09 outubro, 2017

Eis a capa e os colaboradores do próximo número duplo da PIOLHA A REVOLUÇÂO, diz Piolho # 23 em trabalhos de impressão, tenha uma lá pra finais de Outubro

Eis mais uma capa do artista Meireles de Pinho



PIOLHO Revista de Poesia

« Tudo é diverso em tudo. Retirai do espírito a ideia de que algum ser
 tenha sido modelado pelo vosso»       
  La Fontaine  
 

Ana Barbeiro, Maria Afonso, Sílvia Silva,
Sónia Oliveira, Alexandre Couts,
Luís Oliveira, António Pedro Ribeiro,
Sérgio Ninguém, Rui Azevedo Ribeiro, 
Francisco Cardo, António S. Oliveira,
Miguel Sá-Marques, António Vitorino,
Jorge Velhote, m.parissy, Helder Moura
Pereira, Pedro Juliot, Humberto Rocha,
 António Ladeira,
Miro Teixeira, Rui Carlos Souto,
Dinis h.G. Nunes, Nunes Zarel·leci,
Luís Serra, Luís Ferreira, José Guardado Moreira, 
Raúl Simões Pinto, Pedro Águas,
Teixeira Moita, António Geada,
Amadeu Baptista, Noel Leopoldo Petinga,
André Quaresma
 A. Dasilva O.(autor das fotos de dizeres anónimos inscritos nas paredes, 
na cidade do porto)
e La Fontaine

fazem mais ou menos por esta desordem este
duploNúmero
PIOLHA a Revolução
o vigésimo terceiro outubro 2017
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira

Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores






21 setembro, 2017

13 setembro, 2017

09 setembro, 2017

Fel Actio,diz o videopoema



FEL ACTiO um VI   DEOS de A. DASIIVA O.
filmado espontaneamente no café piolho, porto, 
no passado dia seis do corrente mês,
intervenientes: Freeno e Jeeno. que feelalmente exigiram que repusesse a sua verdadeira identidade dado  não terem nada a esconder do que em público e de livre vontade e em nome da liberdade promoveram. Honra lhes seja feita a estes dignos filhos de Luís Pacheco que deve, roído de inveja, estar a dar voltas no túmulo


diz o poema:
quando os extremos se beijam
acontece o que acabamos de observar
Ser extremo
é
ser fonte de extremos
onde se tocam
beijam e entrincheiram
para de novo se confrontarem


04 setembro, 2017

Se virem aí uns livros nojentos, vis e medíocres A cheirar a sovaco de cadáver mal morto A transpirar escárnio e mal dizer A ferrar a mão da auto-ajuda A desfazerem-se em desmitificação do culto da bruxaria, do bem de pensar e de todos os seus restos mortais Calcem umas luvas e comprem-nos todos e queimem-nos




Se virem aí uns livros nojentos, vis e medíocres
 A cheirar a sovaco de cadáver mal morto
A transpirar escárnio e mal dizer
A ferrar a mão da auto-ajuda
A desfazerem-se em desmitificação do culto da bruxaria, do bem de pensar e de todos os seus restos mortais
Calcem umas luvas e comprem-nos todos e queimem-nos
não os leiam
provocam as perigosas e mais silênciosas  imortais doenças
e começam por provocar o escorbruto

São a vergonha da nossa literatura nacional
Uma vergonha


Depois não se queixem
Não digam que não foram avisados
'





24 agosto, 2017

Engarrafados à página-em-carbono, diz o poema

Carta de Herberto Helder a Gastão Cruz encontrada a boiar dentro nessa rede-garrafa Facebook


A ciência dos poetas, filosoficamente maus, mas po eticamente ciêntíficos. Se àqueles basta meter um poema e uma página em branco e atirá-los ao mar, para este:

Como se pode criar Vida dentro duma garrafa. Basta dispor de um balão de vidro cheio de gases presentes no Universo. Poderemos, à escolha, seleccionar elementos correntes do meio ambiente da Terra, de Júpiter ou de Urano. Acrescentam-se algumas descargas eléctricas de tipo solar ou alguns raios ultravioletas. Dez minutos mais tarde, obtém-se uma matéria amarela que tende progressivamente para o castanho. Reproduziu-se a vida ou, pelo menos, os elementos constitutivos da vida. Esta espécie de alcatrão que se forma nas paredes do balão é feita de moléculas à base de carbono. Ora, nós somos todos «feitos» de carbono!, diz C. Sagan


