14 agosto, 2008

O Grito Contrafeito

Da Europa
Atirando-se para essa enorme piscina do meio
Tal criança

Onde cada povo
Esconde o seu genocídio
Vendendo as suas ossadas
Como objectos únicos
Desse ancestral saber

Portugal desfaz-se em feiras medievais
O trigo e o joio traficam o kitch
Cadáver que finge que é um cadáver
Onde o sacrifício é andar por aí

A terra a quem a trabalha
O essencial, o que será isso?, é para esquecer
Os sonhos a quem os interpreta
Ao ricos, de espírito?, que paguem
A miséria económica
O regresso à natureza?
Só com prosac

Os amanhãs cantam em playback
Enquanto os deuses do olimpo
Fazem quimioterapia

1 comentário:

. disse...

Txxx! (para não dizer f*d*-s*!; agora já disse...). Homem, cê é um génio. Eu amo a sua obra. Conheci-o numa livraria (Almedina, Lisboa, Atrium Saldanha) com um pequeno livro: Desobediência Poética. Entretanto li em Lit.s Marginais, por Alberto Pimenta, na Nova, alguns poemas de Chocolates. Choupe la Peace (risos), e fui o único a gostar. Entretanto o prof. emprestou-me o livro que eu devorei a rir-me às gargalhadas. Mais recentemente comprei na Letra Livre a continuação: Punhetas de Wagner (risada). O melhor livro que li este Verão e dos melhores na vida foi Diários Falsos de Fernando Pessoa. Delirei, para resumir. Admiro-o muito e genuinamente. Visitei-o no Verão de 2007 na sua livraria com António Guerreiro, mas não sei se se lembra. Devo parecer hiper-activo e desculpe o comentário gigante (achei que o e-mail não era indicado.. tem que ver com as Ed. Mortas..), mas estou bem, obrigado. Visite-me em dodesconhecimento.blogspot.com, se quiser ou lhe apetecer. Viva e bem-haja e continue com estes poemas que brilham nas nossas fuças que nem prozacs (na caixa vem com Z). Força ***

Tiago Costa