Brevemente "canção inóspita" de A. DaSilva O. (@adasilvao). O n.° 13 da colecção Eufeme Poesia.
#poesia #poetry #books #livros #poetas #poets #Eufeme #adasilvao #poeta #poet
24 fevereiro, 2020
06 janeiro, 2020
O corpo lixa a obra, diz o poema
O corpo lixa a obra, diz o poema
Poetaria
Poetaria
Dentro dos possíveis um bom impossível, diz o poema
A poesia é a minha cegueira, diz o poema
Ano novo
Farra
po velho
Como
Farra
po velho
Como
diz o poema
devido ao excesso
de dilu Ente no sangue
de dilu Ente no sangue
o vómito fácil
Todos os dias são buracos negros dum mundo melhor onde a humanidade se esconde, diz o poema
mas tu, meu amor
que floresces na merda
de orfeu
como cannabis,
todos os dias são imortais a velarem pelo futuro
mas tu, meu amor
que floresces na merda
de orfeu
como cannabis,
todos os dias são imortais a velarem pelo futuro
Poemas são peixes
que só sabem nadar
fora de água, diz o poema
Elsa abriu as águas
e eu nado morto
e eu nado morto
dilu Ente
a trás dum grande poema está
um desgosto amoroso do grande público
em prelo manual, diz o poema
quem degenera sempre alcança, diz o poema
pelo poema morre o poeta, diz o poema
Se a Velocidade é o prolongamento do sexo
do Homem a Poesia é o prolongamento de Deus
Sim e que está morto há duzentos mas lá se vem
reproduzindo como fábrica de infâmias e aquele filho dum meteorito
que a Terra há-de comer depois de dar à luz ,
diz o poema
O Tédio é o meu pastor desde 1875,
diz o poema
quando aberta a cona de pandora
é quem mais chora de histeria, diz o poema
Um poetedo
vamos indo vamos cegando, diz o poema
Agouro ou nunca
nuca um tiro
na cu
latria
uma bala perdida
na nave, diz o poema
Acabo de ver um poema
todo porco a andar de bicicleta
Será uma fake new? diz o poema
Há minha volta
é quem mais se revolta
a dar corda ao relógio
para se bifurcar, diz o poema
Só tu podes ver esta visualização, diz o poema
invisual
A cadáver dado não se olha
ao p-ente, diz o poema
Página em branco é um cadáver esquisito, diz o poema
poema sobre o suicídio a tentar asfixiar-me com a eutanásia
mas consegui gritar
tipo último desejo
uma folha caralho
uma puta duma página da história da literatura
para escrever a minha carta de despedida
tipo discos pedidos
quando a morte toca
uma punheta
tipo a mim só me saem diques, diz o poema
Faz nesta hora, vinte e sete anos que o meu Pai faleceu
e que saiba nunca escreveu um poema, diz o poema
O Poeta do fraque, diz o poema
depois de tanto transpirar o poeta enfia o poema no micro-ondas e abre uma garrafa de tinto e aladino verifica que apenas contém um papel, um poema engarrafado?
e ouve o micro ondas a dar sinal que a sua metáfora pizza está pronta, abrindo-o solta um corvo que quer ir para a noite dos tempos
batem à porta e ela desfaz-se em palavras de abrir o chão
É o homem do fraque que lhe tenta vender um livro de poemas da sua autoria, escrito poeticamente numa rede social com o sugestivo titulo,
Tudo se paga neste mundo.
Não esquecer que os direitos vão para as crianças-poetas vitimas de poesia.
e ouve o micro ondas a dar sinal que a sua metáfora pizza está pronta, abrindo-o solta um corvo que quer ir para a noite dos tempos
batem à porta e ela desfaz-se em palavras de abrir o chão
É o homem do fraque que lhe tenta vender um livro de poemas da sua autoria, escrito poeticamente numa rede social com o sugestivo titulo,
Tudo se paga neste mundo.
Não esquecer que os direitos vão para as crianças-poetas vitimas de poesia.