17 agosto, 2017

ÓPIA








que se foda
isto
puta que pariu
aquilo

quisto
não tem
pernas
para andar
mas
cem
para matar

como quem
esfrega
mostarda
no cu
do outro
corno

que quem
o pariu
é uma
santa que o pariu
mal morto
num mar
de lágrimas
quando
o andor
caiu e se pôs
a andar
sobre as águas
trapacentas

acentas
em sebentas
que nem
uma bala
perdida



14 agosto, 2017

O NOME DO FOGO

O nome do fogo
Tinha um vizinho que se chamava Fogo. Homem de meia idade, educado reservado e sujeito de poucas palavras: bom dia, boa tarde e boa noite. Por estas alturas era alvo de humor devido aos incêndios.
Há muito que não o via. Uma vez arrisquei a perguntar por ele e a resposta, dada por alguém, pensando que estava a ser alvo de gozo:  Aparece todos os dias nas várias televisões.
Subi ao seu apartamento e toquei várias vezes à campainha.
No dia seguinte dirigi-me à policia e relatei o caso. Ao contrário do que podia supor. Fui ouvido com muita atenção e crivado das eternas questões normais nestes casos. Se era familiar?  Amigo? Conhecido?. Vizinho. Apenas e de poucas palavras trocadas.
Depois de visionar um número absurdo de álbuns com fotografias de suspeitos? Desaparecidos? Limitei-me a não fazer perguntas.
Não encontrando o sr Fogo em nenhuma das imagens, fui estranhamente convidado a ir à medicina legal para uma identificação de cadáver. Aceitei mas com a condição de fazer uma questão. Concordaram responder se a resposta não estivesse em segredo de justiça, e, claro se soubessem a resposta.
Não seria melhor visitar o apartamento onde o sr. Fogo residia? Fica no caminho responderam a sorrir.
Avançamos a alta velocidade sob forte cheiro a queimado e chuva intensa de faúlhas. A cidade está cercada pelas chamas.
Junto ao edifico da medicina legal somos informados que o apartamento do sr. Fogo está vazio e sem qualquer indicio de violência e completamente vazio.
Surpreso exclamo: mas esse apartamento é o meu.


31 julho, 2017

Quando morrer não quero ter uma página no Fb nem noutra rede qualquer, diz o poema

Não estava presente quando fui concebido, diz o poema

Poesia
É óleo
De inveja
dilu Ente

diz o poema
Isso enfeita-te e perfuma-te
com os restos mortais dos autores
mais famosos e caídos
em domínio público
e peida-te como uma rosa
Eis o fauno digitall
dilu Ente

diz o poema

Só consigo escrever
depois de cuspir nas mãos
e de as limpar à página
em branco
dilu Ente

diz o poema

O silêncio
É uma estufa fria
A esvoaçar
À volta duma borboleta
dilu Ente







Na terra de ninguém
Deus está enterrado
com os Dali big
ode de fora
À espera de godot
dilu Ente

diz o poema

Nos
fera
tu
não
te esqueças
de levar
o sobre
tudo
não vá
Aurora
cedo
acordar
dilu Ente

diz o poema

Um iogurte no inferno
com delicias de mar
eterno
dilu Ente

Nos meus braços estás perdida, diz o poema



dilu Ente

Com as mãos no fogo
embalo o seu berço
como um leque, diz o poema

Todo o estado poético é um estado falha-do-humano
dilu Ente


Não sou a caverna-vagina onde Platão escondeu os seus poemas com a língua do estado de direito
dilu Ente

As cinzas a renascerem das cinzas, diz o poema

09 julho, 2017

Poeta a tempo inteiro //Dentro do tinteiro //Sem mexer uma palha

A podar o deserto
no deserto
diz o poema

É quem mais prega no deserto
essa floresta negra
onde o cadáver de Nietzsche
procria Deus derivado de sémen sem OGM e cultivado sem pesticidas ou fertilizantes químicos

E lava mais branco
O branco sujo
dilu Ente

Tens um Deus
que é cego
surdo e mudo
Tu


dilu Ente


Poetas? Não passam de homens incapazes de reflexão e meus escravos, diz o poema, adoro quando me contemplam
tal estrela decadente
sem saber onde morto cair

diz o poema

O que não mata, mói e a vida o seu moinho de morte, 
diz o poema

O suicídio acaba de tirar o seu cadáver da cartola
é o pão e circo
a uma só voz

diz Ente


Entretanto o Labirinto da Saudade
parece que escapou às chamas
os xamãs desfazem-se em intelectual silêncio
apesar do chilrear do seu calçado
sobre o barril de pólvora seca
e de banha da cobra
a lutar contra as chamas com as tábuas da lei
da ordem e dos bons costumes
dilu Ente

Estou a ver
a dobrar
a geológica
moeda
a curvar-se
na obra
dilu Ente



sou tão fino
tão fino
como os cabelos
do cu
duma agulha


diz o poema


Sou um Poeta precário, dilu Ente

A vida é assim:
Nasces violando a inocência
Perdes a infância
Deambulas no finito encenando-a
Até a encontrares
E comeres-lhe o útero
dilu Ente

Acabo de apontar um defeito
A tua virtude
é um véu
dilu Ente

Hoje nasceu o heterónimo de todos os mortos
dilu Ente

Faz hoje anos que Fernando Pessoa recebeu o prémio Pessoa, diz Prosa K, um Stº António das Caldas


26 junho, 2017

Aí estão as Piolho # 22 acabadinhas de chegar na última praia mar de seu tema sempre livre e de «morrer na praia» por mais; como tema primário

