28 setembro, 2005

Aniversário

Pulga avança a passos largos para o primeiro aniversário, assim no próximo dia 8 de Outubro será lançado o número 2 da VOZDEDEUS.


Debate: segundo assalto

Estou feliz aqui

- Não é sério e absolutamente desonesto, diz Ortodoxa, você nada tem feito para que a massa crítica seja fomentada, fugindo, nomeadamente ao propósito elementar, de tornar o Local do Crime mais humanizado

- Estás velha, cansada e pedófila, responde Heterodoxa, é, é, não me interrompa, gosto pouco de coitos interrompidos. Quem anda fugido desde a queda do murro de Berlim tem sido você, nesse paraíso fiscal que é Utopia ( diz a má-língua que não tem feito outra coisa, senão plásticas) e todo o seu distópico, humano, demasiado humano, sistema de se desresponsabilizar de toda a carnificina-ideológica promovida quase provocando o fim da História.

- Se não fosses minha irmã eu dizia-te, mas e como diz o povo, amor de irmão, amor cão, tu não passas duma cadela do capitalismo selvagem, plagiando todo o meu raciocínio e peculatizando em ideias fixas todo um arsenal intelectual, científico e cívico da liberdade individual e enclausurando a democracia nos labirintos da demagogia e da retórica senil do humano como um escravo.

- Quem não te conhecer que te compre, sim somos sangue do mesmo sangue, ambos temos o mesmo tipo, mas não venha você com a vida privada, já que nem a você permito invasão de privacidade

- Tretas, você tem morada aberta e toda ela feita de telhados de vidro, basta ir a um quiosque e qualquer revista de entreternimento, cor-de-rosa ou do coração

- Mas o que a opinião pública, nem o cidadão – contribuinte – eleitor não sabe é que é você a dona de toda esse império de escárnio, mal-dizer e falsidades.

- É falso! Contrapõe Ortodoxa

- Você é que é uma falsa amiga do povo

22 setembro, 2005

O Local do Crime está em pré-campanha eleitoral. É quem mais se desfaz em impossíveis elevando o discurso político ao grau zero da diarreia mental, prometendo menos estado de direito para que a sociedade e todas as suas forças vivas renasçam da imbecilidade. “...e esquecido já, oculto nesta multidão de palavras que escorrem por entre os dedos sem pudor e sem freio...”; “ O tempo é também pastor do negativo e por isso ama todas as suas ovelhas, mesmo as que ainda não existem” in Fala o Demónio, de Anselmo Pereira de Freitas, ed. Mortas, preço na Pulga: 1,50 euros.

Debate: 1 assalto

Colarinho Branco é o rei, democrático, do bem gerir o Local do Crime. Ninguém como ele sabe das necessidades básicas do eleitor. Tudo é simples. Prático e prático. Não quer ser interrompido no seu, dele, raciocínio, sim porque quer que fique tudo esclarecido. Sim, ele tem a verdade nas mãos. Saco Azul está de acordo: quem não deve, não teme, sorri, pois, é claro, não me interrompa que eu não o interrompi. Tudo são ideias. Abre o saco a todos os esquemas para melhor exemplificar todo um trabalho que está à vista: O Local do Crime tem instalada quase toda a rede de saneamento básico que interliga o contribuinte com todo o seu princípio de prazer; assim como a habitação social e os seus 666 fogos, todos, repito, todos com telhados de vidro. Sem Camisa, eu, quanto mais pago mais devo. Continuo a construir o raciocínio para os outros. Sim, os eleitores não me conhecem. Sabem que não os consigo enganar e, eles adoram ser enganados. São cronicamente alienados e nesse sentido, se ganhar, como espero, prometo não cumprir o meu programa eleitoral, farei como eles, aponta em termos de acusação, para Colarinho branco e Saco Azul que se desfazem em sorrisos retóricos, mas tudo farei, possíveis e impossíveis, para abrir o maior números de lojas de alienação para combater a burocracia intelectual e lavagens ao cérebro clandestinas...

10 setembro, 2005

a velha e a democracia

Você paga mas não paga

9.09

A velha e o monstro 1

A velha senhora da democracia anunciou a sua candidatura à presidência deste galinheiro à beira mar plantado. O monstro mantém o silêncio. Aqui no corredor da morte fazem-se apostas e especula-se com argumentos futebolísticos.