A Canção não desarma, diz o poema
O Nobel não tira
nem atira os pecados do mundo
mas traz a felicidade da sua paz
enquanto lida, diz o poema

Eu nunca descansarei em paz mas em poesia,
diz o poema
No poems good poems, diz o poema
12 dezembro, 2019
Empresta-me o teu mistério, diz o poema
Intervenção a.
dasilva o. no encontro Romp 14.1 no passado dia 22 de Outubro 019 e Romp 14.2
na Livraria Gato Vadio no passado dia 23
novembro 019
![]() |
| foto: Sofia Neves |
Empresta-me o teu
mistério, diz o poema
Sentado no canapé pede a quem o ladeia e recolhe o mistério na página em branco. Ergue-se e
dirige-se à audiência e a cada um pede emprestado o seu mistério que cada um generosamente deposita na página em branco
- Em nome da poesia o meu muito obrigado pela vossa
generosidade e confiança (amarrota com ambas as mãos a página em branco e
mostra-a depois de a desamarrotar com carinho) Este é o mistério da poesia.
(repete mostrando, frente e verso, a página em branco) Este é o mistério da
poesia. (coloca-a delicadamente na mesa de trabalho e mostra a palma das mãos)
Olhai e lede o meu trabalho poético em constante luta interior a linha da vida
e linha da morte e seus eixos, o sintagmático e paradigmático que recolho na
página em branco que junto do vosso mistério (dobra e dobra a página em branco.
Abre-a) Eis o vazio. Eis o desespero criativo (mostra pausadamente a folha em
branco) Sou mais um. Sou mais nenhum. Sim, diz o poema, a poesia, o poema não
se faz sozinho (começa a rasgar os pulsos com a página em branco perante o
olhar espantado e algo de repulsa dos presentes) É isso falta-lhe qualquer
coisa do eu-outro que me circula no sangue (estanca o sangue com a página em
branco e suspira prolongadamente. Dobra a página em branco) e não esquecer as
entranhas e a sua importantíssima contribuição poética (leva a página em branco
e leva ao rabo como se estivesse a limpar o olho do cu e começa a ficar
excitado e com a mão direita começa a masturbar-se. Atingindo o orgasmo recolhe
a esperma na página em branco e dá um estrondoso peido) (dobra a página em
branco sem deixar cair os fluidos, e a suar limpa o rosto) A transpiração
(pausa) nenhum poeta sério a pode desprezar (leva a página à boca e começa a mastigá-la
lentamente e a saboreá-la com expressões faciais de aprovação, reprovação e nojo.
Cospe fragmentos da página para a assistência).
22 novembro, 2019
Jorge de Sena dirige-se aos seus contemporâneos, diz o poema
Jorge de Sena dirige-se aos seus contemporâneos, diz o poema
Parem, por favor, não me confundam com o Luís
Pacheco que também deve estar perto do centenário
do seu nascimento
Parem, por favor, de cuspir as ossadas do meu erudito físico prodigioso,
de menina do mar,
algum espumoso mijo de sacavém
e de me enrolar na mortalha académica
das vossas lágrimas de crocodilo
Parem, por favor, com os festejos hipócritas
e atentem nos meus eus contemporâneos
a serem vitimas, tal com o fui, da vossa ignorância e desprezo.
Hoje chove champanhe em todos
centenários lusos, diz o poema com a língua de fora
Poemas? Logo Sofias, diz o poema
Foi mais ou menos assim que falei às
Musas, diz o poema
Deus é o último a saber, diz o poema
Na hora da minha morte todas as putas
são virgens ofendidas, diz o poema
E no Inferno, arde todo o santo dia e
ninguém se preocupa, diz o poema
pelo contrário
não falta quem para lá vá
depois de ir desta para melhor
pelo contrário
não falta quem para lá vá
depois de ir desta para melhor
Belos tempos aqueles em que o homem
tentava roubar o fogo aos deuses, diz o poema
Poesia,
uma guerra
de palavras, diz o poema
uma guerra
de palavras, diz o poema
O sangue suga a poesia, diz o poema
Quanto mais chamas, mais combato, diz
o poema
Há por aqui uma bala perdida a dizer
poemas de Federico Garcia Lorca, diz o poema
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán
Toda a Verdade é absurda
com ouvidos de mercador
o Mistério usa
à experiência
um aparelho mini missão e não podia acreditar no que os olhos vozes ouvia, diz o poema
com ouvidos de mercador
o Mistério usa
à experiência
um aparelho mini missão e não podia acreditar no que os olhos vozes ouvia, diz o poema
O meu coração está sempre a partir
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in
continente em continente
como escravo em sal dos o negreiro apanha os pedaços do discurso que a cena defeca e com as próprias mãos espalha sobre o leite derramado as cinzas do pródigo aborto, diz o poema
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in
