30 março, 2020

27 fevereiro, 2020

A tensão a tensão poética de dar a lume a Canção Inóspita, de a. adasilv...


informamos que o livro de poesia «canção inóspita» de A. DaSilva O., ficará disponível no dia 29 de Fevereiro 2020. Este livro é n.º 13 da colecção "Eufeme Poesia".

Com o preço 9€ (já com portes incluídos). Os pedidos podem ser feitos através do nosso email (eufeme.magazine@gmail.com) ou nas livrarias: Poetria (Porto), Flâneur (Porto) e Snob/Cossoul (Lisboa).




excerto do livro:

 
«Um poema quando nasce,
a eternidade entra em depressão,

diz o poema»















                        

06 janeiro, 2020

O corpo lixa a obra, diz o poema


O corpo lixa a obra, diz o poema
Poetaria

Dentro dos possíveis um bom impossível, diz o poema

A poesia é a minha cegueira, diz o poema

Ano novo
Farra
po velho
Como
diz o poema

devido ao excesso
de dilu Ente no sangue
o vómito fácil











Intelectual, só plagiando? diz o poema







Todos os dias são buracos negros dum mundo melhor onde a humanidade se esconde, diz o poema
mas tu, meu amor
que floresces na merda
de orfeu
como cannabis,
todos os dias são imortais a velarem pelo futuro


Poemas são peixes 
que só sabem nadar 
fora de água, diz o poema


Elsa abriu as águas
e eu nado morto
dilu Ente


a trás dum grande poema está 
um desgosto amoroso do grande público 
em prelo manual, diz o poema



quem degenera sempre alcança, diz o poema


pelo poema morre o poeta, diz o poema



Se a Velocidade é o prolongamento do sexo 
do Homem a Poesia é o prolongamento de Deus
Sim e que está morto há duzentos mas lá se vem 
reproduzindo como fábrica de infâmias e aquele filho dum meteorito 
que a Terra há-de comer depois de dar à luz ,
diz o poema




O Tédio é o meu pastor desde 1875, 
diz o poema




quando aberta a cona de pandora 
é quem mais chora de histeria, diz o poema
Um poetedo


vamos indo vamos cegando, diz o poema

Agouro ou nunca
nuca um tiro
na cu
latria
uma bala perdida
na nave, diz o poema


Acabo de ver um poema 
todo porco a andar de bicicleta
Será uma fake new? diz o poema

Há minha volta
é quem mais se revolta 
a dar corda ao relógio 
para se bifurcar, diz o poema


Só tu podes ver esta visualização, diz o poema 
invisual

A cadáver dado não se olha 
ao p-ente, diz o poema

Página em branco é um cadáver esquisito, diz o poema


poema sobre o suicídio a tentar asfixiar-me com a eutanásia
mas consegui gritar 
tipo último desejo
uma folha caralho
uma puta duma página da história da literatura
para escrever a minha carta de despedida
tipo discos pedidos
quando a morte toca
uma punheta
tipo a mim só me saem diques, diz o poema



Faz nesta hora, vinte e sete anos que o meu Pai faleceu
e que saiba nunca escreveu um poema, diz o poema


O Poeta do fraque, diz o poema
depois de tanto transpirar o poeta enfia o poema no micro-ondas e abre uma garrafa de tinto e aladino verifica que apenas contém um papel, um poema engarrafado?
e ouve o micro ondas a dar sinal que a sua metáfora pizza está pronta, abrindo-o solta um corvo que quer ir para a noite dos tempos
batem à porta e ela desfaz-se em palavras de abrir o chão
É o homem do fraque que lhe tenta vender um livro de poemas da sua autoria, escrito poeticamente numa rede social com o sugestivo titulo,
Tudo se paga neste mundo.
Não esquecer que os direitos vão para as crianças-poetas vitimas de poesia.


A Canção não desarma, diz o poema


O Nobel não tira 
nem atira os pecados do mundo 
mas traz a felicidade da sua paz 
enquanto lida, diz o poema







Eu nunca descansarei em paz mas em poesia, 
diz o poema




No poems good poems, diz o poema

12 dezembro, 2019

Empresta-me o teu mistério, diz o poema

Intervenção  a. dasilva o. no encontro Romp 14.1 no passado dia 22 de Outubro 019 e Romp 14.2 na Livraria  Gato Vadio no passado dia 23 novembro 019




foto: Sofia Neves







Empresta-me o teu mistério, diz o poema










Sentado no canapé pede a quem o ladeia e recolhe o mistério na página em branco. Ergue-se e dirige-se à audiência e a cada um pede emprestado o seu mistério que cada um generosamente deposita na página em branco
- Em nome da poesia o meu muito obrigado pela vossa generosidade e confiança (amarrota com ambas as mãos a página em branco e mostra-a depois de a desamarrotar com carinho) Este é o mistério da poesia. (repete mostrando, frente e verso, a página em branco) Este é o mistério da poesia. (coloca-a delicadamente na mesa de trabalho e mostra a palma das mãos) Olhai e lede o meu trabalho poético em constante luta interior a linha da vida e linha da morte e seus eixos, o sintagmático e paradigmático que recolho na página em branco que junto do vosso mistério (dobra e dobra a página em branco. Abre-a) Eis o vazio. Eis o desespero criativo (mostra pausadamente a folha em branco) Sou mais um. Sou mais nenhum. Sim, diz o poema, a poesia, o poema não se faz sozinho (começa a rasgar os pulsos com a página em branco perante o olhar espantado e algo de repulsa dos presentes) É isso falta-lhe qualquer coisa do eu-outro que me circula no sangue (estanca o sangue com a página em branco e suspira prolongadamente. Dobra a página em branco) e não esquecer as entranhas e a sua importantíssima contribuição poética (leva a página em branco e leva ao rabo como se estivesse a limpar o olho do cu e começa a ficar excitado e com a mão direita começa a masturbar-se. Atingindo o orgasmo recolhe a esperma na página em branco e dá um estrondoso peido) (dobra a página em branco sem deixar cair os fluidos, e a suar limpa o rosto) A transpiração (pausa) nenhum poeta sério a pode desprezar (leva a página à boca e começa a mastigá-la lentamente e a saboreá-la com expressões faciais de aprovação, reprovação e nojo. Cospe fragmentos da página  para a assistência).