Chegou o número sete do “ Coice de Mula” desindustrialização da arte contemporânea com doses de técnica, política, canibalismo; agricultura biológica em Portugal; contra e megamáquina; anarquismo naturianista; Zeca Afonso, conjugar o verbo ser; neo-aves & frangossauros; Banda desenhada: aroma de síntese; Universidade & aborto. Pulga vende a 2 euros.

05 setembro, 2005

5.09

Não, não estivemos de férias, apenas presos no transito dum grande incêndio. Pelo
facto pedimos desculpa

Mão assassina 1

Já foram alvo duma tentativa de homicídio? Eu fui ontem e digo-vos é uma experiência acima de qualquer adjectivo. Logo pela manhã - o verão é assim: nada faz sentido- entre desvios em terra de ninguém encontro-me com o 1200 num caminho de terra batida inundado de covas e lixo urbano de toda a espécie e feitio, difícil até para o mais preparado dos todo terreno. Não foi a primeira vez. Mas esta experiência forçada por obras foi mais absoluta por inesperada. Ninguém se feriu e o velho 1200 lá se aguentou.

De volta ao final da tarde as cinturas do grande porto enchem-se de lantejolas, transformando a urbe num poço da morte e nestes pessoanos pensamentos, junto ao norte shopping – à entrada do viaduto, à volta das 19h- faço uma manobra como manda a lei e sou surpreendido por uma viatura, com a marcha assinalada, (alguém em perigo?) coloca-se ilegalmente do meu lado direito, (deve ser grave) mas o que quer é albarroar-me, até que se atravessa na minha frente e sai da viatura um jovem em pânico gritando que o filho e coisas e tal, ao mesmo tempo que a porta traseira, do lado do condutor, se abre com uma jovem ...e bom, julgo, algo aconteceu à criança, quer ajuda, julgo e meto a cabeça fora da janela quando sou surpreendido (Kafka prova-nos o contrário) pelas suas mãos à volta do meu pescoço, não muito convincentes. Reajo tenso em legítima defesa e grito-lhe com voz da consciência: não matarás!

Não me seria difícil recuar e, ou agarrado que lhe tinha o pescoço em lho partir, mas não, o simpático decidiu não reagir (agradeço o meu auto-controlo) até porque parece que o assassino acordou. Volta para a viatura, cabisbaixo, olhando o 1200 com cara de equívoco? (sim é habitual vê-la nos filmes). A jovem mãe, presumo, olha-me com uns gestos de quem estava a controlar as operações, dando-me a ideia de que foi ela que ordenara esta irracional situação (para protejer a sua cria? Ou livrar-se do marido?). Nada fez para o impedir, sequer para o socorrer, apenas contemplou serenamente (sim, a sua cria estava fora de perigo). Tal como o trânsito que se arrasta em fila indiana. Das outras viaturas em presença nem um gesto. Mais pareciam num drive-in.

Só acontece ao Outro

Olho em frente e vejo o frustrado assassino a olhar-me pelo seu retrovisor. Da jovem mãe nenhuma imagem, a existir, imagino que se esteja a desfazer em atenções para com a sua cria. Olho-me no retrovisor:

“ Perfil

Há uma distância
Nas ruas
Pressentida

Espaço
Ocupados
Por movimentos

A parte interior
Do corpo acede
À indiferença

Na ânsia
As mãos pegam-se
Com vício

À parte
Existem os ruídos
Dos espelhos

O rosto da rua
Transmuta-se

O acontecimento
Das horas
Precipitadamente

Um absurdo
Em tudo
Na margem
Bem sinalizada

É o rosto
Dos passeios
E do trânsito”

In “Cinco Luas e Um Navio” de Rui Carlos Souto .

Livro do mês: “ O frio da sombra na parede” de Alberto Pimenta, a 4,50 euros. Não há livro da semana, mas temos doses (4) a preço especial: cinco livros (edições mortas), 24 euros e duas doses de última geração: 4 revistas a 5 euros.

Não se esqueça:

Você paga mas não paga