continente em continente
como escravo em sal dos o negreiro apanha os pedaços do discurso que a cena defeca e com as próprias mãos espalha sobre o leite derramado as cinzas do pródigo aborto, diz o poema
Eterno, eterno, só o eterno retorno,
diz o poema
Debaixo duma ramada A ressaca
Vindima,
diz o poema
Mais poesia
Menos mexericos, diz o poema
Menos mexericos, diz o poema
mije na mão
direita de deus, diz o poema
direita de deus, diz o poema
Deus é o último a saber, diz o poema
O amor ama e o ódio passa, diz o
poema
É urgente a eternidade, diz o poema
Em cada poemaas ossadas da minha infância em amena cavaqueira com o futuro
dilu Ente
O amor não me visita, diz o poema
Espia
Me
Too
A poesia tal como a merda e o azeite
vêm sempre à tona e a isso em Portugal chama-se cozido à portuguesa, diz o
poema
O que é preciso é morder cada dia que
passa, diz o poema
Penso, logo penso, diz o poema
Quem não tem culpa não tem coração,
diz o poema
Ai a minha tristeza que é tão linda
mas ninguém a quer, diz o poema
Triste, triste é,
não haver no parlamento
nenhum poeta eleito,
diz o poema,
não passa duma caixa de pandora, cheia de ossadas coloridas, humanas demasiado humanas
deus vonão haver no parlamento
nenhum poeta eleito,
diz o poema,
não passa duma caixa de pandora, cheia de ossadas coloridas, humanas demasiado humanas
mitou
as linhas tortas
da ex
trema
direita
dilu Ente
Em cada voto um minuto de silêncio,
diz o poema
Por um muro sem muros, diz o poema
A tua vinda a este mundo foi uma
autêntica perda de tempo, diz o poema
A tua praia é o submundo do crime
A tua praia é o submundo do crime
O poeta tem dias
comeforme a mulher a dias, diz o poema
comeforme a mulher a dias, diz o poema
A actualidade está desactualizada,
diz o poema
Um facto é um fato
preservativo
a asfixiar a língua
Um facto é um fato
preservativo
a asfixiar a língua
Sou um gato escondido com a alma de
fora, diz o poema
Poeta ou poetisa
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema
Poesia não tem problemas
de género mas poemas do génio
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema
Poesia não tem problemas
de género mas poemas do génio
Todos
sois
os meus filhos
da puta
mui amados
saias isaías
e sais de fruto proibido
ente as pernas
ass aias brexit
traduzido à letra
as saias são as primeiras
a ar rumar para o leito
e nove meses depois
isaías nunca sai
como entrou de saias
e não de preservativo
puta que pariu para tanta saia e isaías,
diz o poema
O futuro é um velho que não existe
mas pensa, diz o poema
O meu ofício não é escrever
mas viver sobre
morrer é humano
viver é desumano escrever é
juntar ossadas, diz o poema
Já lá está
Na terra da Verdade
Quem não me deixa
Mentir
Ir
Rir
Nem vir-me
No céu
da boca
Céus
de quem cai
em tentação
Diz o poema
dilu Ente
Pobre
sobre
Pobre
se vai construindo
o Podre reino de Deus
e seus pontos cardeais
anunciam
a morte do meu estado poético
dilu Ente
A mascar uma pensativa máscara, diz o
poema
Extrema Unção lê
uma entrevista
entre
um medíocre menos
e um moribundo mais
a responder sobre o quer ser depois de morto, diz o poema
uma entrevista
entre
um medíocre menos
e um moribundo mais
a responder sobre o quer ser depois de morto, diz o poema
Todo aquele que se repete é porque não sabe
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa
A
dar o peido às balas, diz o poema
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
A culatra atrás
da meta
fora que é d'ontem
da meta
fora que é d'ontem
Só um Poeta
resolve um problema
sem solução
final, diz o poema
resolve um problema
sem solução
final, diz o poema
foi quando armastrong calcou a lua
que passamos a ter um lado negro, diz o poema
que passamos a ter um lado negro, diz o poema
A lamber um pensativo gelado, diz o poema
Bossejo, diz o poema
De lúcido e louco
fazemos pouco, diz o poema
fazemos pouco, diz o poema
Não encontro nenhuma musa para partilhar dado,
segundo fake news de fonte segura, estarem a banhos no mediumterrânio, diz o
poema
Por favor gozem o luar
A lua está cheia
Por favor gozem o luar
A lua está cheia
Ao levar uma gaja à lua
engoli uma pedra,
diz o poema
engoli uma pedra,
diz o poema
Quando o Poema aparece
finjo que não o conheço, diz o poema
finjo que não o conheço, diz o poema
18 novembro, 2019
14 novembro, 2019
Edições 50kg: Livraria Edições 50kg Um novo espaço para velhos amigos
Edições 50kg: Livraria Edições 50kg...: No dia 29 deste mês de Novembro, na rua de Faria Guimarães no número 137, abro no Porto uma livraria alfarrabista. Na realidade é uma e...