PIOLHO Revista de Poesia
« O Piolho Viajante é obra que se notabilizou entre as camada populares, que não obteve o favor de nenhuma critica nem os elogios dos patriarcas letrados do tempo. Fez-se ela própria...Hoje, duzentos anos, …,eis que alguém a exuma, não para a considerar um obra-prima, mas para a colocar no escano que lhe pertence...» João Palma-Ferreira, Obscuros e Marginados, Estudos Portugueses, Imprensa Nacional-Casa da Moeda Lisboa|1980
 
Meireles de Pinho(ilustrações),Lígia Casinhas, Sónia Oliveira, Carlos Alberto Machado, Carlos Ramos, Fernando Sernadas,
Luís Oliveira, Teixeira Moita,  João Albuquerque,
 João Pedro Azul,
 Eduardo Quina,  António Pedro Ribeiro, Lopes da Silva,
 Noel Petinga Leopoldo,  Francisco Cardo, José Guardado Moreira, Raul Simões Pinto, Rodrigo Pedro, Rui Almeida, João Meirinhos, Pedro`Águas, António S. Oliveira, Miguel Sá-Marques,
 Vitor Cardeira,
  Amadeu Baptista e Rubén Darío


 fazem mais ou menos por esta desordem este
número

o vigésimo segundo Julho 2017
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira



Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores



22 junho, 2017

Enquanto a Piolho está em tipográficos trabalhos do seu próximo nº o 22. Aconselhamos uma visita aos nossos antepassados :«« O Piolho Viajante é obra que se notabilizou entre as camada populares, que não obteve o favor de nenhuma critica nem os elogios dos patriarcas letrados do tempo. Fez-se ela própria...Hoje, duzentos anos, …,eis que alguém a exuma, não para a considerar um obra-prima, mas para a colocar no escano que lhe pertence...» João Palma-Ferreira, Obscuros e Marginados, Estudos Portugueses, Imprensa Nacional-Casa da Moeda Lisboa|1980 »









O Piolho Viajante, obra portuguesa publicada em 1802, foi um dos livros mais lidos no Brasil do século XIX. A história, narrada por um piolho que viaja por 72 cabeças as mais diversas, satiriza os costumes da sociedade portuguesa do final do século XVIII e início do século XIX. Lançada inicialmente em folhetos semanais anônimos, veio a ser reunida em volumes em 1821, com autoria atribuída a António Manuel Policarpo da Silva. Sucessivas reedições garantiram a permanência de sua popularidade em Portugal e no Brasil até meados de 1860, quando o livro começou a sair de circulação e cair no esquecimento.
A presente edição eletrônica de O Piolho Viajante tem como objetivo contribuir para que a obra de Policarpo da Silva, tão prezada por brasileiros e portugueses do oitocentos, volte a circular.

Para conhecer mais sobre autor e obra, clique em Apresentação; para copiar e ler o romance, clique em O Piolho Viajante.







A.DASILVA O.

O PIOLHO VIAJANTE
Adoro viajar ver mundo sem a cama deixar
De cabeça em cabeça setenta e duas ao todo
entre mil e uma caparuças
Despejar o mais belo linguajar de meus bisa-
-vós celebrar com escárnio e mal-dizer
aquém e além mar
O mesmo abanar de consciências
como o fez o sr alguidar que de fraca pena
 em punho vergastou anónimo
o mundo com quitoso engenho
o poeta e o seu cabedal
que o critico que do seu
cânone se limitou a cagar
autos mistérios comédias
entremezes dum povo
a dançar a tarântula
fofa sobre o seu cadáver
ali pró rossio
de todos os cios
do pobre indigente
e vadio intelectual
dos marinheiros
soldados
e aventureiros
mutuamente se bulham
entre coplas
tregendas e estâncias
de correr mundo
em cuecas de azul trincado
pelas suas duras linhas
Entre linhas pontos finados
e demais esquisitos cadáveres
que alguma língua viva
ou morta o terá dito e maldito o seja para todo o tempo e toda gente e demais seiscentos e sessenta e seis fezes e de vezes







26 maio, 2017

Abjeccionista da Silva Objeccionista, diz o poema manifesto caiado de velho

PEIDO
Entra em cena e na sua boca
Peida-se
Palmas e bravos
Sorri e agora chamo o autor ao palco
Para umas breves palavras.

Levo um poema ao micro
Ondas um dois três vinte e um segundos
Depois está pronto a comer
Para te enterrar

O Poema em fogo
as mãos cheias de línguas de perguntadores atrevidos
esganados pela literatura de cordel
dilu Ente

A mina de covis


a dobrar
a geológica
moeda
a curvar-se
na obra
Estou a ver
a dobrar
a geológica
moeda

diz o poema

a curvar-se
na obra
sou tão fino
tão fino
como os cabelos
do cu
duma agulha

Cadáver de pau feito
Abjeccionista da Silva Objeccionista, diz o poema

diz
Fiezar, aziago
diz berros

Fier fier 

já erra
No mercado queda
Vermelho
diz
Fielrarzem-te
diz
Flock you


Cruzadas
estamos bem
sem vintém
com a barriga
cheia de intelectuais

ervas
dilu Ente chã


A céu aberto, diz o poema
Firmamento
As estrelas são valas comuns
De anjos, arcanjos e querubins