19 agosto, 2008

Sim, como abaixo repetimos mesmo junto às piscinas vazias onde os nossos Eliminados, iluminados se desfazem em humanos, não paramos de trabalhar na Caos em livro e nesse sentido você se participou com ou nalgum programa e tem algo a acrescentar para lá do óbvio, faça o favor de nos fazer prova com um pequeno testemunho para info@edicões-mortas.com, até finais do mês de Setembro. Agradecemos a sua capacidade de síntese assim como o direito que nos reservará à selecção dos mesmos. O que agradecemos desde já.

Está a fazer, em lume brando, vinte anos que o Movimento de Rádios Livres fechou portas. Foram 7, 8 anos em que provocamos orgasmos sucessivos à jovem democracia e desesperamos todos os donos da liberdade. Hoje a rádio não passa de um pequeno electrodoméstico da paz podre e das suas horas de ponta.

As Edições Mortas pensam dar à luz até finais do ano um livro sobre a Caos, Rádio Caos.

14 agosto, 2008

O Grito Contrafeito

Da Europa
Atirando-se para essa enorme piscina do meio
Tal criança

Onde cada povo
Esconde o seu genocídio
Vendendo as suas ossadas
Como objectos únicos
Desse ancestral saber

Portugal desfaz-se em feiras medievais
O trigo e o joio traficam o kitch
Cadáver que finge que é um cadáver
Onde o sacrifício é andar por aí

A terra a quem a trabalha
O essencial, o que será isso?, é para esquecer
Os sonhos a quem os interpreta
Ao ricos, de espírito?, que paguem
A miséria económica
O regresso à natureza?
Só com prosac

Os amanhãs cantam em playback
Enquanto os deuses do olimpo
Fazem quimioterapia

09 agosto, 2008

Farto de mergulhar nos seus pensamentos
Dirige-se ridiculamente para uma piscina pública
Como um condenado para o cadafalso

Todas as imagens olham-se
À procura da linguagem

O Pensador despe-se
E atira-se
De olhos fechados

Os sinos começam a dobrar

06 agosto, 2008

Ora quem apareceu por cá hoje junto às nossas fabulosas piscinas foi o nosso amigo e autor da casa Humberto Rocha, mais extenso desta feita, com o seu novo livro Pão & Circo editado pela Afrontamento: www.edicoesafrontamento.pt. Um livro de memórias: “Recordar é morrer… é como abrir túmulos: « Dulce et decorum est pró pátria mori».

No próximo mês será lançado aos quatro ventos

“ Em Portugal os escritores temem falar dos fedorentos. E eu até os entendo. Como se pode escrever sobre coisas que se desconhece? Descer à tripa cagueira era o que faltava! Mais valia escrever uns poeminhas saloios, as croniquetas da Maria Cachucha!
Agora descrever chagas e misérias encobertas em grandezas de pano roto, arrotos e suspiros da ralé! É deixá-las lá encafuada nos seus refúgios.
São personagens pouco apresentáveis, sem tiques nem falas mansas. Quem se vai inspirar em seres fátuos, sem grandezas, só misérias? Espoliados a vida inteira, a catar o cu e a cabeça, limitando a reles vida a partir pedra e a fazer filhos para a guerra.”

Muito bem, leitor, lave-se bem lavado e prepare-se

03 agosto, 2008

Zé Ninguém prepara-se para mergulhar. É Belo e o fio dental fica-lhe a matar

Enquanto se concentra

É bom ouvir à volta da piscina vazia
Tal como nas longas noites de Inverno
Junto à lareira, o Encoberto, o Esfolado, Inumano, o Falso Amigo do Povo,
o Pato Bravo, o Franco Atirador, …,
Entre outros ilustres desconhecidos

Neste sentido
Fica já fica avisado de duas coisas da maior importância:

1. Está aberto a doação de cadáveres para alimentar a fogueira dessas noites longas e mais informamos que temos duas belas câmaras frigoríficas, último grito, para que os respectivos familiares possam acompanhar até essa noite de Fado em que o seu ente querido terá direito aos seus legítimos quinze minutos de fama
2. Também informamos que a inscrição para os Altos Estudos no Instituto Superior da Mediocridade, estão abertas

Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje

Entretanto Zé Ninguém com tanta concentração, adormeceu na forma na ponta da prancha
mas o Franco Atirador acorda-o com pólvora seco

e é bom de ver Zé Ninguém mergulhar na piscina vazia:
“ « O tipo é megalomaníaco! Está completamente doido»” E,ZN