30 setembro, 2019
Eterno, eterno, só o eterno retorno, diz o poema
O sangue suga a poesia, diz o poema
FUckTURO, diz o poema
Há por aqui uma bala perdida a dizer poemas de Federico Garcia Lorca, diz o poema
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán
E uma vala comum de cadáveres esquisito a declarar alto e bom som
Não passarán
Poesia,
uma guerra
de palavras, diz o poema
uma guerra
de palavras, diz o poema
Não há palavras, diz o poema
O meu coração está sempre a partir
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in
continente em continente
como escravo em sal
dos o negreiro apanha os pedaços
do discurso que a cena defeca
e com as próprias mãos
espalha sobre o leite derramado
as cinzas do pródigo aborto, diz o poema
Se parte a arte não chega
a Rectó rica desfaz-se in
continente em continente
como escravo em sal
dos o negreiro apanha os pedaços
do discurso que a cena defeca
e com as próprias mãos
espalha sobre o leite derramado
as cinzas do pródigo aborto, diz o poema
O amor ama e o ódio passa, diz o poema
É urgente a eternidade, diz o poema
O problema não está no que comes
mas no que não cagas, diz o poema
Em cada poema
as ossadas da minha infância em amena cavaqueira com o futuro
as ossadas da minha infância em amena cavaqueira com o futuro
dilu Ente
mije na mão
direita de deus, diz o poema
direita de deus, diz o poema
O amor não me visita, diz o poema
Espia
Me
Too
Me
Too
Na hora da minha morte todas as putas são virgens ofendidas, diz o poema
Flores e Corvo
Todo o Homem é uma ilha
Todo o Homem é uma ilha
no mar da palha,
diz o poema
diz o poema
Poeta ou poetisa
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema
Poesia não tem problemas
de género
mas poemas
do génio
quem lá for
fica sem pissa, diz o poema
Poesia não tem problemas
de género
mas poemas
do génio
Debaixo duma ramada
A ressaca
Vindima,
A ressaca
Vindima,
diz o poema
Quanto mais chamas, mais combato, diz o poema
E no Inferno, arde todo o santo dia e ninguém se preocupa, diz o poema
pelo contrário
não falta quem para lá vá
depois de ir desta para melhor
pelo contrário
não falta quem para lá vá
depois de ir desta para melhor
Belos tempos aqueles em que o homem tentava roubar o fogo aos deuses, diz o poema
Deus é o último a saber, diz o poema
22 agosto, 2019
Se tomou Nota, faça o favor de desmarcar, por razões «doentias» não nos será possível apresentar a eSTUPIDa # 7 e a aposentação e fecho da revista de poesia Piolho # 27, pelo facto new, pedimos desculpa. Tentaremos compensá-lo no lançamento da eSTUPIDa # 8. Podem voltar para férias ou estando no Porto e connosco quiser falar sobre isto, aquilo, ou até adquirir um ex. faça o favor de aparecer, no dia 31, na feira do Centro Cultural de Cedofeita, seremos «todos ouvidos» das 10h - 18h. Agradecemos o vossa atenção, a tensão, a tensão não parará.
Reproduzimos parte do penúltimo post no passado dia 12 de Julho


CENTRO NACIONAL DE CONTRACULTURA: depois de nove anos de serviço poético eis a últim...: TOME NOTA, lá para finais de agosto, inícios de setembro, serão: Piolho #27 e eSTUPIDa #7 apresentadas numa intervenção de/ na rua, da maternidade 44 e no Espaço Arte K11 Paiol Azul.
depois de nove anos de serviço poético eis a última Piolho # 27, diz o poema.


CENTRO NACIONAL DE CONTRACULTURA: depois de nove anos de serviço poético eis a últim...: TOME NOTA, lá para finais de agosto, inícios de setembro, serão: Piolho #27 e eSTUPIDa #7 apresentadas numa intervenção de/ na rua, da maternidade 44 e no Espaço Arte K11 Paiol Azul.
