e acorda
e olha para o que digo
e não para o nada que faço, diz o poema


Todo o poeta é uma ilha deserta no meio da multidão, diz o poema



Poema que ri


Em cada poema
Um preservativo usado
Dentro dum saco de voo
Enjoado tudo dentro
Dum saco de lixo, 
diz o poema enrolado num toldo
Todo o setembro de Eugénio
Android diz bloqueado





Poema que ri, diz o poema
ou de-fake-fada
por porno
f-b-uck-train


Mente-me que eu gosto, diz o poema, pois sem cornos um poema não passa duma flor de papel

Queria dizer uma coisa mas esqueci-me, diz o poema

As minhas mãos são os teus frutos, diz o poema


Só tu morte para me fazeres rir, diz o poema

O morto lamenta não estar vivo, diz o poema
que ri
ouvindo a tv