08 agosto, 2019
Desculpem mas este verão não consigo escrever o tradicional poema duma noite de verão só tem saído merda de quem anda a pintar à pistola, mais parecendo chuva de verão tal poesia de facebook, diz o poema Se terá sido alguma musa que comi? Tenho andado de dieta apenas sopa de éclogas, elegías de por de sol e uma lolita acabadinha de entrar na idade adulta e barata e, diz o poema, não guardo tlm nas entranhas como alguns poemas académicos que estão proibidos de ser postados no facebook
Um homem para andar limpo tem de se sujar até aos colarinhos? , diz o poema
foi quando armastrong calcou a lua
que passamos a ter um lado negro,
diz o poema
Portualgália, um país de poetisas,
diz o poema
O meu amor não tem limite de velocidade,
diz o poema
Só um Poeta
resolve um problema
sem solução
final, diz o poema
A dar o peido às balas, diz o poema
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
Queres poesia?
Tira do cu e puxa
A culatra atrás
da meta
fora que é d'ontem
da meta
fora que é d'ontem
Sabe qual as traseiras do poema?
Outrora uma folha do caderninho de apontamentos quando naquela hora de aflição numa retrete pública, diz o poema
Hoje em dia,
o facebook
Não encontro nenhuma musa para partilhar dado, segundo fake news de fonte segura, estarem a banhos no mediumterrânio, diz o poema
Por favor gozem o luar
A lua está cheia
A lamber um pensativo gelado,
diz o poema
Musas de pau efeito,
diz o poema
Bossejo, diz o poema
Quando o Poema aparece
finjo que não o conheço,
diz o poema
De lúcido e louco
fazemos pouco, diz o poema
Entre dois poemas é quem mais mete a colher,
diz o poema
Em cada poema um mal me quer adormecido,
diz o poema
A minha imaginação é lésbica e adora cimbalinos a fazer batidos a grelos,
diz o poema
Requisição civil
chuva de militar
inquisição
chuva de militar
inquisição
dilu Ente
No turno da noite
entorna o dia
adia
entorna o dia
adia
dilu Ente
Ao levar uma gaja à lua
engoli uma pedra,
diz o poema
Apostou tudo na Loucura e saiu-lhe a sorte grande,
diz o poema
O Sublime está com o cancro da próstata
O Belo está com o cancro do útero
E o Eu em adiantado estado de decomposição, diz o poema a fazer quimioterapia
Escolhe outro
Passar a noite a dar a ferro
a página em branco a fim de enriquecer o vosso interior
a troco duma sandes
uma garrafa de águas e um peça de fruta?
Lê de os clássicos, diz o poema
Ah se tudo fosse igual ao litro
havia mais transparência
havia mais transparência
Haja placenta
para o translúcido
para o translúcido
dilu Ente
Todo aquele que se repete é porque não sabe
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa
o que está a dizer, diz o poema
Todo
aquele que diz sempre a mesma coisa
repete outra e a mesma coisa
O poema estrangeiro
continuam a ser muito bem lambidas as suas botas retóricas
pelos mui inteligentes
I recheados de sentido de humor
I que escrevem muito bem sobre a banha da musa depois de morta
I diz o poema
Extrema Unção lê
uma entrevista
entre
um medíocre menos
e um moribundo mais
a responder sobre o quer ser depois de morto,
diz o poema
Uma quadra popular
é uma recta dobrada
em quatro à moda do Porto
como um caralho sem dente, diz o poema
dilu Ente
Cuidado com todo aquele que anda com um poema na ponta da língua
Não passa duma pastilha elástica, diz o poema
Fake Poem
In
Forma,
Musa deu à luz
Cento e vinte milhões
de
poemas contrafetos, diz o poema
Enterrar os mortos
Queimar os vivos, diz o poema
Pensar o pior
Faz-me sentir
Pior
Ou melhor pensando
Nada disto é Pensar
É um facto
É um fardo cheio de fardas
Das vítimas das minhas fantasias
Já sinto a autodestruição a Pensar o pior
Do que me acontece, diz o poema
Há tanto mister
rio em mim
como em borboletas
a voltearem
à volta duma lâmpada
fodida, diz o poema
Lamento mas não é de todo possível participar nas vossas cerimónias fúnebres, diz o poema
Só tenho um sobretudo
para ir ao meu enterro, diz o poema
para ir ao meu enterro, diz o poema
e o poema diz com o dedo de deus,
as tuas fezes estão cheias de pus
esia e sangue, diz o poema
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esia e sangue, diz o poema
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